A CPI do Cachoeira adiou novamente a leitura do relatório do deputado Odair Cunha (PT-MG) com a conclusão das investigações sobre o suposto esquema criminoso do empresário Carlos Augusto Ramos, o Carlinhos Cachoeira.
A decisão partiu do relator que disse estar “dialogando com os pares” sobre o conteúdo do texto diante da repercussão tomada. A leitura do relatório está marcada para ocorrer na próxima quarta-feira.
Na quarta-feira (21), ele já havia afirmado que aceita mudar pontos do relatório que não tenham consenso. A Folha apurou, entretanto, que o relator não irá discutir a inclusão de novos nomes do documento, apenas a exclusão.
O relatório provocou reações na base governista e recebeu críticas da oposição ao pedir o indiciamento do redator-chefe da revista Veja, Policarpo Junior, que tinha o empresário Carlos Cachoeira como fonte, além de outros jornalistas. Nenhum profissional da imprensa indiciado no relatório foi investigado pela CPI.
Outro ponto polêmico é o pedido para que o procurador-geral da República, Roberto Gurgel, seja investigado pelo Conselho Nacional do Ministério Público, por ter atrasado, no entendimento do relator, as investigações sobre as relações de Cachoeira com políticos, entre eles o ex-senador Demóstenes Torres (DEM-GO).
Para a oposição, trata-se de vingança pelo fato de Gurgel ter pedido a condenação de petistas no processo do mensalão. Foi ele quem redigiu as alegações finais ao STF (Supremo Tribunal Federal) na ação penal do mensalão.
O PSDB cobrou do relator a leitura do texto na quinta-feira (22), como programado, mas sem sucesso. O presidente da CPI, senador Vital do Rego (PMDB-PB), disse que a decisão já estava tomada pelo relator. “Por insegurança do relator a leitura será adiada. Ele ataca pessoas e poupa aliados. Não se sente seguro para ler o relatório? Precisa de mais sugestões? Parece que está dizendo ao Brasil: “Estou disposto a corrigir meus erros'”, criticou o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP). O texto pede a responsabilização do governador Marconi Perillo (PSDB-GO) por “receber pagamentos” do suposto esquema Cachoeira.
A posição dos tucanos para que o relatório seja apresentado sem alterações é uma estratégia. Sem mudanças, certamente o relatório será rejeitado na íntegra. Isso interessa aos tucanos porque Perillo seria poupado do pedido de responsabilização.
Os demais partidos de oposição defendem mudanças no texto. “Se o bom senso prosperar e ocorrer retificações que assim seja”, afirmou o senador Randolfe Rodrigues (PSOL-AP).
Apenas o relator da CPI pode fazer alterações no texto final. Quando colocado em votação, só há duas opções: aprovar ou rejeitar o texto na íntegra. Não há a possibilidade de o plenário aprovar destaques para retirar partes do texto.
Cachoeira
Alguns parlamentares já defenderam ontem uma nova prorrogação dos trabalhos da CPI para que seja possível uma reconvocação de Cachoeira para prestar depoimento.
O relatório aponta que 46 pessoas tiveram ligação direta com o esquema ilegal de Cachoeira e pede o indiciamento de 34 agentes privados e a responsabilização de 12 agentes públicos com foro privilegiado.
Cachoeira foi solto na madrugada de ontem, após nove meses de prisão preventiva. Ele ainda responde a outra ação, na Justiça Federal de Goiás, decorrente das investigações das operações Vegas e Monte Carlo.







