

Evaldo Ferreira: @evaldo.am
Quando falamos em Libras (Língua Brasileira de Sinais) dá a entender que somente aqui no Brasil se utilizam sinais com as mãos para a comunicação com deficientes auditivos ou que a Libras é utilizada no mundo todo. Assim como um idioma, cada país, cada região, cada cidade, possui sua própria linguagem de sinais. A Libras recebe destaque porque há 20 anos, desde o dia 24 de abril de 2002, foi oficializada, através da lei nº 10.436, como meio legal de comunicação e expressão, e ela não é estática. Assim como surgem novas palavras, nos idiomas, também surgem novos sinais na Libras e nas outras linguagens de sinais utilizadas mundo afora. E tem mais. Quando vemos alguma autoridade falando para um público e ao lado um tradutor de Libras, só prestamos atenção nas suas mãos, mas além delas, determinados gestos, expressões faciais e corporais também são utilizados para transmitir alguma mensagem. Outro detalhe. Antes não víamos a figura do tradutor com tanta frequência como vemos agora, aliás, eles nunca eram vistos em lugar algum. Ocorre que, desde 2015, é obrigatória a presença de um tradutor de libras em ambientes de repartições públicas.
Para apoiar na divulgação da Libras, a professora, mestre em psicomotricidade, especialista em psicopedagogia e psicoterapia, e estudante da língua, Fabiana Ferreira, lançou o livro ‘Libras – mãos que falam’ e desde então vem participando de eventos divulgando seu trabalho.
“Hoje eu sou tradutora e intérprete de Libras, ou seja, estou no último estágio do aprendizado, que começou há seis anos”, contou.
Para Fabiana, aprender a linguagem de sinais é a mesma coisa que aprender um idioma. Você sempre precisará estar acompanhando o que surgir de novidade.
Existem pelo mundo
Outro detalhe que só quem conhece é quem convive no universo dos deficientes auditivos é que existe outro tipo de linguagem onde se aprende o abecedário e as palavras são formadas como na escrita, letra por letra, porém, na Libras, um único sinal pode significar uma palavra, ou até mesmo uma frase.
“Como educadora, sou apaixonada pela comunicação, então, quando conheci a Libras, me interessei em aprendê-la para depois ensiná-la, principalmente porque isso é uma forma de eu contribuir para uma sociedade melhor. Meu mestrado foi sobre a Libras”, contou.
E por que até agora não criaram uma linguagem universal para os deficientes auditivos, assim como existe a escrita em Braille, para os deficientes visuais? Óbvio, e cabe aqui uma frase bem conhecida: ‘uma imagem vale mais do que mil palavras’. O deficiente visual está ‘preso’ unicamente ao tato, enquanto o deficiente auditivo tem o mundo inteiro, repleto de imagens, para ver e entender. As línguas de sinais existentes pelo mundo, assim como um idioma, possuem léxico (conjunto de palavras que as pessoas de uma determinada língua têm à sua disposição para expressar-se, oralmente ou por escrito).
“Existe um alfabeto universal, com A, B, C, D…, o qual as pessoas podem juntar as letras e formar palavras, mas os sinais da Libras e das outras linguagens de sinais são infinitos. No estudo e na comunicação do dia a dia você vai aprendendo esses sinais e incorporando ao seu conhecimento. As linguagens de sinais não são estáticas, ao contrário, são muito vivas”, afirmou.
Emprego de tradutor

Dominar a Libras, assim como dominar um idioma, deve ser o máximo, mas, da mesma forma, cada país tem a sua linguagem própria como, por exemplo, a LGP (Língua Gestual Portuguesa), de Portugal; a SLN (Sign Language of Netherlands), da Noruega; a ASL (American Sign Language), dos Estados Unidos; a LSA (Lengua de Señas Argentina); a BSL (British Sign Language), do Reino Unido; a LSCH (Lengua de Señas Chilena); e a LSF (Langue dês Signes Française). Portanto, se for para o exterior e precisar se comunicar com um deficiente auditivo, nem adianta utilizar a Libras.
O aprendizado da Libras começa com o básico, passa pelo intermediário e chega ao intermediário quando a pessoa, inclusive, já pode almejar um emprego de tradutor e intérprete.
“O que ajuda bastante, também, o deficiente auditivo, é a linguagem labial. Como eles aprendem a ler e escrever normalmente, quando uma pessoa pronuncia corretamente uma palavra, eles conseguem entender o que falam”, esclareceu.
“Meu livro é indicado para qualquer pessoa. Trata-se de uma proposta pedagógica que visa gerar condições de acessibilidade e inclusão, para que estudantes das diversas escolas e das mais variadas séries, possam ter conhecimento em Libras”, falou.
“O trabalho é apresentado em datilologia (sinais feitos com os dedos) e em sinais com a tradução em português, material lúdico e ilustrado, com o alfabeto, os números, as estações do ano e os dias da semana”, concluiu.
Contatos com Fabiana através do Instagram @nucleodoreforço_am onde ela divulga as oficinas e os eventos pedagógicos que promove.
Informações: 9 9614-0373.
***







