A criação de consórcio ou SPE (sociedade de propósito específico) no sistema de transporte coletivo de Manaus, como está proposto pelo edital de licitação nº 001/2007, da Prefeitura Municipal de Manaus, foi criticada e denunciada por vereadores, na sexta-feira, dia 31, no Tribunal de Contas do Estado do Amazonas. Os parlamentares argumentam que o consórcio criará um monopólio, prejudicando o sistema de transporte. De acordo com afirmação do presidente do TCE, Júlio Cabral, o processo irá correr em regime de urgência, pois a licitação está prevista para o dia 24 de setembro.
A denúncia foi protocolizada pelos vereadores Marco Antônio Chico Preto (PMDB), Paulo De’Carli (PDT), Fabrício Lima (PSDB) e Jefferson Anjos (PV). O documento aponta vícios no edital, como a restrição à participação de concorrentes devido à criação de um consórcio ou sociedade, ofensa ao princípio da razoabilidade e prejuízo à continuidade do serviço público.
O TCE dá a qualquer cidadão conhecedor de irregularidades cometidas pelos gestores públicos o direito de formalizar uma denúncia. Chico Preto explicou ao presidente do TCE que a formação obrigatória de uma sociedade ou consórcio formado por no mínimo cinco e no máximo 12 empresas (nacionais ou estrangeiras), com capital social mínimo de R$ 34,5 milhões, é prejudicial porque restringe e exclui a participação de muitas empresas que estão fora do sistema atual. “Será criada apenas uma pessoa jurídica, se der qualquer problema, a prefeitura não terá condições ou alternativas para intervir”, acrescentou.
Para o vereador Paulo De’Carli, essa imposição do consórcio acabará tornando o sistema de transporte urbano refém de poucas empresas, favorecendo a permanência daquelas que já prestam serviço. “Além do aspecto da ilegalidade, a questão não é prática. É entregar a cidade a um verdadeiro caos, porque são as mesmas empresas hoje existentes que irão comandar o sistema”, alertou.
A tentativa de tentar esvaziar a discussão sobre o assunto, apesar de sua importância para o dia-a-dia da população, foi lembrada pelo vereador Fabrício Lima. “Tentamos fazer uma discussão na Câmara Municipal, mas a bancada do prefeito esvaziou a audiência, que não aconteceu por falta de quórum”, disse. O vereador refere-se à reunião requerida pela Comissão de Serviços Públicos, presidida por Chico Preto, que deveria ter acontecido na última terça-feira (28). O objetivo era discutir o parecer da Procuradoria Legislativa da Câmara Municipal de Manaus, considerando o consórcio um sério risco à continuidade do serviço.
O edital de licitação prevê que a concessão do serviço será dada a um ‘único lote de todas as linhas’ que compõem o Sistema de Transporte Coletivo Urbano de Passageiros. A prestação desse serviço, conforme o edital, compreende a mobilização, operação, conservação, limpeza, manutenção e reposição dos veículos, equipamentos, instalações e outros.
Licitação tem vícios, dizem vereadores
Em: 31 de agosto de 2007
A denúncia foi protocolizada pelos vereadores Marco Antônio Chico Preto (PMDB), Paulo De’Carli (PDT), Fabrício Lima (PSDB) e Jefferson Anjos (PV).
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Veja também

Ipsos-Ipec: 33% avaliam governo Lula como ótimo ou bom; ruim ou péssimo sobe a 43%
16 de setembro de 2026

BC reduz juros básicos para 13,75% ao ano
16 de setembro de 2026
Projeção de IPCA em 12 meses no 1º tri de 2028, segue em 3,2%, diz Copom
16 de setembro de 2026

TCU alerta governo sobre risco de superestimação com receita para compensar isenção do IR
16 de setembro de 2026

Petrobras tem maior margem de lucro entre grandes petroleiras mundiais
16 de setembro de 2026

Aposentadoria aos 60 é sonho de 59% dos brasileiros; um terço acha que não conseguirá
16 de setembro de 2026

Sancionada lei de incentivo à instalação de data centers
16 de setembro de 2026

Grammy Latino 2026: Anitta, Marina Sena e Ana Castela são artistas brasileiras indicadas
16 de setembro de 2026