A nomeação do ex-deputado federal Bosco Saraiva (Solidariedade) para o comando da Suframa ainda não havia sido confirmada pelo “Diário Oficial da União” nesta segunda (10), mas os preparativos para a troca de comando na Superintendência da Zona Franca de Manaus já estão em andamento. O PIM comemorou a efetivação do comando de uma das mais importantes da autarquia do país, após mais de quatro meses de interinidade. Considerou também que a escolha do ex-parlamentar traz musculatura política para o cargo, em um momento em que a ZFM se prepara para passar pelo teste de estresse da reforma Tributária.
A expectativa é que a nomeação seja efetivada até quinta (13). Embora o mais recente comunicado à imprensa divulgado pela Suframa se esquive do assunto, o superintendente interino da autarquia, Marcelo Pereira, já informou publicamente que o processo de transição está em curso. “Hoje, iniciei as conversas com [o deputado] Bosco Saraiva para uma transição tranquila na Suframa. Ele garantiu que irá trabalhar para a continuidade de nossa gestão, com fortalecimento político, melhoria no ambiente de negócios e valorização do corpo técnico da Suframa”, pontuou o dirigente, em postagem publicada em suas redes sociais, neste fim de semana.
A confirmação do nome do ex-parlamentar Bosco Saraiva, vai interromper o recente ciclo militar na Superintendência da Zona Franca de Manaus, após as passagens do coronel Alfredo Menezes (2019-2021) e o general Algacir Polsin (2021-2022), escolhidos a dedo pelo ex-presidente Jair Bolsonaro. Também será a primeira vez em que a autarquia retorna ao comando de um político desde a gestão da ex-deputada Rebecca Garcia (2015-2017).
Indicado pela bancada amazonense no Congresso, o novo superintendente integra o partido que assinou a ADI (Ação Direta de Inconstitucionalidade) contra os decretos de IPI, em nome dos parlamentares do Amazonas. Procurado pelo Jornal do Commercio, o ex-deputado federal Bosco Saraiva não respondeu às perguntas da reportagem até o encerramento desta matéria. A outro veículo de imprensa, o ex-deputado teria dito que aguarda a publicação de sua nomeação para anunciar suas primeiras ações à frente da Suframa. Há expectativas, no entanto, de que pelo menos o atual superintendente interino seja mantido na cúpula da gestão da autarquia –que é também um anseio de lideranças do PIM e especialistas ouvidos pela reportagem do Jornal do Commercio.
“Todos os lados”
O sociólogo, analista político e advogado, Carlos Santiago, avalia que a escolha de Bosco Saraiva se deve a sua “boa relação com todos os caciques políticos do Amazonas, tendo participado das administrações dos governos estaduais de Amazonino Mendes e do hoje senador Eduardo Braga (MDB), além de ter boas relações com o senador Omar Aziz (PSD) e o atual governador do Amazonas, Wilson Lima (União Brasil). Os diversos postos políticos que ocupou também ajudariam, a autarquia a atravessar a reforma Tributária, na qual os interesses da Zona Franca estarão em jogo
“Nesse país polarizado entre bolsonaristas e lulistas, Bosco Saraiva foi referendado pela bancada porque consegue estar em todos os lados do campo político. Não tem carimbo de direita, esquerda ou centro. A ZFM é um projeto não apenas do Amazonas, mas do Brasil. O Estado tem pouca força numérica no Congresso e, portanto, precisa de um superintendente com boa articulação junto aos governos estadual e municipal, classe empresarial, bancada amazonense e governadores da região Norte. E terá de contar com boa articulação com Brasília também. Certamente ele fará, como sempre fez, boas interlocuções”, asseverou.
Já o ex-presidente do Corecon-AM, consultor empresarial e professor universitário, Francisco de Assis Mourão Júnior, também considerou que o nome do ex-deputado foi uma boa escolha. “É um ex-deputado federal que já tem todo um trâmite no Congresso e tem o apoio da bancada do Amazonas. É primordial que o novo superintendente mantenha a mesma equipe técnica para montar uma base, que serviria na defesa da ZFM no âmbito da reforma Tributária. Este ano é crucial, pois teremos uma verdadeira guerra”, afiançou.
“Meandros de Brasília”
A indústria recebeu a notícia de forma positiva. O presidente da Fieam e vice-presidente executivo da CNI diz que a definição em relação ao nome efetivo para a Suframa é importante, assim como “pleno alinhamento” do escolhido com o governo federal. “Precisamos de uma autarquia bem estruturada e institucionalmente forte, para avançar com os pleitos de interesse da indústria amazonense. Nesse momento de encaminhamento da reforma Tributária, é oportuno que o indicado conheça os meandros de Brasília, de modo que possamos transitar e discutir o assunto sob os prismas político e técnico”, frisou.
Mais enfático, ao se basear na trajetória e experiência política do novo superintendente, o presidente da Aficam (Associação dos Fabricantes de Insumos e Componentes do Amazonas), Roberto Moreno, frisou que o deputado Bosco Saraiva é “um grande nome”. Diante disso, o dirigente diz ter certeza de que será mantido um “diálogo franco e aberto” para manter as vantagens comparativas da ZFM no “delicado momento” da reforma Tributária e das incertezas inerentes a ela.
“Ele já foi vereador, vice-governador, secretário estadual, e já teve outros comandos em cargos públicos. Com todos esses anos de carreira, como empresário, professor e escritor, contribuirá para passarmos pela reforma Tributária, defendendo o PIM, as empresas fornecedoras de componentes e toda a cadeia de suprimentos que envolve a ZFM. É um nome de destaque, nascido em Manaus e profundo conhecedor do Amazonas”, listou.
“Vetores de desenvolvimento”
O vice-presidente da Fieam e presidente do Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus, Nelson Azevedo, avalia que a nomeação reafirma o compromisso do governo federal com o projeto Zona Franca de Manaus. Ele acrescenta que o escolhido tem experiência e competência para gerir a autarquia, mas observa que o novo superintendente também precisará de “muita energia” para estabelecer os “vetores de desenvolvimento” da região.
Azevedo lembra que, entre os desafios a serem enfrentados está o de atrair investimentos, tanto para infraestrutura logística, quanto para programas de pesquisa e desenvolvimento que ajudem as empresas a se tornarem mais competitivas e inovadoras. O novo superintendente também deve atuar de forma proativa para promover a Zona Franca em eventos e feiras internacionais e atrair novos negócios a Manaus.
“É necessário também fomentar a capacitação e desenvolvimento de mão de obra. Por isso, a Suframa vai precisar investir e nortear programas para garantir que a região tenha trabalhadores qualificados disponíveis para as empresas. E por fim, há também a melhoria da governança: a autarquia deve resgatar a autonomia administrativa e financeira e ter uma gestão transparente e eficiente para garantir que os recursos sejam usados de forma adequada e para garantir a confiança dos investidores e empresas na ZFM”, concluiu.







