A nova política de preços da Petrobras, que prevê reajustes periódicos do preço dos combustíveis, preocupa as lideranças amazonenses. Empresários e economistas acreditam que a nova medida está gerando muitas incertezas e irá contribuir para um aumento ainda maior da inflação e prejudicar o desempenho industrial do Estado para 2014.
O presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Antonio Silva, informou que a entidade já solicitou uma reunião com alguns técnicos da Petrobras para buscar entender como funcionará a nova fórmula. “Está muito confuso. Ninguém sabe como ficará, pois não temos uma definição. A incerteza por si só já nos prejudica”, comenta. O empresário também ressalta que a situação tem preocupado a classe. “Preocupa muito, pois gera um efeito cascata. Prejudica os custos do transporte para indústria e prejudica o consumidor que tem mais gastos e consequentemente compra menos”.
Antonio Silva critica as atitudes tomadas pelo governo e ressalta que o crescimento esperado para 2014 pode não acontecer. “As políticas do governo deveriam estar focadas em segurar a alta do dólar, combater a inflação. A decisão da Petrobrás vai contra isso. A verdade é que a Petrobrás está quebrada. Tivemos um 2013 com um crescimento equivalente ao de 2012 e em 2014 deve permanecer no mesmo patamar se não forem tomadas medidas”.
A Petrobras se pronunciou ontem, através de um comunicado enviado a CVM (Comissão de Valores Imobiliários), garantindo que a aplicação dos reajustes não se dará de forma automática. “Quanto à aplicação dos reajustes, estes não serão automáticos, como consequência direta da fórmula de precificação. A metodologia estabelece bandas de reajuste, conferindo à Diretoria Executiva poder discricionário (independente) à luz da dinâmica dos mercados doméstico e internacional”. No entanto a nova fórmula para os ajustes não foi esclarecida. A Petrobrás afirmou apenas que a nova metodologia terá “parâmetros baseados em variáveis como preço de referência dos derivados no mercado internacional, taxa de câmbio e ponderação associada à origem do derivado vendido, se refinado no Brasil ou importado”.
O economista Jose Laredo explica que a medida irá contribuir para um aumento da inflação. A previsão do mercado financeiro no momento é que a inflação alcance no fim ano o patamar de 5,82%. “A inflação já está com números altos e essas medidas geraram um crescimento. O envolvimento é global para economia. Tudo que vem a gerar aumento de preço em combustíveis implica em análises mais cuidadosas por parte da economia e crescimento da inflação”. Laredo também critica as incertezas geradas pela forma com que a situação está sendo conduzida. “A incerteza provoca também outros impactos. Muitos negócios que estão se formando, poderão ser reavaliados se o custo do transporte ficar mais elevado.
O presidente do Sinmen (Sindicato das Indústrias Metalúrgicas, Mecânicas e de Material Elétrico de Manaus), Athayde Félix, considera a medida adotada pela Petrobrás como “péssima”. “Estamos no sufoco há muito tempo. A margem de lucro das empresas está muito abaixo da margem de lucro dos bancos, por exemplo. A balança está pesando muito contra a gente. Incluindo aí todas as atividades: comércio, indústria, agricultura e serviços. Isso tem feito com que fiquemos em uma situação de desespero. Por que você não pode aumentar os preços enquanto os entes governamentais aumentam ao seu bel prazer”, lamenta. Félix lembra que os combustíveis são utilizados não só nos transportes, mas também na produção das indústrias. “É um efeito dominó. Se a Petrobrás instituir valores que não obedeçam ao patamar da inflação a balança ficará contra todos nós que somos elementos da sociedade”.
Lideranças criticam medidas
Em: 5 de dezembro de 2013
Presidente da Fieam pretende se reunir com técnicos da Petrobras para esclarecer dúvidas
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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