As preocupações com a política cambial da China ficaram ausentes dos comunicados públicos que os líderes mundiais divulgaram depois das reuniões realizadas no fim de semana em Washington, nos Estados Unidos. No entanto, autoridades de vários países usaram o fórum para incitar a China a valorizar sua moeda, o yuan – um movimento que analistas veem como cada vez mais provável antes do fim deste trimestre.
Ao expressar o receio de que um yuan subvalorizado possa criar distorções no comércio mundial e nos fluxos financeiros, autoridades optaram por uma linguagem diplomaticamente educada. Alguns observadores da China dizem que essas sutis expressões de preocupação provavelmente serão mais produtivas do que as duras palavras relacionadas a sanções contra Pequim, como as do senador democrata dos EUA Charles Schumer.
Autoridades chinesas têm falado repetidamente que não vão se curvar à pressão estrangeira para valorizar o yuan. Na sexta-feira, o secretário do Tesouro dos EUA, Timothy Geithner, parecia ter isso em mente quando, após uma reunião ministerial, afirmou que a reforma cambial é “uma escolha da China” e que ele acredita que “isso será decidido segundo os interesses deles”.
Posteriormente, em uma apresentação ao conselho supervisor do FMI (Fundo Monetário Internacional), Geithner pediu que as maiores economias em desenvolvimento “voltem a taxas de câmbio orientadas pelo mercado, onde for apropriado”, mas não citou a China.
Olli Rehn, comissário da União Europeia para relações econômicas e monetárias, foi um pouco mais objetivo. Diante do mesmo comitê, Rehn disse que “as autoridades chinesas estão encorajadas a implementar em breve um regime de taxa de câmbio mais flexível”, um movimento que “contribuiria para a estabilidade ao reduzir os desequilíbrios em conta corrente”.
Acredita-se que autoridades do Banco do Povo da China (PBOC, o banco central do país) sejam favoráveis a deixar o yuan subir diante do dólar porque isso complementaria outras medidas de aperto monetário que pretendem aliviar as pressões inflacionárias e limitar as bolhas no forte mercado imobiliário do país. No entanto, analistas observam que esse movimento enfrenta desafios políticos internos e técnicos.
Líderes mundiais de finanças incitam China a valorizar yuan
Em: 27 de abril de 2010
As preocupações com a política cambial da China ficaram ausentes dos comunicados públicos que os líderes mundiais divulgaram depois das reuniões realizadas no fim de semana em Washington, nos Estados Unidos
Redação
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