A política, e os políticos, existem desde a Grécia Antiga e chegaram aos nossos dias passando por diversas modificações. Amados e odiados, alguns nomes desse meio se perpetuam, outros, caem no esquecimento.
Quem quiser saber um pouco mais sobre alguns dos nomes que marcaram seus nomes na história política da Amazônia, pode ler ‘Trajetórias políticas na Amazônia republicana’, dos professores do Departamento de História da Ufam, Cesar Augusto Bubolz Queirós e Auxiliomar Silva Ugarte, que será lançado hoje, às 19h, no Palacete Provincial, localizado na praça Heliodoro Balbi (praça da Polícia).
“A proposta de organização de um livro que reunisse as trajetórias das principais lideranças políticas da Amazônia surgiu quando eu e o professor Auxiliomar Ugarte fomos ministrar conferências em um evento organizado pelo Programa de Pós-Graduação em História da Universidade Federal do Pará, em 2015. Na ocasião, eu ministrei uma palestra sobre Plínio Ramos Coelho e ele proferiu uma palestra sobre Arthur Cezar Ferreira Reis”, lembrou Cesar Augusto.
“A partir daí, surgiu a ideia de organizarmos uma obra que pudesse reunir as principais lideranças políticas da Amazônia. O próximo passo foi selecionar os nomes dos biografados e dos pesquisadores que tivessem proximidade com a área e o perfil para realizar esse trabalho. O livro reúne 14 personagens que possuem uma importância muito significativa na história da região e conseguiu o êxito de representar todos os sete estados da região Norte”, completou.
Mulheres que se destacam
“Os ‘novos olhares’ conseguiram ver não apenas os emblemáticos governadores ou senadores atuando em seus gabinetes ou parlamentos; viram também, religiosos graduados saindo das suas zonas de conforto para atuarem em situações totalmente adversas e, gentes comuns, quem as necessidades e a dureza das realidades locais as transformaram em lideranças políticas rurais”, escreveu o prof. dr. Francisco Jorge dos Santos, da Ufam.
Francisco Jorge se refere, especificamente, às duas únicas mulheres que constam no livro. Raimunda Gomes e Valdiza Alencar nunca exerceram um cargo político, mas eram políticas por natureza.
“As suas biografias destacam a atuação dessas duas mulheres nos movimentos sociais e colocam em evidência a necessidade de se dar cada vez mais visibilidade a esse protagonismo conquistado cotidianamente. Raimunda Gomes da Silva foi uma das grandes lideranças na luta em defesa dos povos tradicionais e pela preservação das florestas. Foi uma quebradeira de cocos que recebeu título de Doutora Honoris Causa, pela UFT (Universidade Federal de Tocantins)”, acrescentou.
“Como ela mesma disse, ‘uma doutora sem dinheiro, mas com coragem e força de vontade de ver o mundo melhor’. Infelizmente, dona Raimunda morreu em novembro de 2018, enquanto editávamos o livro, o que levou a autora do capítulo, Marina Herzog, a retomar o texto e acrescentar a informação sobre seu falecimento”, esclareceu Cesar Augusto.
“A pesquisa documental em jornais, mensagens, documentos, relatórios e outras fontes foi exaustiva. Alguns pesquisadores puderam recorrer à história oral, realizando entrevistas com seus biografados. Destaco o capítulo sobre Aurélio do Carmo, governador do Pará deposto pelo golpe de 1964, que, aos 98 anos, concedeu uma entrevista que foi utilizada no texto que analisou sua trajetória”, contou Cesar.
Os nomes do Amazonas
Do Amazonas, o estado com mais nomes entre os 14 listados pelos dois professores, governadores, e um senador, que nunca são esquecidos: Eduardo Ribeiro, até hoje lembrado pelas inúmeras obras construídas durante seu governo no fim do século 19; Álvaro Maia, o governador que mais tempo exerceu o cargo no Amazonas (1930/1933, 1935/1945, 1951/1955) e morreu como senador, em 1969; Plínio Coelho, entre as décadas de 1950 e 60, considerado um excelente administrador; Gilberto Mestrinho, o governador de antes dos militares no poder, em 1964, (de 1959 a 1963) e do retorno à democracia, (de 1983 a 1987 e de 1991 a 1995); Arthur Reis, o primeiro dos cinco governadores indicados pelos militares, pós 1964; e o senador Fábio Lucena, intelectual e carismático político nascido em Barcelos e que se suicidou, enquanto senador.
“Toda seleção é, por natureza, arbitrária. Temos a convicção de que muitas outras personagens mereceriam a atenção de um estudo sério e sistemático como o que nos propusemos nesta obra. No entanto, temos a certeza de que uma iniciativa como esta representa uma importante contribuição à historiografia da região e pode vir a estimular outros pesquisadores e pesquisadoras a se debruçarem sobre outras biografias”, concluiu Cesar.
Serviço
O que: Lançamento do livro ‘Trajetórias Políticas na Amazônia republicana’
Onde: Palacete Provincial, praça Heliodoro Balbi (praça da Polícia)
Quando: Dia 28, terça-feira, às 19h
Informações: 9 9613-1113






