Segundo o Banco Central, somente no ano passado a China investiu quase US$ 19 bilhões no Brasil, contra US$ 9 milhões investidos pelo Brasil naquele país. Os números sobre a exportação no PIM (Polo Industrial de Manaus) demonstram que o dragão é seu principal fornecedor, com um aumento de 34,7% nas vendas para as indústrias do Amazonas (relacionado a janeiro de 2010). Os chineses embolsaram nada menos que US$ 279.4 milhões somente em janeiro de 2011, US$ 72 milhões a mais que o volume em janeiro do ano passado (US$ 207.4 milhões), segundo o Mdic (Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio).
Os valores da exportação ilustram uma realidade vivida em vários setores da economia. A alta competitividade e capacidade econômica de investimento das empresas chinesas, a colocação atual daquele país como a segunda maior economia mundial e os números da exportação, apresentam a dependência aos insumos chineses pelas empresas instaladas no PIM. A estratégia agressiva traz receio e coloca aquele país como um monstro a ser combatido. Até o ano passado, sete indústrias de origem chinesa estavam instaladas no PIM e somavam investimento total de US$ 250 milhões.
Especialistas em economia começam a desmistificar o temor e opinar que a China, com toda a sua “agressividade”, pode ser encarada como parceira para gerar lucro para indústrias brasileiras e, em especial, amazonenses. Uma afirmação do diretor de pesquisa e um dos fundadores da consultoria inglesa Trusted Sources, Jonathan Fenby, ilustra o fato: “a China deve ser vista como uma oportunidade e não como uma ameaça para o Brasil”.
“Colocar barreiras”
O economista da Fieam (Federação das Indústrias do Estado do Amazonas), Gilmar Couto, é mais contundente: “não podemos nos amedrontar toda vez que um país começar a crescer em sua economia. Se a China diminuiu o valor do produto final temos que colocar barreiras? Não podemos fazer isso, pois farão conosco”, alertou.
Para Couto, é necessário adequar políticas industriais em relação à competitividade asiática, pois os mecanismos utilizados para garantir o modelo Zona Franca são válidos e seguros, mas a indústria deve se preparar melhor para resolver alguns gargalos. “Temos vários mecanismos fiscais e legais que regulam o
Polo, o processo produtivo, as cotas de importação. Já passou a época da maquiagem da Zona Franca de Manaus, qualquer pessoa que visitar o PIM vai ver que nós realmente produzimos”, analisou. Segundo ele, a competitividade é prejudicada pela fragilidade da infraestrutura logística, pelo deficiente sistema portuário e aéreo. Para o economista, importação e exportação estão necessitando de apoio logístico eficiente. “Hoje, temos a demora na liberação dos insumos e na internação dos produtos, tanto para o mercado nacional quanto externo”, lembrou.
Outra deficiência encontrada pelas indústrias do Estado são os períodos e horários de atendimento dos órgãos públicos, que também dificultam a competitividade. “Se a produção fica pronta em uma sexta-feira, precisa ser armazenada até o próximo dia útil, pois as empresas não podem embarcar produtos finalizados no sábado ou domingo e o mesmo ocorre com as importações. Em países desenvolvidos isso não acontece”, lamentou.
País asiático traz oportunidades, garante consultor chinês
De acordo com Gilmar Couto, de uma forma geral, não há eficiência com relação à produção industrial e os serviços básicos que atendem a logística de transporte de mercadoria. E isso é muito sentido pelo PIM, mesmo com os incentivos fiscais criados para compensar as adversidades. “Por estarmos ilhados, só temos via fluvial e aérea. Os governos deveriam dar prioridade a isso, não temos sincronização da atividade do PIM com os serviços públicos necessários para atuarmos com competitividade”, desabafou.
Economia complementar
O consultor chinês, Paul Liu, responsável pelo relacionamento entre empresas chinesas e brasileiras diz que a economia brasileira não deve temer o crescimento chinês. “A economia brasileira é ainda pequena para a escala mundial, porém está crescente. O Brasil é um país que faz parte do Bric e é complementar com a economia chinesa. Devemos saber aproveitar as oportunidades”, avaliou. Com relação ao temor da competitividade do PIM ele afirma que “as indústrias chinesas têm escala, competitividade e inovações tecnológicas e que o PIM deve buscar fórmulas de associar ou tirar proveito da situação, mas nunca fechar portas diante de uma realidade”.
A possibilidade de parceria, na opinião do consultor, é a melhor opção para as empresas locais, que devem se concentrar em conhecer melhor as organizações chinesas em busca de parcerias. “De um lado, temos o mercado Brasil e America Latina em crescimento, do outro, as empresas chinesas querendo mercados novos e em expansão”, explicou. De acordo com Liu uma das grandes vantagens da parceria para as indústrias locais é a capitalização e desejo de investir das empresas chinesas. O consultor explica que a marca brasileira é a Amazônia. “Falar de Amazonas, hoje, é a bola da vez. Temos de aproveitar esta posição estratégica e associar com a China, que busca espaços”, frisou.
O consultor, que também tem escritório em Pequim, trabalha em viagens constantes ao país natal para avaliar, captar e mediar negociações com indústrias e investidores para o Brasil e afirma que há muitas empresas chinesas interessadas no Brasil, em especial no Amazonas. “Para isso, temos de unir governantes e empresários para um amplo trabalho de promoção do PIM na China”, finalizou.






