Os comerciantes do Centro da Manaus protestaram silenciosamente, na manhã de ontem, 19, contra a onda de assaltos que está virando rotina, segundo o relato dos empresários. Alguns pontos comerciais mantiveram-se fechados até as 11h, apesar do fluxo intenso de pessoas na maior parte das ruas daquela área da cidade. A maioria das lojas da rua Marechal Deodoro, por exemplo, aderiu a forma de manifestação que deixou alguns clientes atônitos na entrada das lojas.
A aposentada Cristina Silva, 66, moradora da Cidade Nova 2, zona norte, disse que saiu cedo de sua residência para trocar um produto na loja Kamabrás, na rua Marechal Deodoro, e não soube o que fazer quando encontrou o local fechado. “Eu sai de casa cedo e quando cheguei aqui encontrei tudo fechado e não tem nenhum aviso ou funcionário para explicar o que houve, agora terei que voltar outro dia”, revoltou-se Cristina.
Segundo o gerente da loja Show dos Calçados, Valdenor Pantoja, ao lado da empresa Kamabrás, a onda de assaltos é constante. “Todos os meses eu perco cerca de 40 pares de calçados que são levados de dentro da loja por assaltantes disfarçados de clientes”, relatou. O gerente afirmou também que quase todos os casos envolvem mulheres portando bolsas grandes, de boa aparência e bem vestidas, para não causarem suspeitas nos dois seguranças da loja.
“Nós até já desistimos de fazer B.O. (Boletim de Ocorrência) porque no dia seguinte o indivíduo está solto”, explicou Pantoja. Ele contou que em um dos casos, o assaltante ameaçou de morte um dos seguranças do estabelecimento. “O bandido foi até a casa do segurança e disse que não precisava chamar a polícia de novo, pois ele só ficaria preso por um dia e caso o segurança chamasse os policiais, o bandido estaria esperando ele chegar do trabalho em casa no outro dia”, contou.
O presidente da ACA (Associação Comercial do Amazonas), Gaitano Antonaccio, espera superar essas e outras dificuldades encontradas no Centro de Manaus, a partir da reunião marcada para hoje, na sede da instituição, na rua Guilherme Moreira, 281, Centro.
“Na pauta da reunião teremos como ponto prioritário a segurança dos lojistas que sofrem com assaltos diários, seja por meliantes que levam o dinheiro do caixa ou clientes que extraviam produtos em bolsas ou no meio das próprias roupas”, disse Antonaccio.
De acordo com a empresa 3D Alarme, especializada em segurança patrimonial, o custo médio para instalar uma câmara de segurança para filmar 24h por dia na entrada de uma loja, por exemplo, é de R$ 1,5 mil. O preço inclui instalação, câmera, monitor e fiação elétrica. Além disso é necessário fazer a manutenção mensal de R$ 120.
A gerência de estatística da secretaria-executiva de inteligência da SSP (Secretária de Segurança Pública) informou que em 2008 foram registradas 1.461 ocorrências no Centro da cidade, entre roubos e assaltos. Os números do ano passado computaram a diminuição de 10 casos, redução de 0,68%.
A equipe de reportagem do Jornal do Commercio tentou conversar com outros comerciantes, mas não obteve sucesso. Quando os lojistas ouviam que o assunto da entrevista seria a onda de assaltos, logo diziam que “isso acontece em todo lugar”, que estavam muito ocupados e pediam para voltar outro dia.
O resultado inicial da reunião da ACA será divulgado em forma de relatório, duas semanas depois do evento. Nele constarão as propostas para revitalizar a principal área de comércio da capital amazonense, visando não somente melhorar a situação atual, mas preparar a cidade para receber os turistas durante os jogos da Copa do Mundo de 2014, como adiantou o presidente da associação.
Lojistas fecham para reivindicar segurança
Em: 20 de janeiro de 2010
Os comerciantes do Centro da Manaus protestaram silenciosamente, na manhã de ontem, 19, contra a onda de assaltos que está virando rotina, segundo o relato dos empresários
Redação
Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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