Luiz Inácio abandonou Sarney para se preservar

Em: 2 de agosto de 2009
A oposição reagiu na sexta-feira à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise no Senado não é um problema seu
A oposição reagiu na sexta-feira à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise no Senado não é um problema seu

A oposição reagiu na sexta-feira à declaração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de que a crise no Senado não é um problema seu. Líderes oposicionistas afirmaram que Lula, ao recuar na defesa do presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), agiu politicamente para evitar colar sua imagem ao peemedebista em ano pré-eleitoral.
“É do estilo dele. Resolveu ficar com a sua popularidade e largou o homem ao mar. Agora o Sarney está com a tropa de choque que absolveu o senador Renan Calheiros (ex-presidente do Senado)”, disse o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM).
O líder do DEM, senador José Agripino Maia (RN), disse que Lula tem como característica “abandonar” seus aliados quando percebe que estão perto de “naufragar” em crises políticas. “Isso parece a cena de um quadro daquele programa de TV ‘Acredite se quiser’. Depois da solidariedade que ele deu ao Sarney, ele fala isso agora? O Lula tem um sentido de autopreservação”, disse.
Na opinião do democrata, Lula já “abandonou” ex-companheiros como Antônio Palocci (ex-ministro da Fazenda) e Waldomiro Diniz (ex-assessor da Casa Civil) -e agora faz o mesmo com Sarney. “Na hora em que essas pessoas passaram a prejudicá-lo, ele as defenestrou”, disse Agripino.
Para o senador Álvaro Dias (PR), vice-líder do PSDB, Lula agiu com vistas às eleições de 2010 para mudar o discurso sobre Sarney. “O presidente Lula, orientado por pesquisas de opinião pública, recua e diz que crise é problema do Senado. Ele interferiu indevidamente, agora cede”, disse.

Defesa anterior

Antes de afirmar que não tem qualquer relação com a crise, Lula havia declarado apoio ao presidente do Senado. O mi-nistro José Múcio (Relações Institucionais) chegou a desautorizar o líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), que, em nome da bancada do partido, cobrou o afastamento temporário de Sarney.
Múcio disse que a nota emitida por Mercadante não emitia o pensamento de todos os senadores petistas. O presidente também afirmou, no início de junho, que Sarney “tem história no Brasil suficiente para que não seja tratado como se fosse uma pessoa comum”.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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