O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na terça-feira que ainda não tomou nenhuma decisão sobre a compra da Nossa Caixa pelo Banco do Brasil. O presidente disse, no entanto, que o governo quer que o Banco do Brasil volte a ser o maior banco do país, posto que ele perdeu com a fusão do Itaú com o Unibanco.
“O Banco do Brasil era o principal banco do Brasil e com a fusão do Itaú e do Unibanco passou a ser o segundo. Nós queremos que o Banco do Brasil seja muito maior do que qualquer outro banco no Brasil”, disse Lula, após participar de almoço em homenagem ao presidente da Indonésia, Susilo Banbang Yudoyono.
Lula reúne ainda com o ministro Guido Mantega (Fazenda), mas disse que não tomaria nenhuma decisão ontem.
“Sei do interesse do Banco do Brasil, sei do interesse do governo do estado de São Paulo, sei do interesse do ministro Guido Mantega. Vamos fazer uma avaliação, se é importante, se não é importante, o que ganha e o que perde com isso”, afirmou o presidente Luiz Inácio.
Na reunião com o ministro Mantega, o presidente discutirá ainda a disponibilidade de crédito no mercado, que foi afetada pela crise econômica. Segundo o presidente, ainda existe um problema causado principalmente pelo medo das pessoas em perder seus empregos.
“Na medida em que a gente fala todo dia de crise, as pessoas que estão trabalhando vão ficando com medo de perder o emprego. As pessoas não fazem compra e o que pode acontecer é o desemprego que ele tanto tem medo”, completou.
Lula disse ainda que é preciso tomar cuidado para não incentivar pessoas endividadas a fazer novas dívidas mas que é uma boa hora para quem não está endividado aproveitar as oportunidades.
“Essa é a hora das pessoas aprenderem a fazer bons negócios, a comprar o carro mais barato, a televisão mais barata. Sempre com o cuidado de que nenhum ser humano pode gastar mais do que aquilo que ele ganha”, afirmou.
Lima Neto nega pressão
O presidente do Banco do Brasil, Lima Neto, afirmou que “não é uma questão de honra” a instituição voltar à liderança do mercado bancário brasileiro, perdida após a fusão Itaú-Unibanco. Ele ressalta, no entanto, que o BB tem de ser grande e ter a mesma ordem de grandeza dos seus concorrentes, considerando assim a possibilidade de mais aquisições.
Em relação às negociações para a compra da Nossa Caixa, Lima Neto disse que ainda não estão concluídas e que um desfecho deve ser divulgado oportunamente. “Como continuamos o processo de negociação, não podemos nos comprometer com prazos (para a finalização)”, afirmou Neto, que admitiu que o BB quer crescer em São Paulo e que uma aquisição facilitaria o processo.
O presidente do banco Nossa Caixa, Milton Luiz de Melo Santos, afirmou que as negociações com o Banco do Brasil prosseguem e que a expectativa é que a venda seja “concluída o mais breve possível”. Lima Neto descartou que exista algum tipo de pressão do governo federal para que se concretizem novas aquisições pelo BB.







