No momento em que se negocia a aprovação de um pacote tributário para compensar parte da perda da arrecadação perdida com o fim da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva usou a reunião ministerial de ontem para cobrar da sua equipe uma melhor relação entre o governo e o Congresso. De forma direta, ele disse que é fundamental que os ministros articulem suas ações com os partidos políticos.
O presidente cobrou ainda um melhor diálogo dos ministros na divulgação das ações de governo. “Quero fazer um debate político em que eu quero ouvir o que as pessoas têm a dizer. Afinal de contas, aqui tem representantes de vários partidos políticos, nós somos de um partido político, estamos no governo e nós precisamos saber combinar essa nossa atuação na relação com todos os outros ministros, porque nós tempos três anos de governo pela frente”, afirmou o presidente no início da reunião ministerial.
A reunião ocorre no Palácio do Planalto com a presença de todos os ministros e dos líderes do governo na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS), e no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR).
O vice-presidente José Alencar também participa do encontro -ele teria viajado de São Paulo, onde se submete a sessões de quimioterapia, para participar da reunião em Brasília.
O presidente ressaltou que a reunião, que deverá durar até o final da tarde, terá uma caráter essencialmente político.
A parte econômica ficou limitada ao início da reunião, em que o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, explicou aos ministros presentes a crise desencadeada pelos créditos “subprime” (créditos de alto risco) nos EUA.
O presidente Luiz Inácio cobrou dos presentes mais diálogo e empenho político. Na avaliação dele, há falhas na comunicação entre os diversos ministérios. Em tom de repreensão, ele chamou a atenção dos ministros presentes.
“Penso que entre vocês existe pouca conversa política. Eu diria, há quase meses e meses que vocês não conversam entre si, que não trocam idéia. Certamente as pessoas conhecem menos do que deveriam conhecer das coisas que o governo faz, porque o sistema de informação e comunicação entre nós talvez não seja o mais perfeito, ainda”, cobrou o presidente.
Durante a reunião, ocupando a cabeceira da mesa do Salão Oval, o presidente comparou o encontro com os ministro com a última celebração de Jesus Cristo e seus discípulos.
Presidente entrega cartilhas
“Eu fico imaginando que muitas vezes nós ficamos cinco anos juntos, sentados a esta mesa aqui. Parece a Santa Ceia: todo mundo amigo. Mas depois passamos um ano sem conversar entre nós”, disse o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o encontro-reunião com os ministros.
Determinado a afinar o discurso entre os integrantes do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva distribuiu cartilhas -com dados sobre as principais ações do Executivo- na primeira reunião ministerial do ano. Interlocutores contaram que enquanto o material era entregue, Lula pedia uma dose de sacrifício aos ministros no que se refere aos cortes orçamentários que podem atingir R$ 20 bilhões em 2008.
As cartilhas foram distribuídas por Clara Ant, assessora especial da Presidência. Além do vice-presidente José Alencar, estão presentes à reunião 37 ministros e os líderes do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), e na Câmara, Henrique Fontana (PT-RS).
Segundo colaboradores do governo, a cartilha e os dados nela contidos poderão ser usados como material nas eleições municipais.
A reunião ministerial foi dividida em duas etapas antes de um intervalo realizado na hora do almoço. Na primeira fase, o presidente fez uma abertura, ressaltando a importância de intensificar o diálogo do governo e cobrando mais empenho dos ministros.
Depois, foi a vez de o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, fazer uma exposição sobre a crise imobiliária nos Estados Unidos. Em seguida, o ministro José Múcio (Relações In







