Lula ataca “pequenez política” no país e pede união dos opositores

Em: 7 de novembro de 2007
O presidente Lula disse que é preciso acabar com a pe-quenez política no país. Ao lado de Aécio Neves falou que rivais na política não precisam ser inimigos
O presidente Lula disse que é preciso acabar com a pe-quenez política no país. Ao lado de Aécio Neves falou que rivais na política não precisam ser inimigos

“Fazemos parte de uma geração que poderia dar novo exemplo à política brasileira. Essa pequenez política tem que acabar nesse Brasil a bem do país”, disse durante inauguração de um centro de especialidades médicas em Belo Horizonte (MG).

Lula deu como exemplo a relação entre jogadores de futebol. “Penso que futebol pode nos ensinar algumas coisas. Quando tem um jogo no Mineirão entre o Atlético e o Cruzeiro, os jogadores do Atlético vão com brutalidade para cima do Cruzeiro e vice-versa. Não pensem que eles passam o resto da vida um com ódio do outro.

Possivelmente na mesma noite estejam jantando juntos, fazendo atividades. A política poderia ter esse ensinamento para as coisas serem facilitadas”.

O presidente disse que, infelizmente, na política não é isso que ocorre. “O fato de uma pessoa ‘A’ disputar eleição com ‘B’ não determina que serão inimigos para o resto da vida. Está determinado que se forem civilizados, o ganhador vai governar. O perdedor sabe que o outro vai governar quatro anos e que é preciso estabelecer uma política de convivência levando em conta benefício que se quer para o povo da cidade, do Estado ou do país. A política não é assim porque se semeia ódio, se semeia a mentira”.
Lula alfinetou ainda os parlamentares de oposição -que resistem em aprovar a PEC (proposta de emenda constitucional) que prorroga a cobrança da CPMF até 2011. A PEC está tramitando no Senado. Os senadores do DEM e PSDB ameaçam votar contra.

“Quando somos deputados pensamos de um jeito. Quando viramos governadores, presidentes ou prefeitos, a gente pensa que nem sempre o jeito que a gente pensava é o correto para administrar. E quem foi pro Executivo e volta para o Legislativo não tem direito de cometer os mesmos erros”.

Lula defendeu que a regulamentação da emenda 29 -que destina recursos para a saúde- seja alterada no Senado para que Estados e municípios tenham o mesmo prazo dado à União para adequar os investimentos obrigatórios no setor.

Planalto trabalha por prorrogação

Um dia depois de ouvir a recusa do PSDB, o governo decidiu que somente um “corpo-a-corpo” intenso no Senado conseguirá reverter o cenário desfavorável para aprovar a prorrogação da CPMF (o imposto do cheque).

Em cerimônia no Palácio do Planalto, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, disse que o governo conseguirá prorrogar o imposto e que os “percalços” nas negociações são “absolutamente normais”. Insistiu, ainda, que o PSDB não fechou questão. “Vamos conseguir aprovar com diálogo, com corpo-a-corpo, conversando com todos os senadores”, disse. Sobre a resistência dos tucanos, ironizou: “Deve ter havido algum “tilt’ ali que desagradou”. A ordem dos governistas, a partir de agora, é buscar “votos no varejo”, inclusive os supostos quatro senadores do PSDB.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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