Lula descarta participar das eleições para evitar mal-estar com aliados

Em: 24 de julho de 2008
“Os que ganham acham que o mérito é deles, e os que perdem depositam nas minhas costas a derrota, porque eu não fui ou porque fui apoiar o outro candidato”, disse Lula.
"Os que ganham acham que o mérito é deles, e os que perdem depositam nas minhas costas a derrota, porque eu não fui ou porque fui apoiar o outro candidato", disse Lula.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse na quarta-feira que vai evitar “ao máximo possível” participar das eleições municipais para que os derrotados não o acusem no futuro. Ele afirmou ter dificuldade de fazer campanha porque tem “muitos aliados” em todos o país.
A idéia do presidente é manter uma intensa agenda de viagem até as vésperas das eleições de outubro. “Vou evitar ao máximo possível participar das eleições municipais, vou tentar fazer minhas viagens dentro do Brasil e fora. Vou deixar as eleições para os partidos e para os candidatos”, disse.
Lula reconheceu que uma das dificuldades para subir em palanques é que tem vários aliados que disputam entre si nos mesmos locais. Para evitar o mal-estar na base de apoio do governo, o presidente vai se empenhar para escapar das campanhas.
“Afinal de contas, eu tenho muitos aliados disputando as eleições. O resultado é sempre assim: os que ganham acham que o mérito é deles, e os que perdem depositam nas minhas costas a derrota, porque eu não fui ou porque fui apoiar o outro candidato”.
Na terça-feira, o presidente liberou a participação dos ministros em todas as campanhas municipais. No entanto, proibiu a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) em palanques fora do Rio Grande do Sul, assim como vetou também a participação do ministro José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) em campanhas fora de Pernambuco. Segundo interlocutores, Lula tomou essa decisão porque considera os dois ministros os principais articuladores políticos de seu governo.

Dilma e Múcio excluídos

Luiz Inácio autorizou na terça-feira que todos os ministros façam campanhas eleitorais para seus candidatos em quaisquer municípios do país. Mas definiu duas exceções justamente nos dois, que foram excluídos da regra geral porque Lula os considera a imagem política do governo, o que poderia provocar choque na disputa que envolve os candidatos da base aliada.
Dilma fará campanha em Porto Alegre (RS) para a candidata Maria do Rosário (PT), enquanto Múcio tem optado por fazer campanha no interior de Pernambuco, evitando a capital do Estado -Recife. Na prática, a autorização libera ministros e secretários especiais para que participem das campanhas independentemente dos Estados. A liberação para que os auxiliares diretos do presidente pudessem subir em palanques dividia opiniões no governo federal. Para Múcio, a autorização causaria transtornos, pois ele é o responsável pela articulação política do governo federal com o Congresso.
O assunto foi tratado durante a reunião de coordenação política, conduzida pelo presidente durante a manhã. Estiveram presentes à reunião, no Palácio do Planalto, os ministros Tarso Genro (Justiça), Múcio, Dilma, Paulo Bernardo (Planejamento), Guido Mantega (Fazenda) e Luiz Dulci (Secretaria Geral). O ministro Franklin Martins (Comunicação Social) não compareceu à reunião porque está de férias.
Já o presidente reiterou que, no primeiro turno, ele só pretende subir em palanques nos quais aliados do governo federal não concorrem às eleições.
Segundo aliados, Lula pretende fazer campanha em São Paulo, pois teria se comprometido com a candidata do PT à prefeitura, Marta Suplicy. O governador da Bahia, Jaques Wagner (PT), sinalizou que Lula terá dificuldades em aguardar o momento em que candidatos da base não estejam disputando as eleições. “Eu não sei a decisão que ele vai tomar, quando há mais de um na base aliada, o presidente tem se mantido afastado. Mas a decisão pertence a ele”, disse ele.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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