Lula incentiva criação de CPI do Cachoeira

Em: 12 de abril de 2012

Sem resistência do governo, e com incentivo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao PT, os presidentes do Senado e da Câmara anunciaram a criação de uma CPI para investigar a ligação de autoridades com o empresário Carlos Cachoeira, acusado de exploração de jogo ilegal.
Ontem, José Sarney (PMDB-AP) e Marco Maia (PT-RS) disseram que vão viabilizar a CPI até o fim desta semana. “Fechamos o entendimento de que o melhor é uma CPI mista”, afirmou Maia. O PT decidiu apostar no desgaste para a oposição.
Um dos mais destacados críticos do governo antes do escândalo, o senador Demóstenes Torres (sem partido-GO) que desde ontem responde a processo no Conselho de Ética e corre o risco de ser cassado por suas ligações com Cachoeira. Segundo gravações, ele usava seu mandato para defender interesses do empresário, que está preso.
Investigações da Polícia Federal também revelaram grande influência de Cachoeira no governo de Marconi Perillo (PSDB) em Goiás. A estratégia do governo, porém, é considerada arriscada até por aliados. Motivo: as investigações atingem petistas, caso do deputado Rubens Otoni (GO). Ontem, o chefe de gabinete do governador Agnelo Queiroz (PT-DF), também sob investigação da PF, deixou o cargo.
Além disso, nesta semana veio à tona a ligação de funcionário do Palácio do Planalto com o grupo de Cachoeira.
Em um primeiro momento, o PT no Senado hesitou a endossar uma CPI. Mudou de ideia ao receber um recado de que Lula havia recomendado apoio à investigação. “A princípio, Lula é a favor que haja CPI. O que ouvi ele dizer é que está com os poucos cabelos que tem em pé com tudo que há sobre o caso. Se for verdade o que a imprensa está dizendo, Marconi entregou o Estado para Cachoeira”, disse à Folha Paulo Okamoto, um dos principais assessores de Lula.
Petistas avaliam que uma CPI pode “rivalizar” na mídia com o julgamento do mensalão, previsto para este ano. Apesar dos gestos públicos a favor da CPI, a Folha apurou com congressistas que a cúpula de grandes partidos, como PMDB e PSDB, teme o potencial estrago do caso. Nem mesmo no PT há consenso sobre a investigação.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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