Luz solar ganha importância

Em: 23 de agosto de 2023

O apagão destaca a urgência de explorar alternativas de energias renováveis como a energia solar com armazenamento, que surge como uma solução viável para esse cenário, evitando futuros apagões e promovendo a emissão sustentável da energia.

Em tempos de apagão, a energia solar tem se apresentado mais acessível aos consumidores. Apenas no último trimestre, a energia solar teve queda de 10% no preço médio por potência no Brasil, registrando o valor de R$/Wp 3,63.

A queda de preços foi impulsionada por fatores como a redução do dólar e do polisilício, representando a maior redução desde o início do indicador Radar, pesquisa elaborada pela Solfácil, líder em soluções solares e maior ecossistema de energia solar da América Latina.

A energia solar no Brasil está se tornando cada vez mais acessível para os consumidores. O preço médio por potência da energia solar para residências atingiu uma queda de 10% em relação ao primeiro trimestre de 2023, registrando o valor de R$/Wp 3,63. A queda de preços foi impulsionada por fatores como a redução do dólar e do polisilício, representando a maior redução desde o início do indicador Radar.

“A redução do preço da energia solar representa um marco significativo para o desenvolvimento sustentável do país. Em 2023, vemos a tendência acelerada na queda de preço, iniciada no ano passado. Com preços mais acessíveis, mais pessoas poderão adotar a energia solar como uma fonte limpa e renovável, contribuindo para a preservação do meio ambiente e para a redução dos custos com energia”, declara Fabio Carraca, CEO e cofundador da Solfácil.

Embora a pesquisa revele redução no preço do sistema fotovoltaico em diversas regiões, o cenário na região Norte, registra os maiores preços do Brasil, com R$/Wp 3,75. A diferença é maior para projetos até 8 kWp, que chegam a ser 0,25 R$/Wp mais caros que a média nacional. Os preços nos estados da região norte são os seguintes: Roraima (RR) R$/Wp 3,39, Amapá (AP) R$/Wp 3,36, Amazonas (AM) R$/Wp 3,89, Pará (PA) R$/Wp 3,92, Tocantins (TO) R$/Wp 3,47, Rondônia (RO) R$/Wp 3,23 e Acre (AC) R$/Wp 3,51.

Na última terça-feira, 15 , uma falha na rede de operação do SIN (Sistema Interligado Nacional) impactou o fornecimento de energia em todas as regiões do país e causou transtornos às principais cidades brasileiras. O que reforça sobre a importância do investimento em energia solar. 

O presidente da Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia) afirma que há medidas que podem contribuir para tornar o sistema elétrico menos vulnerável, mas  essa é uma gestão complexa e que exige um aprofundamento técnico. Mesmo a geração de um comércio ou indústria está ligada à rede da concessionária, ou seja, caso falte energia elétrica, tudo será desligado. 

“A grande vantagem do uso da energia solar seria no caso de uma desconexão do sistema e a Amazônia, que hoje é importadora de energia, passar a ter uma dependência menor, visto que hoje não existe a geração solar no Norte de forma expressiva. Essa geração solar substituiria rapidamente as térmicas. Hoje a região precisa das térmicas para funcionar, considerando que a carga é maior que a geração. O nordeste, que é exportador de energia, também foi afetado no caso do apagão, já que tudo está interligado. Apenas Roraima está fora do sistema”, explica.

Mercado no Amazonas ainda patina

Além de ser uma tecnologia com menos impacto ambiental, o sistema possibilita o crescimento econômico sustentável para diversos setores. Apesar do potencial desse mercado no Amazonas,  ainda há de ser explorado. A energia solar está ganhando cada vez mais destaque, a economia gerada com energia limpa e renovável tem sido aliada de empresas, residências e de vários projetos no Amazonas. 

A economia na energia, motivou o empresário Maycon Tadeu, apostar na eficiência energética do sistema em casa e na empresa. Ele adquiriu 26 painéis fotovoltaicos com geração de  17.364 potência média de 1447 kwh por ano. De acordo com o empresário, a economia anual é de aproximadamente R$11 mil  por ano em ambos locais. 

“Eu investi desde o início em julho de 2022. A energia limpa é a solução dos desafios das  empresas para o futuro.  Toda forma de não poluição e de preservação do  meio ambiente são muito bem vindas para o futuro do planeta e daqueles que virão, mas para que isso aconteça tem que se começar hoje, pois muito já se debateu a respeito e pouco foi feito”, destacou Maycon Tadeu. 

Segundo a Absolar, o Brasil recebeu mais de R$ 133 bilhões em novos investimentos no setor, gerou mais de 835,1 mil novos empregos, além de ser a segunda maior matriz elétrica nacional, perdendo apenas para a hídrica.

Para Ronaldo Koloszuk, presidente do Conselho de Administração da Absolar, a geração própria de energia solar terá importante protagonismo na transição energética proposta pelo Governo Federal, sobretudo para tornar a matriz elétrica brasileira ainda mais limpa, renovável e acessível a todas as camadas da população.

“A Absolar vê com entusiasmo o empenho e a preocupação do ministro Alexandre Silveira em garantir mais acesso à energia solar para a população de baixa renda e em substituir o uso de geração de eletricidade com combustíveis fósseis, mais caros e poluentes, na região Amazônica por sistemas solares com bateria, muito mais sustentáveis e competitivos. Assim, abre-se uma grande perspectiva para acelerar o desenvolvimento sustentável brasileiro”, comenta.


Apagão

Segundo o ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico), a ocorrência gerou a interrupção de 16 mil megawatts (MW) de carga e tem relação com a abertura da interligação Norte-Sudeste. As causas do problema estão sendo apuradas.
 

Ainda que em algumas localidades o fornecimento de energia tenha sido restabelecido em poucos minutos, o apagão chegou a afetar diretamente o sistema público de transporte e o trânsito em diversas cidades brasileiras.
 

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“Com preços mais acessíveis, mais pessoas podem adotar a energia solar”, Fabio Carraca, CEO e cofundador da Solfácil

Especialistas da Abesco (Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Conservação de Energia) afirmam que é precipitado apontar o fator determinante da falha antes da conclusão técnica das instituições envolvidas na operação.
 

“Essa é uma gestão complexa e que exige um aprofundamento técnico. No entanto, há medidas que podem contribuir para tornar o sistema elétrico menos vulnerável e as ações de eficiência energética fazem parte disso”, afirma o presidente da ABESCO, Bruno Herbert.
 

O especialista reforça que, embora seja impossível controlar a natureza, que neste caso está conectada à geração da energia, é plenamente possível determinar a forma como os recursos naturais são utilizados: com o uso racional da energia e iniciativas consistentes para a redução nas mais diversas escalas de consumo.
 

“Medidas de combate ao desperdício são fundamentais, uma vez que este excesso eleva a demanda de geração de energia e contribui para esse cenário em que o gasto energético exacerbado desafia a nossa capacidade de produção e consequentemente de competitividade”, afirma o presidente da Abesco.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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