Você já conseguiu ver os olhos de uma formiga, ou de qualquer outro inseto; chegar bem perto de uma cobra ou de um escorpião venenosos; ou ficar cara a cara com uma perereca, ou uma aranha? Se não, visite o Instagram do fotógrafo naturalista Phillip Klauvin, @phillip.klauvin. Ele se especializou em produzir imagens dos mais variados animais amazônicos, insetos, aracnídeos, batráquios, répteis. Viveu na natureza, ele vai lá e clica.
Apesar do nome, Phillip é baré mesmo, e seu interesse pela fotografia, e pela natureza, começou na infância.
“Desde muito novo sempre fui ligado à natureza. Me sentia muito à vontade nas matas. Meu primeiro contato com a fotografia foi como admirador, ainda criança. Via aquelas fotos incríveis da NatGeo, nas revistas, e ficava fascinado, mas achava que era impossível eu fazer aquilo, então, guardava aquelas belas imagens na minha mente”, recordou.
Mas o menino foi atrás de seu sonho: captar imagens idênticas às belas imagens que via nas revistas. Quando estava com onze anos teve seu primeiro contato com uma câmera fotográfica, com um vizinho que o deixava utilizar a sua. Com treze anos evoluiu. Uma amiga da rua onde morava passou a lhe emprestar uma câmera digital e até deixava que o menino levasse o equipamento para as matas.
“Foi então que meus pais vendo o meu real interesse pela fotografia compraram uma câmera para mim. Nessa mesma época ganhei uma bolsa de iniciação científica júnior, no Inpa (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), no laboratório de entomologia. Consegui uma câmera mais moderna e surgiu, aí, meu interesse em seu biólogo”, contou.





Amazônia Mundi
De moeda em moeda, quando Phillip estava com 14 anos conseguiu comprar um equipamento profissional e, na época da faculdade chegou a cursar biologia na UEA e na Ufam, mas não foi adiante. Seu interesse maior era registrar, e não estudar, os animais.
Nesses anos todos fotografando, somente no ano passado Phillip passou a se dedicar exclusivamente à arte de produzir imagens.
“Foi quando decidi, em tempo integral, me dedicar à fotografia de natureza e vida selvagem, exatamente como fazem os grandes fotógrafos dos quais um dia admirei as imagens”, revelou.
“Mas, sem dúvida, o trabalho que me fez subir de nível e me considerar profissional, foi ter participado da mega exposição Amazônia Mundi, promovida pelo Sesc São Paulo, entre 2013 e 2015. Minhas fotos estiveram expostas ao lado das fotos de grandes nomes da fotografia nacional e internacional como Araquém Alcântara, Adriano Gambarini e Ricardo Martins”, informou.
Phillip explicou que, mesmo antes de seu interesse pelas macrofotografias, o universo oculto da floresta, dos pequenos animais, e dos detalhes, já o fascinava. De posse de uma câmera profissional, ele conseguiu se aproximar o máximo possível desses animais. O menino, agora homem, continua a vagar pela floresta em busca da melhor imagem.
“Vou fazendo capturas totalmente espontâneas das espécies de determinado lugar, e de seu comportamento. Na natureza tem ação o tempo todo: predação, socialização, acasalamento, entre outras. Mas acontece de eu ir atrás de determinada espécie em local e períodos específicos”, disse.
Curso em março
Como as matas de Manaus estão cada vez mais escassas, Phillip fotografa apenas nos fragmentos florestais que ainda restam na cidade.
“Temos que conhecer essa biodiversidade riquíssima antes que acabe”, afirmou.
No interior, ele busca personagens e situações em Presidente Figueiredo, Iranduba, Rio Preto da Eva e Novo Airão, nas Anavilhanas.
“Através da fotografia podemos contar histórias que serão entendidas pela maioria das pessoas, independente do idioma, cultura, religião ou localização geográfica. Acredito que seria impossível sensibilizar as pessoas para a preservação da Amazônia sem o apoio dessa ferramenta”, destacou.
“Para mim, utilizar a fotografia como ferramenta de sensibilização, educação e conservação da biodiversidade amazônica, é uma prioridade e tenho certeza que contribui para um cenário de harmonia entre a sociedade e a floresta”, completou.
Como forma de deixar um legado, Phillip ministra cursos onde ensina os alunos a tirar fotos de natureza e macrofotografias.
“Treino o olhar dos alunos para as cenas e personagens da natureza ensinando-os a construir narrativas aplicando e adaptando técnicas amplamente usadas em outros estilos de fotografia. Em março realizarei mais um curso, ‘Macrofotografia na natureza’, na Casa Arawak, em Iranduba, na praia do Açutuba”, avisou.
Além do Instagram, onde já possui mais de 1.500 seguidores, Phillip organiza uma exposição, para final de fevereiro, com as novidades que está produzindo.
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