Lançada há nove meses, em junho de 2025, a plataforma Made in Amazon surge como uma ponte entre a criatividade amazônica e o mundo. Focada em e-commerce de artesanato sustentável, produtos da bioeconomia e itens feitos à mão por artistas indígenas, ribeirinhos e mulheres empreendedoras, a iniciativa conecta produtores locais a consumidores em busca de autenticidade. Nesta entrevista exclusiva ao Jornal do Commercio, Pamela Mota, cofundadora, revela os bastidores do projeto e as expectativas para a campanha “Mãe & Origem”, que transforma o Dia das Mães em oportunidade de impacto social e econômico.
O Made in Amazon nasceu do “desejo de mostrar ao mundo uma Amazônia viva, criativa, contemporânea, rica em cultura, talento e saberes ancestrais”, explica Pamela. “Por meio de produtos feitos manualmente por artesãos, artistas indígenas, comunidades tradicionais e mulheres empreendedoras, transformamos tradição e identidade em renda, movimentando a economia na região Norte.” A plataforma valoriza o que “nasce da terra, da cultura e da inteligência coletiva da região, sempre com beleza, responsabilidade e propósito”, adiciona. Seu propósito vai além das vendas: preservar a floresta gerando valor para quem nela vive.

Impacto na renda local
Com curadoria sensível e ética, o site prioriza peças sustentáveis, feitas à mão com matérias-primas naturais ou reaproveitadas. Hoje, reúne cerca de 200 produtos de 20 parceiros, concentrados no Amazonas – de Manaus a Parintins, Barcelos, Novo Airão, São Gabriel da Cachoeira, Careiro da Várzea e Careiro Castro. Categorias como insumos gastronômicos, itens de decoração e biojóias lideram as vendas, ao lado de kits corporativos personalizados. “Temos um presente personalizado, com propósito”, destaca Pamela.
O impacto direto nas comunidades é claro. “Cada venda gera renda na ponta produtiva. Valorizamos preço justo, visibilidade dos criadores e fortalecimento de cadeias locais”, afirma. Além da comercialização, a plataforma oferece suporte em acesso a mercado, fotografia, comunicação e construção de marca, gerando renda recorrente para artesãos e empreendedoras.
O modelo de negócio alia propósito a gestão e inovação. “Estruturamos o Made in Amazon com curadoria, posicionamento de marca, canais digitais e experiência de compra. Produtos de alto valor agregado, com identidade regional e narrativa de origem, remuneram melhor os produtores e criam um modelo viável e escalável”, explica Pamela, alinhando-se às demandas do consumidor consciente.
Apelo do Dia das Mães
O consumidor mudou: quer saber “quem fez, de onde veio e qual impacto sua compra gera”. Essa tendência impulsiona vendas de itens com significado, artesanais e sustentáveis. Datas sazonais, como Dia das Mães, aceleram o e-commerce. “São estratégicas porque fortalecem categorias presenteáveis e representam parcela importante do faturamento anual. Mais que volume, ajudam na aquisição de novos clientes”, diz Pamela.
A campanha “Mãe & Origem” aposta em kits amazônicos para tornar o presente uma “experiência afetiva e consciente”. A expectativa é de “crescimento relevante nas vendas, especialmente nos kits personalizados, que unem beleza, memória afetiva e propósito”. É uma chance de apresentar o universo amazônico a novos públicos.
Olhar internacional
A empresa vê crescer o interesse internacional a cada dia. “Já temos interesse crescente de consumidores e parceiros internacionais, especialmente de públicos que valorizam design brasileiro, amazônico, sustentabilidade e produtos com identidade cultural com história, no nosso caso, produtos feitos pelos povos da floresta. Nosso plano é ampliar gradualmente a atuação internacional, priorizando logística eficiente, curadoria premium e mercados estratégicos”, diz.
De longo prazo, Pamela sonha grande: “Consolidar o Made in Amazon como vitrine principal de produtos amazônicos no Brasil e referência em bioeconomia criativa. Queremos mostrar que a floresta viva gera valor por meio da cultura, design, inovação e empreendedorismo local. Mais que vender, construir um movimento de valorização da Amazônia contemporânea.”
A plataforma prova que economia e preservação andam juntas, transformando olhares sobre a região.







