Maior número de jovens de 16 a 18 anos entre os eleitores deve fazer a diferença nas urnas nestas eleições 

Em: 29 de setembro de 2022
Maior número de jovens de 16 a 18 anos entre os eleitores deve fazer a diferença nas urnas nestas eleições<em> </em> - 2909 A7

Andréia Leite

Insta: @andreia_leite_  Face: @jcommercio

De acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral), 108 mil jovens entre 16 a 18 anos no Amazonas estão aptos a votar nas eleições presidenciais de 2022. Neste ano, foi possível observar uma procura significativa por jovens a se habilitarem no sistema eleitoral. Nos primeiros quatro meses de 2022, os novos alistamentos (títulos concedidos pela primeira vez) para jovens entre 16 e 18 anos no Amazonas chegaram a quase 83 mil emissões. A procura mais expressiva foi registrada entre os meses de março e abril deste ano, com mais de 36 mil novos eleitores nessa faixa etária. 

A pesquisa Juventudes e a Pandemia acaba de ser lançada e traz o impacto que ainda persiste entre os jovens na pandemia -em relação a saúde mental, educação, renda, uso de tecnologia. E, na véspera das eleições, revela o que leva os jovens a escolher seus candidatos.

Os candidatos que quiserem conquistar os votos dos jovens devem mostrar como pretendem investir em educação, combate à fome, fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde) e recuperação econômica. Esse é um dos resultados apontados na pesquisa “Juventude e a Pandemia: E agora?”, que acaba de ser lançada e ouviu mais de 16 mil jovens de 15 a 29 anos de todo o país.

Esta é a terceira edição da série de pesquisas “Juventudes e a Pandemia do Coronavírus”, realizadas também em 2020 e 2021. As três edições juntas somam mais de 118 mil respostas. Na edição de 2022, foram ouvidos 16.326 jovens de 15 a 29 anos, entre os dias 18 de julho a 21 de agosto de 2022.

“A maior geração de jovens da história do Brasil demanda propostas concretas e um compromisso real de governantes e candidaturas em 2022. A pesquisa revela alguns dos seus principais anseios e aspirações, além dos impactos da pandemia em suas vidas. Esse é um processo que temos conduzido ao longo de 3 anos com centenas de milhares de jovens e poderá contribuir para a definição de prioridades na escolha de que projeto de desenvolvimento e políticas públicas as juventudes querem para o nosso país.” Afirma Marcus Barão, coordenador Geral do Atlas das Juventudes e presidente do Conselho Nacional da Juventude.

Em material enviado pela assessoria de imprensa, Paulo Kramer, que é mestre e doutor em Ciências Políticas, destacou que o  jovem deve ser o foco das campanhas eleitorais.

Segundo ele, as novas tecnologias mudaram as campanhas eleitorais em todo o mundo. A TV e o rádio deixaram de ser os principais palcos de comunicação com o eleitor e as últimas eleições para a presidência em países com muitos eleitores, tanto nos Estados Unidos quanto no Brasil, foram definidas pelas redes sociais.

“O principal público das plataformas digitais não há dúvidas de quem seja o jovem. Esta configuração faz com seja imprescindível que as estratégias de campanha sejam montadas levando em consideração os gostos, as linguagens e o universo desses eleitores”. 

“Em um clima de maior interesse político, como estamos vivendo, uma mensagem bem embalada acaba por envolver os jovens. Eu acho que os políticos precisam pensar em quem vai votar nele no futuro”, disse 

O especialista considera que os novos meios de comunicação fornecem diversas ferramentas para alcançar o público desejado. Diferente das antigas tecnologias, que eram feitas para uma massa generalizada, as redes sociais permitem que a comunicação seja direcionada para pessoas com gostos e idades específicas.

Atualmente resta aos partidos a missão de se organizarem para buscar o jovem. Como deixa claro o cientista político, “as estratégias de campanha precisam ser pensadas com o objetivo de alcançar o jovem porque a eles pertence o futuro da política” afirmou.

Segundo o  advogado e professor de Direito Constitucional Antonio Carlos de Freitas Júnior,  é importante lembrar que o voto é obrigatório para as brasileiras e brasileiros maiores de 18 anos, e facultativo para os analfabetos, os maiores de 70 anos e os jovens de 16 e 17 anos. “O cidadão que vai completar 16 anos em 2022, até o dia 2 de outubro, pôde solicitar a emissão do título a partir de janeiro –e quem já tem essa idade pôde participar do alistamento eleitoral”. 

Por dentro

Hoje há 2.116.781 de eleitoras e eleitores entre 16 e 17 anos  nessa faixa etária aptos a votar nas urnas eletrônicas, representando mais de 1,3% do total do eleitorado nacional. Ou seja, em quatro anos, o número de jovens de 16 e 17 anos prontos para votar cresceu mais de 51%.

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar