Mais 3.463 vagas de carteira assinada abertas no Amazonas

Em: 30 de novembro de 2022

O Amazonas abriu 3.463 postos de trabalho com carteira assinada em outubro. Pelo décimo mês seguido, as admissões (+19.738) bateram as demissões (-16.275), permitindo um acréscimo, desta vez, de 0,72% sobre o estoque anterior. Todos os setores apresentaram saldo positivo, com novo destaque para serviços e indústria. O desempenho, no entanto, já veio mais fraco do que os apresentados em setembro (+5.214) e agosto (+4.088). Mas, superou com folga o registro de 12 meses atrás (+2.099). Como já é hábito, a maior parte da oferta veio de Manaus (+0,71% e +3.102), que concentrou 89,57% das novas vagas geradas.

A alta proporcional de criação de empregos formais no Amazonas (+1,10%) voltou a bater as médias nacional (+0,37%) e da região Norte (+0,35%), correspondendo ao dobro da performance de ambas. Com o novo incremento mensal, o mercado de trabalho do Estado também se manteve no azul nos acumulados dos dez meses iniciais do ano (+8,43% e +37.464) e dos últimos 12 meses (+8,94% e +39.558). O estoque –que é a quantidade total de vínculos celetistas ativos –chegou a 479.521 ocupações. É o que revelam os números do ‘Novo Caged’, divulgados pelo Ministério do Trabalho e Previdência, nesta terça (29).

Em paralelo, o Brasil gerou 159.454 empregos celetistas, no mês passado, com 1.926.572 contratações e 1.648.487 desligamentos, e incremento mensal de 0,66%. O número também foi menor do que os de setembro (278.085) e agosto (278.639), além de ficar abaixo do patamar do mesmo período de 2021 (+253.083). No aglutinado dos nove meses iniciais do ano, foram criados 2.320.252 postos de trabalho em todo o país, situando o estoque brasileiro em 42.985.237 vínculos empregatícios. Todas as regiões brasileiras avançaram, mas apenas quatro dos cinco setores econômicos conseguiram o mesmo, já que a agropecuária foi prejudicada pela sazonalidade.

Vale notar, no entanto, que a oferta de empregos formais ainda está distante da demanda dos trabalhadores, tanto em âmbito estadual, quanto nacional. Os dados mais recentes do IBGE mostram que, embora tenha diminuído, a quantidade de amazonenses na fila do desemprego ainda é muito maior e já chegava a 183 mil, no terceiro trimestre deste ano. A mesma base de dados informa ainda que o nível de ocupação da mão de obra do Amazonas, por outro lado, ainda estava em 57,1% da população apta ao trabalho, sendo que mais da metade dessas vagas (57,1%) não contava com carteira assinada.

Serviços e indústria

Diferente do ocorrido em âmbito nacional, todas as cinco atividades econômicas do Amazonas fecharam outubro no campo positivo, repetindo a performance de setembro. O setor de serviços (+0,60% e +1.323) manteve a liderança. Mas, reduziu sua participação na oferta local de novas vagas (38,20%) e desacelerou significativamente em relação ao obtido no mês anterior (+3.384). O destaque veio do grupo que reúne informação, comunicação, e as atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas (+826). O único dado negativo veio dos serviços domésticos (-3).

A indústria manteve a vice-liderança e emendou o sexto mês no azul, ao criar 1.109 vagas celetistas e gerar variação positiva de 0,92% na comparação com o estoque anterior. Foi um saldo um pouco mais baixo do que o alcançado em setembro (+1.269). As contratações foram puxadas essencialmente pela indústria de transformação (+0,99% e +1.087), com destaque para eletrônicos, informática e ópticos (+550), e “outros equipamentos de transporte” (+119). A atividade de eletricidade e gás gerou apenas 26 vagas, enquanto o segmento de água, esgoto, atividades de gestão de resíduos e descontaminação estagnou, e a indústria extrativa (-4) eliminou empregos. 

No mês do Dia das Crianças, o grupo que inclui comércio e reparação de veículos (+0,58% e +647) permaneceu na terceira colocação, ao superar o desempenho de setembro (+448), embora ainda tenha ficado distante do pico de julho (+1.615). No nono mês consecutivo de saldo positivo, o maior impulso continuou vindo do varejo (+450), sendo seguido de longe pelo atacado (+168) e pelo segmento de reparação de automóveis e motocicletas (+29). 

Pelo terceiro mês, a agropecuária (+242) conseguiu se segurar no campo positivo e na quarta colocação, obtendo o maior índice de alta (+6,18%) e um resultado bem mais robusto do que o de setembro (+49%). Foi favorecida pelas lavouras temporárias (+241), especialmente na cana-de-açúcar. Já a construção (+0,56% e + 1,42%) também registrou aceleração, em um segundo mês de crescimento. As contratações foram puxadas por obras de infraestrutura (+94) e construção de edifícios (+71), em detrimento dos serviços especializados para o setor (-23).

De janeiro a outubro, o saldo positivo de empregos do Amazonas também se estendeu a todos os cinco setores. Os melhores números vieram dos serviços (+11,32% e +22.374). Na sequência está o comércio (+6,44% e +6.736). A indústria criou 5.891 postos de trabalho e ampliou seu estoque em 5,12%. Embora apareça com um dos menores saldos da lista, a construção (+2.214) alcançou a segunda maior taxa de expansão (+9,54%). A agropecuária (+6,37% e +249), por outro lado, saiu da estagnação para entrar no campo positivo. 

“Acima do esperado”

Um mês após salientar que os números do ‘Novo Caged’ vieram acima do esperado, em meio aos problemas logísticos e econômicos enfrentados pelo setor, o presidente da Fieam, Antonio Silva, disse à reportagem do Jornal do Commercio que considerou que os dados de outubro vêm ao encontro das sinalizações mais recentes dos Indicadores da Suframa nesse quesito. O dirigente avalia que o curto prazo é promissor para a indústria incentivada de Manaus, mas prefere ainda não fazer considerações para 2023.

“Podemos observar que o setor industrial vem em uma crescente gradual, que demonstra uma clara retomada do setor produtivo amazonense. Destaco, principalmente, a décima sequência mensal positiva no saldo de postos de trabalho. Temos boas expectativas para o último bimestre do ano, em particular se considerarmos as vendas de final de ano e o fator consumo decorrente da Copa do Mundo”, asseverou.

Fretes e dólar

Na mesma linha, o presidente em exercício da Fecomércio-AM, Aderson Frota, salientou que a aproximação do final do ano é sempre um alento para o mercado de trabalho. Na análise do dirigente, embora os segmentos de comércio e serviços ainda enfrentem dificuldades, a sazonalidade positiva é suficiente para garantir bons resultados e contratações para suprir a demanda extra das festas de fim de ano.

“Comércio e serviços continuam como os maiores empregadores, com participação significativa para o varejo. É claro que ainda não deixamos para trás todos os obstáculos dos cenários internos e externo. A taxa de juros inibiu o consumidor e negativou uma grande parte das famílias. Mas, temos a Black Friday e já chegamos perto do Natal, que é a melhor data para o comércio. Se a economia conseguir se desvencilhar desses problemas, com certeza vamos apresentar um crescimento substancial, considerando todo esse quadro”, finalizou.

Por Marco Dassori

Twitter: @marco.dassori  Instagram: @jcommercio

Marco Dassori

É repórter do Jornal do Commercio
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