O Natal passou e o Papai Noel mais uma vez deixou os brinquedos das crianças e partiu para o Polo Norte, porém, para quem gosta de fazer decoração natalina em casa, o bom velhinho continua presente em local de destaque, até o dia 6 de janeiro, Dia de Reis, quando as festividades pelo nascimento de Cristo são encerradas.
Um dia, há 27 anos, o professor universitário Carlos Humberto Alves Corrêa viu numa loja, velas para decoração natalina. Junto, um Papai Noel. Comprou tudo para decorar sua casa. “Depois vi outro Papai Noel e comprei. Desde então não parei mais, principalmente depois que minha família viu e gostou. Foi quando notei que estava me tornando um colecionador daquelas peças”, contou.
De 1989 até este ano, Carlos Humberto já reuniu cerca de dois mil Papais Noéis nos mais diversos tamanhos e poses. “E continuo comprando sendo que, como moro num apartamento e não tenho muito espaço para guardá-los, agora sou mais seletivo. Não compro qualquer peça que vejo. Geralmente escolho de acordo com um tema”, explicou.
E a cada ano o professor organiza sua coleção numa exposição que nunca se repete. “Devido à quantidade de peças, posso expô-las em posições e formas infinitas, daí que nunca uma exposição será a mesma, sem falar que como continuo a comprar e a ganhar peças, aí é que a coisa não se repetirá mesmo”, riu. Sem falar, também, que agora Carlos Humberto resolveu começar a comprar duendes e gnomos. Mas essa é uma outra história.
“Uma coisa que gosto muito nisso que faço é ver o resultado que provoca nas pessoas. Todas se maravilham, ficam extasiadas, se admiram. Isso é muito bacana”, exultou.
Made in China
Os Papais Noéis de Carlos Humberto são cuidadosamente embalados em plástico bolha e guardados dentro de maleiros durante onze meses. Quando chega dezembro eles quase que ganham vida como resultado do trabalho do professor em, pacientemente, arrumá-los na sala de seu apartamento.
“Os meus amigos vêm ver a exposição, aí falam pros seus amigos. Não demora tem um monte de gente querendo ver também, então, tenho que organizar uma visita. Na sexta-feira (23) tinha mais de 20 pessoas aqui, e aproveitamos para encenar uma peça”, contou.
No ano passado Carlos Humberto expôs cerca de 350 Papais Noéis. “Este ano tem mais ou menos isso. Varia a quantidade de acordo com o tamanho deles e o espaço que ocupam”, explicou. “Tenho desde miniaturas até um, de uns dois metros de altura, inflável”, completou.
Além do Brasil, principalmente São Paulo para onde Carlos Humberto sempre viaja, os seus Papais Noéis também são comprados no exterior. “Tenho da República Tcheca, Portugal, Itália, Peru, Estados Unidos, Canadá, muito embora alguns tenham a marca Made in China, mas pra mim o que importa é o país onde foram comprados. Os chineses fabricam o Papai Noel com as características do país para onde vão vendê-lo”, assegurou.
Sobre a raridade de algumas peças, o professor explicou. “Existem sites que vendem Papais Noéis para colecionadores, alguns raros e caros, mas não os compro. Os que tenho foram adquiridos em lojas, com preços que posso pagar. Tenho um de fibra de vidro que considero ter sido o mais caro que comprei, já faz tempo, por R$ 450. Meu objetivo não é ser um colecionador”. O sonho de Carlos Humberto é ter um local, um museu, onde possa expor permanentemente seus Papais Noéis. “Nem penso em ganhar nada com isso. Só quero que as pessoas vejam minha coleção em sua plenitude e fiquem felizes com isso”.
Uma figura universal
Conta a história que a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. O bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando saquinhos com moedas próximas às chaminés das casas.
Foi transformado em santo (São Nicolau) após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a ele.
A associação da imagem de São Nicolau ao Natal aconteceu na Alemanha e espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal.
Até o final do século 19, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno na cor marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto, criada por Nast foi apresentada na revista Harper’s Weeklys neste mesmo ano.
Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast, que também eram as cores do refrigerante. A campanha publicitária fez um grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do Papai Noel pelo mundo.
Atualmente, a figura do Papai Noel está presente na vida das crianças de todo mundo. É o bom velhinho de barbas brancas e roupa vermelha que, na véspera do Natal, traz presentes para as crianças que foram obedientes e se comportaram bem durante o ano. Ele habita o Polo Norte e, com seu trenó, puxado por renas, traz a alegria para as famílias durante as festas natalinas.







