Mais uma vez Plenário do Senado absolve Renan Calheiros

Em: 4 de dezembro de 2007
No Conselho de Ética da Casa, o relator do processo contra Renan, Jefferson Péres (PDT-AM), apontou sete indícios de que o senador quebrou o decoro parlamentar ao firmar
No Conselho de Ética da Casa, o relator do processo contra Renan, Jefferson Péres (PDT-AM), apontou sete indícios de que o senador quebrou o decoro parlamentar ao firmar

O placar folgado de absolvição ocorre no mesmo dia em que Renan anunciou que renunciava à presidência do Senado. Três senadores se abstiveram. Ele estava afastado do cargo desde o dia 11 de outubro.

Renan foi acusado de usar laranjas para comprar um grupo de comunicação em Alagoas. O peemedebista disse que estava renunciando sem mágoas ou ressentimentos, de cabeça erguida, demonstrando mais uma vez que não usa das prerrogativas do cargo para se defender.

O processo foi analisado ontem em sessão aberta no plenário, mas a votação foi secreta, o que beneficiou o peemedebista.

Desde 2002, os deputados e senadores discutem o fim do voto secreto no Congresso Nacional para processos de perda de mandato.

Contudo, os parlamentares não mudaram o artigo da Constituição que estabelece votação secreta para casos de perda de mandato, escolha de autoridades federais, vetos presidenciais e eleição da Mesa Diretora da Câmara e do Senado.

No Conselho de Ética da Casa, o relator do processo contra Renan, Jefferson Péres (PDT-AM), apontou sete indícios de que o senador quebrou o decoro parlamentar ao firmar sociedade com o usineiro João Lyra para a compra do grupo de comunicação.

Entre os indícios citados pelo relator está o fato de que Lyra apresentou documentos que comprovam suas acusações. Outro elemento contrário a Renan, segundo Péres, é o fato de o presidente licenciado do Senado nunca ter interpelado Lyra judicialmente para contestar suas acusações. Na opinião do relator, o fato de a socieda-de oculta ter ocorrido antes de Renan assumir a cadeira no Senado não livra o peemedebista da quebra de decoro.

Apesar de admitir que Lyra é adversário político de Renan no Estado, Péres disse que suas palavras não podem perder força somente pelas divergências em Alagoas -já que as pessoas citadas por Lyra, que teriam sido usadas como laranjas na sociedade oculta, tiveram ligações próximas com Renan.

Em setembro, o plenário do Senado absolveu Renan no processo em que ele foi acusado de usar recursos da Mendes Júnior para pagar despesas pessoais, como pensão e aluguel da jornalista Mônica Veloso, com quem ele tem uma filha. Em novembro, o Conselho de Ética aprovou o relatório de João Pedro (PT-AM) que recomendou o arquivamento das denúncias de que Renan teria trabalhado para reverter dívida de R$ 100 milhões da Schincariol junto ao INSS depois que a cervejaria comprou fábrica de Olavo Calheiros, por preço acima do mercado.

Sucessão já em articulação

O presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), disse que os líderes partidários devem se reunir na próxima terça-feira para discutir o processo eleitoral para a presidência da Casa.

O PMDB vai lutar para permanecer no comando do Senado, já que o partido afirma ter direito à presidência da Casa por reunir a maior bancada, com 20 senadores.

Pelo regimento, o presidente interino do Senado, Tião Viana (PT-AC), tem cinco dias para convocar nova eleição. Viana disse que os líderes partidários devem se reunir na terça-feira, dia 11, para discutir o processo eleitoral. O petista afirmou que não vai dar início ao processo sucessório sem o aval dos líderes partidários. “Vou agir sem precipitação”, disse o petista.

O líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), pediu tempo para que a oposição possa se preparar para a disputa pela presidência da Casa. “A oposição precisa de tempo para nos prepararmos para um combate. Queremos tempo ou para aceitar o candidato que nos for sugerido ou para buscar a vitória sobre este candidato se ele não for do agrado da oposição”, disse.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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