Malaria é exemplo de bom negócio

Em: 6 de junho de 2008
A empresa nasceu em 1904, quando os filhos de Augusto Ribeiro Guerra resolveu ampliar seus negócios no setor de couros e investir em um empreendimento mais estruturado.
A empresa nasceu em 1904, quando os filhos de Augusto Ribeiro Guerra resolveu ampliar seus negócios no setor de couros e investir em um empreendimento mais estruturado.

Em 1888, a população de Manaus beirava as 20 mil pessoas e o comércio da borracha ainda era incipiente quando o português, do Porto, Augusto Ribeiro Guerra chegou à cidade com a esposa e os dois filhos, Adelino, de 4, e Abílio, de 2 anos de idade.
Para manter a família, Augusto foi trabalhar no ofício que dominava: a fabricação de utensílios de couro, principalmente selins, artisticamente enfeitados através da técnica da pirografia.
Por mais de dez anos o português sustentou a família trabalhando habilmente com couro até que, em 1904, os filhos já adultos, ele resolveu ampliar os negócios e investir numa empresa mais estruturada. Nascia, assim, a Mala Americana, uma fábrica de malas… de couro.
A Mala Americana ficava localizada no extinto edifício Tartaruga, em estabelecimento próprio, e ocupava todo o térreo do prédio junto com várias outras pequenas lojas, alugadas por Augusto Guerra. Na fábrica, Augusto trabalhava junto com os filhos Adelino e Abílio, então com 20 e 18 anos, respectivamente.
Com o novo negócio, a família Guerra prosperou e por mais de 20 anos a Mala Americana abasteceu o mercado local com suas malas de couro, tanto que Abílio montou a sua própria fábrica enquanto Adelino continuou à frente da empresa aberta pelo pai. Em 1920, com 36 anos, Adelino casou com Ana Cândida e no ano seguinte nasceu o primeiro filho do casal, José Antônio Freire Guerra, dando início à terceira geração da família em terras amazonenses.

Incêndio interrompe história bem sucedida

Em meio à formação da família, o destino se mostrou trágico para o bem sucedido negócio dos Guerra.
Em 1929, um incêndio destruiu completamente a Mala Americana, deixando Adelino em situação difícil. Na época falou-se em incêndio criminoso, praticado pelo locatário de uma das lojas que havia se desentendido com Adelino, mas o certo é que a empresa não estava segurada e o ex-empresário viu sua fonte de renda de décadas virar cinzas em algumas horas.
Desiludido, e com pouco dinheiro, Adelino resolveu fazer a viagem de volta iniciada pelo pai em 1888, retornando para o Porto junto com a esposa e o filho José Guerra, de apenas oito anos.

Rota
para Porto
Em Portugal, desconhece-se a história do empresário falido, mas sabe-se que de seu casamento com Ana Cândida nasceu uma filha, Lourdes, e ele ainda voltou para Manaus, e depois, novamente para o Porto, até retornar em definitivo para a capital amazonense, em 1938, com o ânimo reavivado e certamente com dinheiro no bolso, pois logo abriu um novo negócio: a Malaria Guerra, também uma fábrica de malas de couro pirografadas, mas parece que o empresário estava fadado a não mais prosperar nos negócios. No ano seguinte ele morreu e numa Manaus de época onde o machismo imperava, Ana Cândida assumiu os negócios do marido.
Naquele ano José Guerra já estava com 18 anos, mas pelos dez anos seguintes ele não iria trabalhar na empresa. Como após o secundário, atual ensino médio, o rapaz não quis mais saber de estudos, a mãe achou que seria “moleza” para ele trabalhar na empresa da família, por isso ela mesma arrumou emprego para ele em outras empresas de Manaus, começando como “garoto de serviços”.

Segunda fase da empresa começa em 1949

Somente em 1949, então com 28 anos, José Guerra assumiu os negócios da família. Pode-se dizer que ali começou a segunda fase da empresa, após o novo impulso que ela recebeu, depois que Ana Cândida adoeceu em 1951 e faleceu em 1953. Nesse mesmo ano nasceria Maria das Graças Guerra, filha de José, dando início à quarta geração da família em Manaus.

Crescimento
a todo vapor
Nos anos seguintes, junto com a irmã, Lourdes, José conseguiu fazer com que o empreendimento continuasse crescendo. “Em 1957 mudamos para o prédio atual, na Miranda Leão”, contou Maria das Graças. “Lembro que nessa rua havia pelo menos uns três ou quatro outros fabricantes de malas de couro, descendentes de portugueses, cujos avós haviam vindo para Manaus com Augusto Guerra, e conti

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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