Moradores dos municípios de Manacapuru, Iranduba e Novo Airão reclamam dos prejuízos causados pelo blecaute de energia que durou três dias – da última segunda-feira (18) até quarta-feira (20). As três cidades da região metropolitana de Manaus paralisaram praticamente as operações, o comércio operou de forma precária, as escolas suspenderam as aulas, os serviços de emergência de hospitais ficaram impossibilitados de atender à demanda de pacientes, além do caos registrado no abastecimento de água, entre outras necessidades básicas da população em geral.
Segundo comerciantes, toneladas de peixes, frangos, carnes e outros itens perecíveis de consumo de primeira necessidade estragaram em frigoríficos e alguns supermercados das cidades. Os prejuízos estimados são de quase R$ 3 milhões pelos três dias de interrupção do fornecimento de energia, de acordo com empresários. A prefeitura de Manacapuru, o mais próximo de Manaus dos três atingidos pelo apagão, entrou ontem com uma ação judicial de indenização contra a Eletrobras Amazonas Distribuidora.
“Os manacupuruenses não podem ser punidos pela falta de um planejamento por parte de uma empresa do tamanho e porte da Eletrobras Amazonas”, alegou o prefeito do município, Beto D´Ângelo, na medida enviada à Justiça. Os prefeitos de Iranduba e Novo Airão também apoiam a iniciativa de Manacapuru, segundo servidores públicos. “De nossa parte, solicitei às secretarias municipais que façam os levantamentos necessários quanto às demandas dos prejuízos causados à comunidade e administrativamente”, acrescentou D´Ângelo. Ele disse ainda que acionou os órgãos de protenção ao consumidor e a própria Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) para “que possam tomar as providências necessárias”.
O presidente da Associação Amazonense de Municípios, Andreson Cavalcante (Pros), defendeu que a concessionária deveria ter um plano emergencial para esses casos. “O blacaute prejudica a todos, sobretudo a classe empresarial que tem grandes perdas de generos alimentícios. A questão foge à vontade dos prefeitos, é algo incomum, que já causou danos expressivos durante três dias”, afirmou ele. Só ontem, a Eletrobras Distribuição Amazonas regularizou o fornecimento de energia elétrica nos municípios depois de três dias de blecaute consecutivos, mas a interrupção deixou um rastro de prejuízo nas cidades atingidas de uma forma geral, denunciam prefeitos. A empresa divulgou também nota justificando a paralisação do serviço causado, segundo ela, pela tentativa de furto de cabos subaquáticos do linhão operacional que liga as cidades à capital.
Jeitinho
Se a falta de energia foi ruim para muitos comerciantes, para outros ela foi oportuna para turbinar os negócios. De acordo com moradores, nem todos amargaram prejuízos durante o blecaute nos três municípios da região metropolitana. Em Manacapuru, por exemplo, lojistas que possuem geradores de eletricidade atraíram bom público oferecendo um atendimento diferenciado para a ocasião – espaço climatizado e tomadas para recarregar celulares e notbooks. Uma grande panificadora da cidade, cujo dono preferiu não divulgar o nome do estabelecimento e ainda não ser identificado, disse que engordou o lucro nos três dias de blecaute. “Por isso, é bom se precaver para esses casos e disponibilizar um bom serviço para tirar o público do sufoco. É estratégico o empresário avaliar todas essas coisas emergenciais”, disse ele.
Uma loja do grupo Bemol (com sede em Manaus) em Manacapuru também disponibilizou tomadas para a população que quisesse recarregar celulares, notbooks, entre outros eletroeletrônicos, sem cobrar nada aos clientes, devido à situação emergencial no município. Outros comércios e escolas da rede privada que possuem geradores conseguiram também operar, mas precariamente.







