Manauenses negam medo da concorrência

Em: 8 de setembro de 2008
A notícia de uma possível vinda para Manaus da rede de lojas de departamentos Insinuante agita o mercado amazonense, que se mostra a cada ano mais receptivo para esse tipo de negócio
A notícia de uma possível vinda para Manaus da rede de lojas de departamentos Insinuante agita o mercado amazonense, que se mostra a cada ano mais receptivo para esse tipo de negócio

A notícia de uma possível vinda para Manaus da rede de lojas de departamentos Insinuante agita o mercado amazonense, que se mostra a cada ano mais receptivo para esse tipo de negócio. As empresas de Manaus que disputam o mesmo nicho no mercado receberam com naturalidade a especulação e afirmam que a concorrência irá trazer mais qualidade nos serviços oferecidos, favorecendo principalmente a população.
A empresa não confirmou a chegada à capital amazonense e em seu sítio na internet não há nenhuma notícia de ampliação. Porém, representantes do comércio local já conhecem essa informação. De acordo com o presidente da Fecomercio (Federação do Comércio do Amazonas), José Roberto Tadros, esta chegada já é esperada há alguns meses por pessoas ligadas ao comércio local.
Tadros explicou que Manaus é uma cidade que cresceu e junto com ela a população e o poder aquisitivo das pessoas. Dessa forma, a chegada de novas lojas é a prova de que Manaus é um ótimo mercado consumidor. “Para uma empresa se instalar em outro Estado, ela primeiro analisa as condições do mercado e a viabilidade do negócio. O crescimento de Manaus trouxe essa possibilidade como algo positivo”.
Na opinião do presidente da entidade, quem ganha com a chegada de novas lojas é o consumidor, que irá perceber o aumento da oferta na redução dos preços e na melhoria da qualidade dos serviços oferecidos. “Somos contra o monopólio e os cartéis, por isso acreditamos na redução dos preços, já que as empresas locais irão lutar para se manterem vivas no mercado. Isso é salutar, pois beneficia o consumidor”, afirmou.
Diante disso, segundo Tadros, a concorrência não trará prejuízos para as empresas já instaladas no Estado, pois grande parte delas está preparada para esse tipo de disputa. “Temos um mercado formado por empresas competentes que sabem lidar com esse tipo de situação. Dessa forma, não haverá prejuízos pois quem está preparado para brigar por esse espaço se manterá vivo”.

Para se manter no mercado, varejistas apostam em serviços diferenciados

O presidente da Fecomercio aponta a expe­riência no mercado amazonense como uma arma utilizada pelas empresas locais para se manter na disputa. Ele disse que outro ponto positivo evidente é a geração de novos empregos no setor, benefício importante para a população do Estado. Além disso, os impostos pagos por essas empresas ajudarão no desenvolvimento local.
Com 13 lojas em Manaus, a Bemol emprega hoje 1.300 funcionários no Estado e já existe há 63 anos no mercado local. Segundo a gerente de mar­keting da empresa, Sheila Sobreira, a experiência com o público local pode até ajudar as empresas amazonenses no início, mas se adaptar ao mercado é uma questão de tempo e a Insinuante deverá fazer com facilidade.
A gerente confirma que também já tinha conhecimento da possível vinda da empresa para Manaus, e que não vê problemas nisso. “É lógico que existe o risco de diminuir as vendas por culpa da concorrência, mas buscaremos na nossa competência o retorno esperado. A Insinuante é uma forte rede varejista, mas também temos nossas qualidades”, contou.
Segundo Sheila, a Bemol possui diversas estratégias e serviços diferenciados que impulsionam as vendas da rede. “Desde 1995 temos um programa de milhagens onde o cliente acumula bônus e troca por mercadoria ou utiliza para pagamento de prestações. Isso não é feito por nenhuma rede varejista no país. Além disso, temos um forte volume de vendas on-line e no cartão bemol”, comentou.
Sheila Sobreiro disse, porém, que essa concorrência não representa diminuição de preço porque a Bemol trabalha com valores de mercado. As estratégias da empresa, de acordo com a gerente, estão baseadas apenas em serviço e na qualidade de atendimento, e que os preços se manterão competitivos como ela afirma estar.
A Ramsons é outra empresa que se prepara para essas mudanças apostando nos produtos, serviços e facilidades de pagamento. Com 14 lojas no Estado, a rede gera 500 empregos diretos e aproximadamente 1.500 indiretos. Michel Veras, gerente de marketing da marca, disse que a empresa vende principalmente qualidade e serviço, além de uma variedade significativa de produtos.
O gerente destaca que a concorrência é algo positivo, e destaca que investir em lojas da cidade é muito melhor para o mercado ­local. Segundo Michel, essa procura pelo ­Amazonas hoje é natural. “Assim como eles procuram se instalar aqui, futuramente poderemos montar lojas em outros Estados. Isso é a globalização e todos que possuem empresas devem estar preparados”, concluiu.
A Insinuante teve origem em 1959 e hoje já possui mais de 220 lojas no país, principalmente em Estados do Nordeste. Ela atua no mercado de lojas de departamento, com destaque para os eletroeletrônicos, eletrodomésticos e artigos de informática.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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