Manaus-Careiro espera o verão e a BR-319

Em: 16 de maio de 2016

Os rios são considerados estradas naturais na Amazônia, transportando diariamente centenas de cargas e passageiros. Para interligar a capital ao interior do Estado, o meio de transporte fluvial é mais utilizado destacando-se as operações de transporte por balsas, principalmente nos trechos Manaus-Careiro da Várzea, saindo do Terminal Hidroviário do Ceasa. A expectativa é que com a BR 319, o fluxo de veículos e passageiros aumente no porto.
Atualmente o número de balsas que realizam a travessia no local são de sete, segundo a Codomar (Companhia Docas do Maranhão). A pasta atua há dois meses no Ceasa e é responsável por fiscalizar se as embarcações seguem o cronograma de viagem. A primeira embarcação começa a navegar às 5h e a última parte às 20h. A travessia dura em média 1 hora.
A balsa Edu III é uma das que realizam o itinerário. O proprietário Carlos Sérgio, de 52 anos, conta que cada semana realiza a travessia de carga diferenciada. “Durante uma semana transportamos, exclusivamente, caminhões e carretas com carga inflamável. Com esse tipo de carga, realizamos em média quatro viagens por dia. Já na semana seguinte, atendemos outros tipos de veículos, no entanto, o fluxo já diminui para até duas travessias diárias”, afirmou. No final de semana, a demanda fica na média de cinco viagens por dia.
A balsa tem capacidade para 50 carros de passeio e 200 passageiros. Ele informa que o fluxo caiu 60% comparado com o mesmo período do ano passado. “Com o rio enchendo a demanda de carros diminuiu, devido outras embarcações conseguirem entrar em rios e igarapés menores. Ao contrário de quando seca, que aumenta por conta de o transporte ser na maioria terrestre. Ano passado, por exemplo, fizeram uns desvios no rio durante esse período que favoreceu a demanda com comboio entre 25 a 30 carros”, explicou.
Com a proximidade da alta temporada entre os meses de junho e dezembro, a expectativa é de aumento no fluxo de carga e passageiros do setor. “Além disso, temos a esperança que com a BR-319, a evasão de carros por Porto Velho que ligará o país inteiro, contribua para o aumento”, destacou.
Navegando há 12 anos nos principais rios da Amazônia, Carlos Sérgio reforça que é feito fiscalização diária na embarcação e que segue as normas de segurança estabelecidas. “Operamos com 200 coletes salva-vida, extintores de incêndio, boias rígidas e circulares. Além disso, ninguém viaja dentro do veículo e nem saímos do porto acima do limite de passageiros”, disse o proprietário, ao destacar que a embarcação oferece uma área exclusiva aos viajantes. A balsa navega com seis tripulantes. Entre as dificuldades apontadas por Carlos Sérgio, estão para atracar no porto e a exposição da rede de tratamento de dejetos no local.

Porto de São Raimundo

A SNPH (Sociedade de Navegação, Portos e Hidrovias do Amazonas) está com a travessia por balsa entre os municípios de Nova Olinda do Norte e Autazes. A saída e entrada das embarcações são do Terminal Hidroviário do São Raimundo. Segundo o presidente-diretor da pasta, Walfrido Silva Neto também houve queda no fluxo de carga no local.
“Operamos mais com esse segmento e é visível a diminuição da demanda. Tivemos problemas com avarias nas balsas e quase não operamos no rio Madeira”, contou. No trecho Manaus-Careiro a travessia dura em média 1h. Já de Careiro até Autazes a duração é de 45min e de lá a Nova Olinda o tempo estimado é 2h30. “A duração da travessia depende do nível dos rios”, finalizou.

Para os rios Solimões e Madeira

Outra opção de entrada e saída de passageiros e veículos para municípios do Baixo Solimões, da região do rio Madeira são as lanchas rápidas que fazem a travessia, com uma média de 20 minutos no trajeto.
Atualmente são 60 embarcações ligadas a Associação dos Canoeiros dos Portos da Ceasa e do Careiro da Várzea e 39 à Cooperativa de Transportes Fluviais do Careiro da Várzea, divididas em três grupos.
“Dividimos as 39 lanchas da Cooperativa em três grupos de 13 para atender de forma rápida os passageiros e aumentar a demanda de viagem. Antes, ficavam todas as embarcações aqui e muitas faziam apenas uma travessia”, reclamou o proprietário da lancha Maria Luiza II, James Eloi. Segundo ele, a queda no fluxo de travessia caiu 50%.
Para comandante ligado a Associação Fernando Gomes, o setor só tem cobrança e aponta o aumento do combustível como outro vilão para queda. Diariamente as embarcações também são fiscalizadas para verificar a condição de uso e autorização da lancha, além da habilitação dos condutores e equipamentos de segurança.
A cada meia hora sai uma lancha rápida do porto Ceasa. A professora Nalva Celestino, de 46 anos é uma das que costumam utilizar o transporte alternativo nas águas. “Vim a capital para uma consulta médica e sempre uso a lancha por ser rápida e segura”, avaliou. Ela mora em Autaz Mirim.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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