Manaus da Copa, dos apagões e sem banda larga

Em: 20 de outubro de 2010
Nossa capital, como sede amazônica da Copa de 2014, obrigatoriamente deverá dar uma guinada gigantesca para abrigar evento de tanta importância e se mostrar ao mundo como cidade organizada, estruturada e promissora
Nossa capital, como sede amazônica da Copa de 2014, obrigatoriamente deverá dar uma guinada gigantesca para abrigar evento de tanta importância e se mostrar ao mundo como cidade organizada, estruturada e promissora

Nossa capital, como sede amazônica da Copa de 2014, obrigatoriamente deverá dar uma guinada gigantesca para abrigar evento de tanta importância e se mostrar ao mundo como cidade organizada, estruturada e promissora. No entanto não é o que vemos hoje em dois quesitos básicos para dar suporte para que isso aconteça: o Amazonas sofre problemas crônicos ligados ao péssimo fornecimento de energia e internet, e isso não acontece só no intenso verão, apenas se intensifica, mas se espalha pelo ano inteiro e pelos sessenta e dois municípios. E de imediato me reporto ao fato de ser o Amazonas um estado de sustentação política do atual presidente Lula, onde a maioria absoluta dos políticos ou ocupantes de altos cargos com poder de decisão sequer cogitam em desagradar quem atingiu índice considerável de popularidade. E nesta ausência de atitude, aonde o individual chega a suplantar o coletivo, que o povo leva tremenda desvantagem, apesar de ser o maior fornecedor de votos para eleger pessoas que não buscam sanear problemas e promover o bem-estar da coletividade.
Energia de qualidade é instrumento básico para que tudo funcione. Em países sérios, energia é sinônimo de desenvolvimento, de funcionamento perfeito de indústrias, de empresas comerciais e de lazer, de hospitais e escolas em pleno funcionamento, de iluminação pública eficiente, de lares abastecidos e sem sobressaltos com as constantes interrupções como aqui ocorre, levando prejuízos à população que vão muito além de aparelhos e equipamentos queimados. O prejuízo emocional e a perturbação vivida é algo que extrapola qualquer possibilidade de aferição. E foi com este sentimento de revolta que remeti, no dia 30 de setembro, carta aberta aos jornais de Manaus – transcrita a seguir – para pedir que alguém tome alguma iniciativa.
“Solicito que a mídia adote uma postura firme para combater as constantes interrupções de energia que se alastram por Manaus, em época de extremo calor e estiagem. No interior as cidades sofrem com os chamados rodízios (apaga aqui, acende ali). Moro no Conjunto Kyssia e somente nesta noite de quarta-feira (29/09) sofremos com quatro interrupções, a mais longa foi das 21:00h às 23:45h e tenho dezenas de testemunhas. O calor infernal atormentou trabalhadores, pessoas idosas e até um recém-nascido teve que ser acolhido dentro de um carro, com ar condicionado ligado durante mais de duas horas. Além disso, pessoas afetadas pelo desconforto, sequer foram atendidas pelos telefones 0800701013001 e 08002808080, pois dava sempre em gravações. Total falta de respeito para com o público, que paga impostos, paga as contas e ainda serve de palhaço, pois não tem a quem recorrer. Recentemente trocaram os medidores por outros mais modernos e que contam até pensamento, enquanto que a iluminação pública é de péssima qualidade, com lâmpadas amareladas que não iluminam as ruas, facilitando a vida dos bandidos. São especialistas para cobrar, mas são péssimos prestadores de serviço. Como é que uma cidade nestas condições poderá receber uma Copa do Mundo? Onde estão os investimentos neste setor? Será que falta iluminação por longas horas nas casas dos Chefes dos Poderes Executivo, Legislativo, Judiciário, do Ministério Público, dos políticos que estão há décadas no poder? Porque alguém não encara esta situação de frente?
Para concluir, cito mais dois exemplos de pessoas que trabalham na minha casa: na Compensa 3, perto do CNA e no Conjunto Pró-Morar, convivem com interrupções constantes e diárias, principalmente à noite.Cordialmente, mas extremamente irritado com esta situação que somente a mídia poderá reverter, pois este ainda é o melhor caminho diante do olhar de paisagem das autoridades que se esquecem da população, que muitas vezes só serve para eleger e do descaso da Amazonas Energia, que só muda de nome mas continua incompetente, prestando um péssimo serviço à coletividade”.
Seguindo a mesma linha, a péssima qualidade da internet, cara e lenta, é outro exemplo de descaso para com o amazonense. Revendo uma notícia de cinco de maio deste ano quando o governo prometia triplicar o acesso à internet banda larga até 2014, onde a ex-ministra chefe da Casa Civil Erenice Guerra afirmava que o objetivo do plano é expandir o acesso para as classes C e D e que “o desenvolvimento do país só será efetivo com o acesso à banda larga sendo utilizado como ferramenta de inclusão social”. Enquanto isso, jornais desta semana mostram previsão de que Manaus só deverá ser contemplada no Plano Nacional de Banda Larga do governo federal em 2013, após a conclusão da obra do Linhão de Tucuruí, que finalmente interligará o nosso estado ao Sistema Nacional de Energia Elétrica. Entra ano e sai ano, termina uma eleição e começa outra e os discursos são os mesmos: renovação do prazo de vigência da Zona Franca e do Pólo Industrial de Manaus, as “ameaças” contra o PIM, mais empregos, combate à pobreza, melhoria no fornecimento de energia, e isto me lembra muito a famosa indústria da seca no nordeste, que manteve no poder por décadas políticos desprovidos de qualquer interesse público. É por esta razão que, lamentavelmente, o Tiririca teve uma enxurrada de votos.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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