Manaus dos campeões de futevôlei

Em: 24 de novembro de 2022

Esporte genuinamente brasileiro, surgido nas praias do Rio de Janeiro na década de 1960, o futevôlei hoje é praticado em todo o país e em Manaus não está sendo diferente. De acordo com o professor de futevôlei Rodrigo Nóbrega, há 30 o esporte começou a surgir aqui, não nas areias da Ponta Negra como é de se imaginar, mas nas quadras do Bosque Clube.

“À medida que o pessoal foi descobrindo o novo esporte, ele foi se espalhando pela cidade. Só então foi para a Ponta Negra, depois conjunto Tocantins, CSU do Parque Dez de Novembro, Avam (Associação dos Vizinhos e Amigos do Mindú), também no Parque Dez, São Lázaro, Nova Cidade. Hoje temos mais de 30 locais onde o futevôlei é praticado regularmente, em Manaus, inclusive em outros municípios do Estado”, contou.

“Atualmente todos os bairros de Manaus tem ao menos uma quadra de futevôlei”, afirmou.

O futevôlei é jogado por duas equipes com dois jogadores por equipe. Cada equipe ocupa um lado da quadra retangular de vôlei de praia, com delimitações oficiais de 9m x 18m. No centro dessa quadra é disposta uma rede com altura de 2,20 metros, por cima da qual a bola deve ser jogada pelos jogadores, que não podem tocar nela. O objetivo é atingir a quadra do adversário, como no vôlei, porém, sem usar as mãos, apenas com toques feitos com os pés, coxas, peito, cabeça e ombros.

“Essas são as regras oficiais do esporte, mas aí o pessoal começa a fazer variações, então existem times com três contra três, e até quatro contra quatro”, disse.

Direto de Maués

Ano passado a dupla Fabrício Brisa e Sandrey foi eleita a melhor dupla de futevôlei do Brasil. O ataque de tubarão (shark attack) é a jogada mais temida pelos adversários dos cariocas. Consiste em saltar junto à rede e chutar a bola com a sola do pé num ataque praticamente indefensável.

Agora, o maior jogador de todos os tempos do futevôlei é o alagoano Fábio Alves Soares, o Bello, reconhecido pelos demais atletas como o maior jogador da história desse esporte. O atleta evoluiu e continuou conquistando seus títulos a cada mudança de regra. O documentário ‘Bello, o rei do futevôlei’, lançado este ano, conta a vida de Fábio, nascido na pequena cidade de União dos Palmares. Ele foi campeão brasileiro 29 vezes, com dois títulos da Copa do Brasil, nove mundiais, e seis da LNF (Liga Nacional de Futevôlei).

E o Amazonas também teve um jogador consagrado nacional e internacionalmente, o mauesense Guilherme Perrone, o Guigui. Guilherme se destacou no esporte a partir de 2004 quando conquistou vários títulos nacionais e seis campeonatos mundiais. Como o futevôlei é uma prática que não vê o tempo passar, até hoje, aos 39 anos, Guigui continua a disputar partidas com jovens iniciantes, de igual para igual. Um dado curioso na história desportiva do atleta é ele ter se encontrado com o jogador Romário, em 1994, logo após a conquista da Copa do Mundo daquele ano, quando o ‘baixinho’ foi o maior destaque da competição. Romário estava na Ponta Negra disputando uma partida de futevôlei e Guigui fez amizade com o artilheiro. De volta a Maués, Guigui se juntou com amigos e começou a jogar futevôlei. Iniciou ali a sua trajetória no esporte.

Romário, na década de 1990, foi o grande divulgador do futevôlei no Brasil e até hoje, aos 56 anos, continua a praticá-lo. Aposentado do futebol desde 2007, em fevereiro deste ano Romário disputou, na praia da Barra da Tijuca, no Rio, o desafio pela TAFC (Team Águia Footvolley Cup). Não conquistou o título, mas foi a atração quando entrava na quadra, se mantendo como o principal divulgador do esporte no país.

Mais futevôlei

Apesar de pouco divulgado, há 20 anos Manaus tem uma federação de futevôlei e todo ano a cidade recebe campeonatos, brasileiro e mundial, que ocorrem na Ponta Negra e nos CTs (Centros de Treinamento) espalhados em vários bairros. Rodrigo tem um desses CTs, o CT X9.

“Tenho há sete anos, no Parque das Laranjeiras. Somos o CT que mais forma campeões em todas as categorias: amadores, iniciantes e profissionais, inclusive temos meninas campeãs. Hoje meu CT reúne quase 100 alunos. Sobre a idade para jogar, pode iniciar aos oito anos e continuar enquanto aguentar fazer as jogadas”, falou.

Rodrigo também faz parte do projeto ‘Mais futevôlei nos bairros’, implantado pelo Governo do Amazonas em março passado. Já ocorrendo em seis bairros, o objetivo é chegar a dez, reunindo crianças e adolescentes de oito a 17 anos. O Campo do Passarinho, Baixada Fluminense, Arena Monte, Campo do Curió e Campo do Teixeirão disponibilizam, cada núcleo, um total de 120 vagas. No núcleo com mais vagas, a Vila Olímpica, são disponibilizadas 240 matrículas. O projeto tem o objetivo de alcançar mais de três mil jovens.

Empolgado com o ‘Mais futevôlei nos bairros’, Guigui comemorou, “isso é um sonho, não é de agora que a modalidade vem buscando um projeto como esse. O Governo do Amazonas o abraçou e pode ter certeza que futuramente vão sair daqui novos campeões mundiais que irão representar nosso Estado”.

Informações: 9 8469-4747, Instagram: @futevoleix9; Federação: @fafv

Por Evaldo Ferreira

Insta: @evaldo.am  Face: @jcommercio 

*** 

Evaldo Ferreira

é repórter do Jornal do Commercio
Pesquisar