Com 6.261 postos de trabalhos perdidos no primeiro semestre, Manaus aparece como a terceira cidade brasileira – e a primeira capital – entre as 50 que mais demitiram no período, segundo os dados do Caged (Cadastro Nacional de Empregados e Desempregados), divulgados no último dia 17 de julho pelo MTE (Ministério do Trabalho e Emprego). Os números da capital amazonense só são melhores do que os das cidades de Ipojuca (PE) e Coruripe (AL), que demitiram respectivamente 11.537 e 7.062 trabalhadores.
O setor que mais demitiu, nos seis primeiros meses de 2014, de acordo com o Caged foi a indústria. Mesmo com o impulso dado pela Copa do Mundo, o desempenho da indústria no primeiro semestre foi o pior entre todos os setores avaliados, com 31.636 demissões contra apenas 28.235 demissões, o PIM fechou o primeiro semestre com o saldo negativo de 3.401 vagas. Só no mês de junho, o Polo Industrial de Manaus abriu 3.071 empregos formais, enquanto os desligamentos foram 3.581 – um saldo de 510 vagas fechadas somente no setor industrial em seis meses.
A economista Denise Kassama explica que a posição de Manaus entre as cidades brasileiras que mais demitiram em 2014 se justifica pelas características da economia local, que ainda está fortemente ligada ao Polo Industrial, que acabou sendo negativamente impactado pelo cenário externo. Segundo ela, boa parte das demissões foi referente ao Polo de Duas Rodas e suas respectivas cadeias de fornecedores.
“Houve uma retração ao crédito, dificultando o consumidor a adquirir bens de maior valor. As principais marcas de motocicletas existentes no mercado brasileiro possuem plantas fabris em Manaus. Assim, se há uma redução nas vendas, haverá uma redução na fabricação destes produtos. Os elevados custos da mão de obra impossibilitam o empresário a manter um quadro funcional sem retorno de vendas direta ou indiretamente”, diz Kassama.
Para o economista Jose Laredo, o PIM que representa o quinto parque industrial do país é o mais afetado quando a economia fraqueja, pois produz em sua maioria produtos de consumo de massa.
“Com um PIB de 1%, inflação de 6,58% acumulada nos últimos meses e com baixa produtividade na indústria, a população fica mais seletiva nas compras, porque com a inflação retornando o poder de compra de modo geral, cai aproximadamente 0,5% ao mês”, conclui Laredo.
Rotatividade
Para o presidente do Sindmeltal (Sindicato dos Metalúrgicos do Amazonas), Valdemir Santana, este alto índice de demissões se justifica pela alta rotatividade no setor. Segundo Valdemir, nem mesmo a Copa do Mundo foi capaz de salvar os empregos, já que as empresas evitam criar vínculos com os seus empregados, demitindo-os poucos meses após a contratação.
“Esse número é muito alto em relação ao ano passado por que as empresas contrataram muita gente em janeiro, na época de férias, para suprir a demanda da Copa do Mundo. Como o serviço é muito fácil de aprender, os empresários demitem e contratam novamente daqui dois meses. Por mais que o faturamento de milhões de dólares, eles não têm compreensão com os trabalhadores. Não estão nem aí”, lamentou o sindicalista.
Sindicato negocia reajuste
Desde a última quarta-feira (23), os trabalhadores da indústria metalúrgica de Manaus vêm negociando junto às empresas o reajuste anual de salários. A proposta do sindicato é de aumento de 13,15% a partir de 1° de agosto, com ganhos acima de 4% sobre a inflação. Segundo Valdemir Santana, as empresas ainda não apresentaram contraproposta, mas espera que as negociações se encerrem até a próxima semana.
“Esperamos que dê para fechar esse acordo até o fim do mês. Já começamos a conversar com os empresários sobre as cláusulas sociais. Amanhã (hoje) temos outra reunião e vamos até a semana que vem”, disse.







