Manaus para viver, amar e entender

Em: 23 de outubro de 2013
No dia em que Manaus recebe de volta um de seus maiores patrimônios, o Mercado Adolpho Lisboa, é bom debater por que as cidades devem preservar este tipo de edificação
No dia em que Manaus recebe de volta um de seus maiores patrimônios, o Mercado Adolpho Lisboa, é bom debater por que as cidades devem preservar este tipo de edificação

No dia em que Manaus recebe de volta um de seus maiores patrimônios, o Mercado Adolpho Lisboa, é bom debater por que as cidades devem preservar este tipo de edificação.
Discute-se muito hoje a necessidade de preservação do Patrimônio Cultural, valorização do passado e memória coletiva das cidades; não só na arquitetura, mas em diversas áreas do conhecimento humano.
O Patrimônio Arquitetônico representa uma produção simbólica e material, carregada de diferentes valores e capaz de expressar as experiências sociais de uma sociedade. Mas, com o rápido e desordenado crescimento das cidades brasileiras, com uma progressiva perda e descaracterização do Patrimônio Histórico, existe a constante necessidade de transformação dos espaços urbanos, paralelo às implicações referentes à qualidade ambiental e preservação do patrimônio construído.
As cidades não são locais onde apenas se ganha dinheiro, não se resumem apenas em dormitório para seus habitantes. Nelas vivem seres humanos que possuem memória própria e é parte integrante da sua história. Por esse motivo, não passa despercebido pelos habitantes das cidades a destruição da casa de seus antepassados, de antigos cinemas, bares, teatros e outros prédios históricos. Toda essa “destruição do patrimônio” para dar lugar ao automóvel ou aos gigantes edifícios de aço e concreto deixam as cidades poluídas, sem emoção e seus habitantes perdem um pouco da identidade e a identificação com o local onde vivem.
Passada a euforia do modernismo, o homem se volta para a busca de seu passado, de suas memórias. Essa busca vem do anseio de uma civilização dominada pela tecnologia, que deseja voltar seus olhos para o passado. Uma espécie de saudade da época em que as cidades eram mais humanas, em que o homem tinha mais tempo para refletir sobre seu destino.
Assim, a memória coletiva das cidades está em seus velhos edifícios. Eles são testemunho mudo, porém valioso, de um passado distante. Servem para transmitir às gerações posteriores os episódios históricos que neles tiveram lugar e também como referência urbana e arquitetônica para o nosso momento atual. Preservá-los é necessário não só para que os turistas façam fotos ou para mostrar aos filhos e netos, mas para que as gerações futuras possam sentir “in loco” a visão de uma cidade humana e como se vive nela.
Afinal, uma cidade sem seus velhos edifícios é como um homem sem memória.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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