O mercado de obras de arte em Manaus é silencioso. É efervescente, mas você não vê agitação de compras e vendas. Mas ele existe, e é bem intenso. Shoppings como o Millennium, o Sumaúma e o Ponta Negra mantém galerias fixas.
“Quando cheguei a Manaus, em 1987, vindo de Macapá, a cidade tinha menos de um milhão de habitantes. Hoje tem mais de dois milhões e mudou bastante. Era uma cidade horizontalizada que rapidamente foi verticalizada, surgindo prédios e condomínios o que impactou diretamente no mercado de obras de arte”, informou o artista plástico Eduelsonn, marchand do Espaço Cultural Arte Abstrata, no Millennium Shopping.
“Quem ocupou esses apartamentos e residências de alto padrão foram executivos que vieram trabalhar no Polo Industrial de Manaus e pessoas da sociedade manauara de emergentes, surgidos ao longo dessas décadas. Essas pessoas precisavam, e precisam, decorar suas novas habitações. Nessa hora surgem os artistas com seus quadros, esculturas e peças de decoração”, disse.
“Quando o Millennium foi inaugurado, em 2004, fui o primeiro artista a expor no shopping. Desde aquela época ficaram quadros meus por lá. Em fevereiro do ano passado eles me convidaram a ficar responsável por este espaço, que eu ocupei somente com as minhas obras”, falou.
Durante toda a sua vida Eduelsonn tem se dedicado aos seus trabalhos artísticos.
“Sempre quis ser artista. Na época que vim para Manaus os artistas daqui só pintavam o regionalismo. Anísio Mello era o único a pintar o abstrato, estilo que eu também gostava de pintar”, lembrou.
“Aprendi que qualquer trabalho que você faça e se eternize é uma obra de arte, mas você se torna um artista quando expõe em galerias e museus, seu trabalho é admirado pelas pessoas e você passa a viver daquilo”, ensinou.
“Como dar preço para uma obra? No Sul o artista de valoriza à medida que ganha prêmios em exposições. Aqui, como não temos exposições renomadas, colocamos o valor da obra de acordo com o que o cliente pode pagar, mil, três mil, cinco mil reais”, informou.
“Aqui na galeria recebo vários tipos de clientes: executivos de outros estados e países, empresários emergentes, turistas. Os turistas pagam bem, porque como na Europa a arte é valorizada, eles as valorizam aqui”, garantiu.
Informações sobre Eduelsonn: 9 9135-1331. Facebook: Eduelsonn Arte
Mercado sempre em evolução
José Carlos está há bem mais tempo trabalhando com arte, em Manaus. Ele começou a pintar quadros em 1984, mas seu lado marchand acabou falando mais alto e, em 1998, inaugurou a galeria Palácio das Artes, na rua Luiz Antony.

“Em 2016 o Millennium me convidou para ocupar uma das lojas no shopping, e desde então estou aqui. É uma parceria do shopping com os artistas plásticos de Manaus. Ao mesmo tempo que a galeria itinerante ocupa os espaços vazios de alguma loja que tenha saído do mall, abre espaço para os artistas mostrarem seus trabalhos para um público de bom poder aquisitivo”, disse.
“Nesses 21 anos da galeria Palácio das Artes, e três aqui no Espaço Cultural Millennium, tenho observado a relutância e dificuldade das pessoas em entrar numa galeria. Elas acham que é um espaço para ricos e que, ao entrar, deverão ter que comprar alguma obra. Isso já mudou bastante. Hoje tem muita gente que entra apenas para admirar os quadros, mas ainda têm outras tantas que temem fazer isso”, revelou.
“Com a minha experiência de 35 anos nesse meio, posso garantir que o mercado das artes, em Manaus, sempre esteve em evolução. Tenho vários colegas que vivem exclusivamente da arte que produzem, e tantos outros sobrevivem dela. Manaus já tem pessoas que colecionam obras de arte”, destacou.
“O que precisamos ter mais são exposições. O Estado tem ajudado bastante, mas precisamos de mais e mais exposições, e exposições que ganhem renome tanto em nível nacional quanto internacional”, observou.
“Como dar preço a uma obra? Manaus é uma das capitais onde o preço dos quadros é um dos mais altos. Temos artistas que cobram R$ 15, R$ 20 mil num quadro, e não os vendem. Temos que facilitar para que as pessoas os comprem. Para a maioria dos compradores, preço acima de mil reais já está caro, mas consigo vender quadros de dois, três mil reais”, revelou.
“E digo mais. Tem artistas aí que conseguem vender quadros por mais de três mil reais, porque conseguiram fazer seus nomes. Quem compra mais são advogados, médicos, empresários emergentes e tem quem compre para dar de presente. Turistas são raros”, afirmou.
“Quando comecei, há 35 anos, os artistas plásticos de Manaus eram todos conhecidos, porque eram poucos. Hoje são tantos, e tantos muito bons, que nem todos conseguirão aparecer. Mas se forem profissionais dedicados, com certeza irão viver de suas obras”, garantiu.
Informações sobre José Carlos: 9 8182-6390. Face: Galeria Palácio das Artes
Outras galerias
– Galeria Etnia Amazônica, da artista plástica Rosa dos Anjos
Rua Tapajós, 19, Centro (ao lado da igreja de São Sebastião)
– Galeria de artes do Icbeu
Av. Joaquim Nabuco, 1286, Centro
– Galeria HA, do artista plástico Homero Amazonas
Shopping Ponta Negra







