O País voltou à normalidade. Os atos que questionaram o resultado das eleições se arrefeceram completamente. Os apoiadores do presidente Jair Bolsonaro (PL) atenderam aos seus apelos para a liberação das rodovias..
Sem dúvida, grande parte da população brasileira se diz inconformada com a derrota do presidente na disputa presidencial. Porém, ele promete dar continuidade à sua bandeira de luta. “Por favor, liberem as estradas. Não devemos cercear o direito de ir e vir das pessoas. Estarei sempre com vocês no propósito de combater a corrupção”, disse. “E exigirei a prestação de contas dos recursos públicos, como deve ser”, acrescentou Bolsonaro, convencendo seus seguidores a desistir dos atos públicos no Brasil. O apelo também aconteceu durante o final de semana…
Foram praticamente três dias de manifestações, bloqueando estradas federais em aproximadamente 21 Estados do Brasil, comprometendo o abastecimento dos mais diversos produtos no mercado de consumo.
No Amazonas, as rodovias BR-174 e parte da Transamazônica foram praticamente liberadas. A estrada que liga Manaus a Boa Vista retomou normalmente o tráfego. Na BR-319, uma balsa foi deslocada para transportar veículos no lugar de pontes que desabaram por falta de manutenção e pelas péssimas condições da infraestrutura logística.
Na quarta-feira, porém, 5 mil pessoas se aglomeraram em frente ao CMA (Comando Militar da Amazônia), na Ponta Negra, zona Centro-Oeste de Manaus, pedindo que as Forças Armadas dessem um novo golpe.
As reivindicações pela intervenção militar também atingiram grandes centros urbanos da região Sudeste, entre eles Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Os apoiadores do presidente tiveram, inclusive, ajuda de policiais militares e de integrantes da PRF (Polícia Rodoviária Federal), mobilizados pelo TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para dispersar os manifestantes, segundo informações oficiais de alguns servidores do poder central.
“Não me conformo que um ladrão seja eleito de novo para a Presidência da República”, lamentava Margel Loureiro, comerciária, que participava da concentração em frente ao CMA, na quarta-feira. “Os militares têm que fazer alguma coisa. Não é possível que vá acontecer tudo novamente”, afirmou.
Comunicado
Na quinta-feira (3), o CMA divulgou uma nota negando que militares tenham permitido a manifestantes a utilização de equipamentos e estrutura da instituição durante o ato público na quarta-feira, em frente ao quartel. O comando soltou o comunicado após testemunhas terem denunciado que o movimento teria recebido esse suposto apoio.
A ajuda teria sido para conexão com internet e pontos de eletricidade para recarregar baterias de celulares dos manifestantes. “Não houve nenhuma colaboração ou manifestação do Comando Militar da Amazônia em apoio a qualquer manifestação. O nosso expediente se deu de forma normal”, afirmou a nota divulgada pelo CMA.
O comando lembrou, ainda, que os portões do quartel ficaram o tempo todo fechados. “Nenhum militar tem autorização para abrir o portão para que alguém entrasse ou simplesmente entregar alguma água ou qualquer outra coisa. Não tem a mínima autorização. O bebedouro dos soldados fica a 100 metros do portão. Os soldados usam cantil para tomar água”, acrescenta a instituição.
Na sexta-feira (4), o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), cobrou do diretor-geral da PRF, Silvinei Vasques, a apresentação de “todas as informações disponíveis sobre a identificação dos líderes, em especial a identificação dos proprietários dos veículos utilizados” nos bloqueios nas estradas.O prazo é de 48 horas.
Segundo o ministro, os dados deverão ser usados para avaliar os casos e decidir pela aplicação de multa judicial, que pode chegar a R$ 100 mil por hora. Em um relatório, entregue mais cedo para o STF, a PRF informou que já aplicou 3.500 multas administrativas por infrações de trânsito desde a segunda-feira (31). Além disso, a corporação já conduziu 37 prisões por crimes como desobediência, incitação ao crime e porte ilegal de arma.
“Intime-se, com urgência e inclusive por meios eletrônicos, o diretor-geral da Polícia Rodoviária Federal para que apresente, no prazo de 48 horas, o relatório circunstanciado de todas as multas aplicadas em cumprimento à decisão proferida nos presentes autos, com a identificação dos veículos e pessoas autuadas”, cobrou Alexandre de Moraes.
Por MARCELO PERES
Face: @marcelo.peres Instagram: @jcommercio







