Por medida de segurança a Aleam (Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas) foi cercada por tropas da Polícia Militar e encerrou suas atividades mais cedo, na manhã de segunda-feira (1º). Temendo sofrer danos ao patrimônio público e para evitar confronto direto com manifestantes, a Aleam decidiu fechar as portas às 11 horas da manhã, logo após o término da Audiência Pública alusiva ao Dia de Combate à Violência Contra o Idoso, comemorado em 15 de junho, proposta pelo deputado estadual do PPS, Luiz Castro e contou com a participação de representantes do poder público e da sociedade civil organizada, ligados à proteção e bem-estar das pessoas idosas.
Medida de segurança
A medida de segurança foi anunciada pelo presidente dos trabalhos, deputado estadual do PTN, Abdala Fraxe “hoje excepcionalmente antecipamos o encerramento dos trabalhos nesta Casa diante da manifestação que caminha em nossa direção, mas todos os presentes podem ficar tranquilos que o alvo das manifestações não são os idosos, mas somos nós políticos”, avisou.
Adbala Fraxe disse ao Jornal do Commercio que os políticos pertencente a Aleam têm que aceitar e acatar as manifestações populares, desde que sejam realizadas de forma educada e sem danificar o patrimônio público. “Manifestações têm razão de ser e têm razão de existir e nós enquanto políticos temos que entender esse recado das ruas e tentar melhorar nosso trabalho, nosso desempenho para que a população tenha um retorno das escolhas que ela fez nas urnas”, frisou Adbala Fraxe.
Legislativo perde poder
De acordo com o deputado do PPS, Luiz Castro ele acredita que o poder legislativo é o mais exposto à pressão popular legítima, que é sua própria prerrogativa, indo contra os interesses da população. “Porque o legislativo é um poder que deveria, pelo menos, representar a sociedade e não os desmandos; fiscalizar o poder executivo; fazer as cobranças que hoje a sociedade está fazendo nas ruas. E muitas vezes o legislativo seja federal, estadual ou municipal tem sido conivente e em alguns casos até tem apoiado medidas que são contra os interesses da população”, lembrou Luiz Castro ao JC.
Violência contra idosos
Na visão do vereador do PSB, Elias Emanuel este é um momento oportuno para se discutir a violência contra o idoso na cidade de Manaus que também estão de forma representativa acompanhando as manifestações pacíficas. Ele disse que a sociedade precisa ter consciência que está envelhecendo, em 1960 a população de idosos no Brasil era apenas de 4,5% da população do país, hoje representa mais do que o dobro, com 10,9% segundo dados do IBGE. “O Brasil é um país que envelhece a passos largos. Quanto mais nós falarmos sobre a violência cometida contra o idoso , quanto mais ela ocorre, mais nós podemos sacudir a sociedade e buscar alternativas para evitá-la”, afirmou o parlamentar.
Ameaça
O grupo de manifestantes UMM (União dos Movimentos de Manaus) ameaçava acampar em frente a Aleam caso fossem impedidos de protocolar o documento com as reivindicações elaboradas pelo grupo ao afirmar que esta é uma prévia convocação para a 1ª Greve Geral Contra a Corrupção. Segundo um dos organizadores do UMM, Rodolfo Marinho, mais de 20 mil pessoas eram esperadas até o final do dia. “As pessoas que estavam na manifestação na zona Leste já seguiram para a Assembleia. A nossa intenção é de entregar a pauta de reivindicações para o presidente da Casa”, disse Marinho.
Rodolfo Marinho garante que o movimento popular é pacífico e ordeiro com foco no repúdio à corrupção. “Repudiamos qualquer ato de vandalismo. Oriento que, no caso de confusão, as pessoas sentem no chão. O chefe de operações da Polícia Militar nos garantiu que não vai agredir ninguém. Nós lutamos contra a corrupção e vamos acampar na frente da Assembleia se for preciso”, afirmou.
Paralisação
O grupo de manifestantes UMM iniciou a concentração às 9 horas da manhã na Praça da Matriz e saiu com atraso, às 11 horas, por conta da paralisação dos funcionários da empresa de transportes Global Service, localizada no bairro de São José Operário, zona Leste da cidade, que aconteceu por volta das 8 horas com dois ônibus da empresa sendo incendiados. Parte dos manifestantes deixou aquele local e seguiu de forma pacífica para a sede da Aleam, onde se uniu ao grupo UMM.
A 1ª Greve Geral contra a Corrupção teve início na internet, através das mídias sociais e pretende acampar em frente à Aleam para garantir a que a pauta de reivindicações seja votada pela Casa. “Peço que levem velas para fazermos um ato contra corrupção e ainda, se possível, que as pessoas levem comida para quem vai acampar”, solicitou Rodolfo Marinho.







