Manifestantes marcam ‘beijaço’ gay

Em: 30 de setembro de 2014
Pauta renasceu depois de declaração de Levy Fidelix durante debate na Record
https://www.jcam.com.br/FOTO_30092014 A4.jpg
Pauta renasceu depois de declaração de Levy Fidelix durante debate na Record

Após o candidato a deputado federal Tiririca (PR-SP) sair em defesa dos homossexuais, manifestantes da causa LGBT (lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros) organizam um “beijaço” gay na avenida Paulista em resposta ao discurso do candidato do PRTB à Presidência, Levy Fidelix sobre a causa gay.
De acordo com a página do evento no Facebook, o grupo marcou um encontro para esta terça-feira (30), às 17h, em frente ao vão livre do Masp (Museu de Arte de São Paulo), na região central da capital paulista.
“Queremos fazer um ato que mostre que não aceitamos que esse tipo de discurso homofóbico do Levy possa ser dito com tanta naturalidade em rede nacional! É um absurdo que um presidenciável incite o ódio desse jeito, em um período em que todos os dias estamos vendo nas notícias a morte de gays, lésbicas, travestis e pessoas transexuais!”, diz o texto da página do evento, que já conta com mais de 5.000 participantes confirmados.
Durante o debate promovido pela TV Record na noite deste domingo (28), o presidenciável Levy Fidelix fez um discurso duro ao dizer que “aparelho excretor não reproduz”. Fidelix associou a homossexualidade com pedofilia e afirmou que gays precisam de atendimento psicológico “bem longe daqui”.
O candidato também atrelou a homossexualidade a casos de pedofilia na igreja e conclamou “a maioria” a “enfrentar essa minoria”. “Não tenha medo de dizer que sou pai, uma mãe, vovô, e o mais importante, é que esses que têm esses problemas realmente sejam atendidos no plano psicológico e afetivo, mas bem longe da gente, bem longe mesmo porque aqui não dá”, concluiu.
O site do jornal britânico “The Guardian” destacou o debate entre os candidatos ao Palácio do Planalto, como uma noite ruim para a democracia e a tolerância.
A reportagem diz que o encontro entre os candidatos foi marcado pelo discurso homofóbico do candidato Levy Fidelix.

Proteção
Após fazer declarações homofóbicas durante o penúltimo debate presidencial, o candidato do PRTB à Presidência, Levy Fidelix, vai pedir proteção à Polícia Federal nesta reta final das eleições. No domingo à noite, Fidelix atacou a comunidade LGBT, gerando uma série de protestos nas redes sociais. Coletivos contra a homofobia já anunciaram que vão fazer atos contra o candidato. No comitê de campanha da legenda, na Alameda dos Tupiniquins, em Moema, zona Sul de São Paulo, os portões permanecem fechados com segurança privada na porta. “Tudo que eu tinha para falar eu já falei ontem”, se limitou a dizer no final da tarde Fidelix. Segundo o advogado Marcelo Duarte, que representa o candidato, Levy Fidelix não irá se pronunciar sobre o assunto. Duarte anunciou que o pedido é para garantir a segurança de Fidelix: “Como candidato, ele tem este direito. Até hoje ele não o fez por não achar necessário, mas as circunstâncias mudaram”, explicou o advogado afirmando que o candidato não vai se retratar sobre a questão. “Não há do que se retratar. Meu cliente disse que prefere eles de um lado e ele do outro. Isso não é crime”.
Durante o debate da rede Record, a candidata Luciana Genro (PSOL) questionou o candidato sobre as políticas públicas dele sobre a união homoafetiva e políticas públicas relacionadas à comunidade LGBT. Levy polemizou ao relacionar homossexualidade à pedofilia na resposta:
“Aparelho excretor não reproduz. Como é que pode um pai de família, um avô ficar aqui escorado porque tem medo de perder voto? Prefiro não ter esses votos, mas ser um pai, um avô que tem vergonha na cara, que instrua seu filho, que instrua seu neto. Vamos acabar com essa historinha. Eu vi agora o santo padre, o papa, expurgar, fez muito bem, do Vaticano, um pedófilo. Está certo! Nós tratamos a vida toda com a religiosidade para que nossos filhos possam encontrar realmente um bom caminho familiar”, disse.
Durante todo o dia, grupos de direitos LGBT se manifestaram contra as posições defendidas por Levy.
Desde o início da manhã de segunda-feira, Levy Fidelix esteve isolado no segundo andar da sede nacional do PRTB. O vai e vem de assessores e colaboradores foi intenso. O medo de represálias fez com que todas as placas e propagandas instaladas próximos ao imóvel da Alameda dos Tupiniquins fossem retiradas. Os carros do candidato que estavam estacionados na rua foram recolhidos à garagem da sede do PRTB. Pelo menos outros quatro carros estacionados na via tiveram sua propaganda removida. Uma placa de um metro e meio posicionada na frente da entrada principal do imóvel com a imagem de Fidelix com sua filha Lívia, candidata à Câmara dos Deputados foi guardada.
O candidato do PRTB, que defendeu posições contrárias à causa gay durante o penúltimo debate presidencial realizado no domingo à noite, só está recebendo os aliados mais próximos. Oficialmente, a restrição é por conta da data. Segundo funcionários da legenda, hoje, Levy está fechando pessoalmente as contas da campanha.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
Pesquisar