Mantega diz que vai propor ação coletiva para o câmbio

Em: 11 de outubro de 2010
O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ontem que vai apresentar propostas para uma ação coletiva do G20 -grupo que une as 20 maiores economias do mundo- para evitar o que ele chamou de “guerra cambial”.
O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ontem que vai apresentar propostas para uma ação coletiva do G20 -grupo que une as 20 maiores economias do mundo- para evitar o que ele chamou de “guerra cambial”.

O ministro Guido Mantega (Fazenda) disse ontem que vai apresentar propostas para uma ação coletiva do G20 -grupo que une as 20 maiores economias do mundo- para evitar o que ele chamou de “guerra cambial”.
“Estou otimista, acho que podemos resolver o problema se tivermos uma ação coletiva. No G20, podemos ter um acordo parecido com o Plaza Accord”, disse em Washington, onde participa da reunião do FMI (Fundo Monetário Internacional) e do Banco Mundial.
O chamado Acordo de Plaza foi fechado entre governos de cinco países desenvolvidos (Estados Unidos, Alemanha, Japão, França e Reino Unido) para depreciar a cotação do dólar em relação ao iene japonês e ao marco alemão. A moeda norte-americana havia chegado a um valor recorde frente a diversas divisas, causando um aumento no deficit comercial dos EUA.
“Temos que caminhar para soluções de conjunto, não soluções isoladas. Porque se cada um ficar defendendo os seus interesses, nós vamos acabar tendo um conflito muito sério, que será prejudicial para todos os países. Temos que verificar qual é o problema, e eu acho que é a fraca recuperação das economias avançadas, o que leva a uma disputa de mercado”, declarou. No início da semana passada, Mantega já havia afirmado que o mundo vive uma “guerra cambial”, em que os países buscam desvalorizar as suas moedas, para aumentar a competitividade das suas exportações. Na ocasião, o ministro já havia adiantado que o país poderia lançar mão de mecanismos para evitar uma valorização cambial exagerada no país.
E nesta semana, o governo multiplicou esforços nesse sentido. Já na segunda-feira, a equipe econômica dobrou a alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para investimentos em renda fixa por aplicadores estrangeiros. Pouco depois, ampliou o limite de compras de dólares para o Tesouro Nacional no mercado financeiro doméstico. E hoje, voltou a regulamentar as aplicações de IOF, de modo a evitar o que investidor estrangeiro migre de aplicação para evitar a tributação mais alta na renda fixa.
O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, disse hoje ser “desejável” um acordo global sobre o câmbio para evitar o que o ministro Guido Mantega (Fazenda) chamou de “guerra de moedas”, mas não vê possibilidade de tal cenário se consolidar no curto prazo.
“Não acho isso tão provável no curto prazo, mas acho desejável, acho que se deve caminhar nessa direção. Espero que aconteça”, afirmou Meirelles ao ser indagado sobre um acordo cambial após discursar em evento sobre o Brasil promovido pela Câmara de Comércio dos EUA, em Washington, onde está para a reunião do FMI.
Meirelles deu a entender, no entanto, que o melhor fórum para isso seria o G20 -e de forma nenhuma o FMI. “O acordo tem de ser de Estados soberanos, não será uma instituição global que vai impô-lo. Ele teria de ser feito pelos principais atores nesse processo”, afirmou, insistindo de que teria de ser um movimento multilateral e sincronizado.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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