Manaus sempre foi lugar seguro para os imigrantes que vêm das Arábias, seja em busca de melhores dias ou fugindo de guerras. O Centro Islâmico do Amazonas, criado somente para divulgar a religião islâmica, se tornou o local onde, hoje, árabes e seguidores do islamismo, podem buscar refúgio tanto espiritual quanto físico na capital amazonense.
“Desde que sejam imigrantes legais, os recebemos e os ajudamos, dando abrigo, alimentação e até emprego, ocorre que a maioria já tem como destino a cidade de São Paulo, então nós os encaminhamos para lá, se essa for a sua vontade”, falou Walide Saleh, presidente do Centro Islâmico, que funciona na mesquita, a primeira do Amazonas e do Norte do país, inaugurada em 2012, construída com doações da comunidade islâmica de Manaus.
Desde os primeiros imigrantes islâmicos, até aquela data, os árabes tiveram que fazer as orações em suas próprias casas. “Pesquisas mostram que as primeiras levas de árabes chegaram ao Amazonas entre 1840 e 1910, vindos da Síria e do Líbano, com passaporte turco, já que pertenciam ao império turco-otomano, daí todo sírio e libanês ter sido chamados de turcos há até pouco tempo”, explicou Walide.
“No final dos anos de 1940 e 1950, novamente sírios e libaneses, e agora palestinos, voltaram a imigrar para o Amazonas. Os palestinos vieram principalmente em função da criação de Israel, o que ocasionou muitos conflitos e guerras naquela região do Oriente Médio”, contou.
“No final dos anos de 1960, nova imigração de árabes. Nesta leva vieram meu pai e meus tios, da Palestina, fugindo da guerra. Atualmente ainda existem em Manaus alguns remanescentes daquela época, mas já são seus filhos e netos que formam a nova geração de islâmicos”, disse.
Na mesquita não se pede dinheiro
“Calculo que, atualmente, existam mais de dois mil descendentes de árabes, em Manaus, mas, seguidores do islamismo mesmo são menos de 400, entre maridos, esposas e filhos. Pela ordem, diria que temos palestinos, libaneses e sírios, e alguns poucos marroquinos e egípcios morando na cidade. Como estrangeiros em um outro país, sua obrigação é respeitar o lugar onde estão, a sociedade brasileira e as pessoas que os acolheram e praticar a nossa religião”, ensinou.
Na mesquita eles podem realizar suas cinco orações diárias obrigatórias, sete vezes por semana. A mesquita também está aberta ao público para visitações. Seguindo a arquitetura tradicional islâmica que dá vazão aos espaços interiores, a estrutura do templo recebe o mesmo estilo das demais obras muçulmanas. Suas duas torres brancas com cúpulas nas pontas se destacam, à distância, no Centro da cidade. Além dos salões para a realizar as orações, a mesquita conta também com salas de estudos construídas para oferecer cursos sobre a religião aos interessados pelo Islã, para ensinar a leitura do Alcorão e também da língua árabe. Às sextas-feiras, a partir do meio-dia, o sheik Hamed, atual líder religioso do templo, profere um sermão seguido de oração.
“No Centro Islâmico não falamos em dinheiro. Não pedimos e nem aceitamos dinheiro de ninguém. Só aceitamos ajuda de quem já tiver ajudado algum necessitado antes e realmente não estiver precisando da ajuda que quiser nos dar”, falou Walide, recém-saído do Ramadan, mês durante o qual os muçulmanos praticam o seu jejum ritual. “Das 4h50 às 18h05 não podemos nos alimentar e nem beber água e durante o mês inteiro não podemos ter relação sexual com nossas esposas. É uma maneira de nos desmaterializarmos das coisas do dia a dia e fazer esse sacrifício em honra de Deus”, disse.
“A mensagem que deixo aos amazonenses, diante desse mundo cada vez mais violento, é que busquemos Deus, um Deus que é único, e nos unamos em torno Dele na busca pela paz”.
Quem são os árabes
A palavra árabe se refere não apenas aos povos da Península Arábica, mas também a um grande segmento da população do Oriente Médio e Norte da África, nas Américas, no Chad, Irã e muitos outros lugares. De fato a maior parte dos 100 milhões de árabes vivem na Arábia Saudita, Jordânia, Qatar, Kuwait, Oman, Emirados Árabes, Bahrain, Iêmen, Iraque, Egito, Síria, Israel, Líbano, Líbia, Argélia, Marrocos, Sudão, Tunísia e Turquia.
E todos os árabes consideram a Península Arábica, seu lar ancestral. Foi onde sua língua se originou e é o local onde está o templo mais sagrado de sua religião, a Grande Mesquita, na cidade de Meca.
Muito antes da fundação do Islã, a Arábia era habitada por tribos, algumas viviam em comunidades permanentes, enquanto outras eram nômades. Essas tribos eram descendentes de algumas das duas ramificações de árabes: do patriarca Qahtan e de Ismael, filho do patriarca hebreu Abrahão.
A força mais poderosa no mundo árabe é o Islã (“submissão” aos desejos de Alá). É a religião que molda as atitudes, costumes e a justiça. O Islã é uma religião conservadora, orientada pela tradição baseada na interpretação do Livro Sagrado, o Corão.
Por causa da adesão dos árabes ao Islã, esses ideais de nacionalismo transcendem as fronteiras nacionais. Mesmo assim os Estados Árabes vivem às turras uns contra os outros.







