O presidente-executivo da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos), José Velloso, afirmou nesta quarta-feira (29), que após dois anos seguidos de queda no faturamento e recorde no deficit da balança comercial do setor, a perspectiva para este ano é de um resultado similar ao de 2013. “Devemos ter um ano igual ou um pouco melhor do que o ano passado, portanto, será um ano ruim”, afirmou.
No ano passado, o faturamento da indústria de máquinas e equipamentos foi de R$ 79,079 bilhões, queda de 5,7% ante 2012, quando já havia registrado queda de 3,4%. “Dizer que voltaremos aos R$ 80 bilhões é arriscado. Imaginamos terminar esse ano com faturamento entre R$ 79 bilhões e R$ 80 bilhões, o que significa estabilidade em relação a 2013”, afirmou.
Além disso, a balança comercial de máquinas e equipamentos registrou um deficit recorde de US$ 20,143 bilhões, resultado de US$ 12,475 bilhões de exportações e US$ 32,617 bilhões de importações. Segundo Veloso, essa situação também não deve ter uma alteração significativa. “Não vejo melhora importante nas exportações, mas o cenário de importações talvez melhore um pouco”, disse.
Veloso lembrou que o deficit da balança comercial do setor teve um acréscimo importante, já que havia sido de US$ 17 bilhões em 2012 e subiu para os US$ 20 bilhões. “Estamos prevendo uma balança de US$ 19 bilhões negativa”, afirmou.
O executivo disse ainda que nem as concessões do governo devem alterar as projeções do setor. “Ouvíamos falar muito disso antes por conta dos investimentos para a Copa do Mundo, mas não mudou nada para o setor de máquinas e equipamentos. E a mesma coisa que falavam da Copa, estão falando das concessões, mas enquanto os pedidos não chegarem eu não posso garantir que exista melhora do setor por conta das concessões”, explicou.
Câmbio
O executivo afirmou que “é difícil assegurar qual o câmbio competitivo para o setor, mas seguramente ele é acima de R$ 2,50”, disse.
O executivo ponderou que hoje o câmbio “não está em R$ 2,40 e sim está volátil.” “O BC (Banco Central) continua fazendo swaps e os leilões e está combatendo essa alta”, afirmou. Ele destacou ainda a iminência de o Federal Reserve (Fed, banco central norte-americano) anunciar mudanças na sua política monetária. “E isso também pode afetar o nosso câmbio. Ou seja, esse patamar que estamos ainda é muito volátil.”
Veloso explicou que apesar de a mudança cambial ser importante e trazer competitividade, “ela só vai refletir no resultado e no aumento das exportações a médio e longo prazo.” “Não se toma a decisão de compra de uma máquina de um dia para o outro. O empresário tem que acreditar que ele vai ter um preço competitivo desde o momento que ele tomar decisão de investir para exportar até ele embarcar o produto”, afirmou.
Segundo o executivo, apesar das barreiras, o setor tem no seu DNA a exportação e respondeu no ano passado por 13,5% do total das vendas externas brasileiras. As exportações do setor somaram em 2013 US$ 12,475 bilhões.







