Em uma sessão marcada pela emoção e pela celebração da cultura amazônica, a Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam) concedeu, nesta quinta-feira (7), a Medalha do Mérito Legislativo Ruy Araújo e o Título de Cidadã do Amazonas à cunhã-poranga do Boi Caprichoso, Marciele Albuquerque.
A homenagem reconhece a trajetória artística da representante azulada e sua atuação na valorização da cultura amazônica e na defesa das causas indígenas. O plenário da Casa Legislativa reuniu representantes dos bois Garantido e Caprichoso, em um momento simbólico de união em torno de uma das figuras mais populares do Festival de Parintins.

Durante o discurso, Marciele demonstrou emoção ao relembrar a própria trajetória e os desafios enfrentados até se consolidar como um dos principais símbolos culturais do Amazonas.
“Confesso para vocês que a Arena é mais fácil do que estar aqui”, brincou, ao comparar a emoção da tribuna com as apresentações no Bumbódromo.
Nascida no Pará e de origem indígena, a artista destacou que chegou ao Amazonas carregando apenas sonhos e determinação.
“Esse momento, sem dúvida, é o mais especial da minha vida. Eu cheguei aqui no Amazonas com uma rede e um sonho. Eu só sonhava e tinha muita fé, muita força e determinação”, afirmou.
Marciele também falou sobre as dificuldades enfrentadas ao longo da caminhada, especialmente como mulher indígena em espaços de visibilidade.
“Aqui tive muitos desafios, como tem para nós mulheres. Agora imagina para uma indígena, que fazia farinha”, declarou.
Ao longo da cerimônia, a homenagem foi além do reconhecimento artístico. A Aleam destacou o papel desempenhado por Marciele como voz ativa das populações tradicionais e representante da identidade amazônica dentro e fora do estado.
A cunhã-poranga relembrou ainda dois momentos que definiu como “viradas de chave” em sua carreira: o convite para assumir o posto de cunhã-poranga do Boi Caprichoso, em 2016, e a participação no Big Brother Brasil, em 2026, que ampliou nacionalmente sua visibilidade e a projeção da cultura parintinense.
“Eu não estava sozinha, vocês estavam comigo, e essa força que me levava para frente”, disse.
Ao encerrar o discurso, Marciele reafirmou a relação afetiva construída com o Amazonas e com Parintins, cidade da qual também recebeu o título de cidadã.







