Marilyn Monroe: abuso, mãe esquizofrênica e infância em orfanatos aparecem no filme ‘Blonde’

Em: 28 de setembro de 2022

Os homens preferem as louras? Há controvérsias. Andrew Dominik, por exemplo, enxergou na morena Ana de Armas feições e qualidades que buscava para a protagonista de “Blonde”, longa-metragem que revira do avesso a trágica trajetória de Marilyn Monroe (1926-1962), a mais famosa loura do cinema de todos os tempos. Primeira glamour girl da América, transformada em símbolo sexual de uma geração reprimida e vítima da máquina de moer talentos de Hollywood, Marilyn nunca despertou o interesse do diretor neozelandês. Até lhe cair nas mãos a biografia ficcional sobre a atriz escrita por Joyce Carol Oates, lançada em 2000 e premiada com o Pulitzer, fonte de inspiração para o novo projeto, disponível a partir desta quarta-feira (28) na grade da Netflix.

“Na verdade, andava buscando uma ideia para um filme sobre traumas de infância como lentes para ver a vida adulta. Meu primeiro impulso foi fazer algo com um serial killer, porque eles reencenam os abusos e os sofrimentos que experimentaram quando crianças. Então, há uns 12 anos, li o livro de Joyce e pensei que uma atriz seria um personagem mais interessante para esse tipo de caso”, contou o realizador ao GLOBO durante o Festival de Veneza, no início de setembro, onde “Blonde” concorreu ao Leão de Ouro. “Todos nós, em uma certa medida, carregamos uma espécie de mitologia sobre nossas imagens pública e a privada. No caso de Marilyn, isso ocorreu de forma mais exagerada”.

Marilyn Monroe: abuso, mãe esquizofrênica e infância em orfanatos aparecem no filme 'Blonde' - marilyn

Abusos e sofrimentos não faltam à biografia de Marilyn, nascida Norma Jean Baker, reimaginada por Joyce e traduzida para as telas por Dominik. Filha única de mãe solteira e esquizofrênica, a pequena Norma passou parte da infância em orfanatos, antes de ser descoberta por fotógrafos, publicitários e estúdios de cinema.

O filme explora os possíveis traumas que contribuíram para moldar a personalidade, a trajetória artística e o destino da atriz californiana, morta aos 36 anos, no auge da carreira, vítima de overdose de barbitúricos que até hoje inspira teorias conspiratórias. Dois teriam sido decisivos: a instabilidade mental da mãe (Julianne Nicholson no filme), que tentou afogar a filha de 7 anos na banheira, e a ausência do pai, que nunca chegou a conhecer.

“O que eu gosto no livro de Joyce é que ela trabalha com ideias equivocadas que temos sobre Marilyn, sabe? Suposições de que, se ela tivesse um filho, sua vida seria destruída, porque ela perderia a cabeça e ficaria louca e violenta, como a mãe. Ou que, se o pai voltasse para casa, isso daria uma estabilidade mental à mãe, e Marilyn teria uma vida mais normal. Você vê toda a vida dela por intermédio dessas crenças”, explicou o roteirista e diretor de “O assassinato de Jesse James pelo covarde Robert Ford” (2007). “Assim como o livro, o filme não é uma coletânea de eventos factuais da trajetória da artista, mas sobre o porquê de sermos obcecados por ela e a imagem que criou até hoje, o que ela representa e significa para nós”. As informações são de O Globo.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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