Marina acusa latifundiários por invasões em Brasília

Em: 15 de janeiro de 2023

O resultado das urnas é só um dos motivos para tanta depredação em Brasília, que aconteceu no domingo (08), quando (em tese) a capital federal é esvaziada por ser habitada temporariamente por pessoas de todos os Estados.

Por trás dessas manifestações, também estão grandes proprietários de terras na Amazônia, onde negócios movimentam bilhões de dólares, segundo a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que voltou ao cargo depois de 15 anos ausente do governo, prometendo restabelecer a ordem em projetos ambientais.

Intransigente quando se fala em defesa ambiental, Marina Silva já está tirando o sono de grandes empresários e outros conglomerados empresariais, motivando alguns a engrossar as fileiras das manifestações que culminaram na destruição das sedes dos três principais símbolos da República – Congresso Nacional, Palácio do Planalto e STF (Supremo Tribunal Federal).

De acordo com Marina, o vandalismo em Brasília está diretamente ligado aos quatro anos de aumento no desmatamento e de leniência com crimes ambientais.  Até agora, as investigações sobre a manifestação já identificaram elos, de financiamento ou logística, com setores do agronegócio contrários ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), antipatizado principalmente por empresários rurais na região de Mato Grosso do Sul, e ainda do Sul e Sudeste do País.

Produção de soja, gado de corte (bovino e suíno) e leiteiro estão nas mãos de empresas que viam no ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) grandes oportunidades para alavancar ainda mais negócios, hoje tão prósperos. E, por essa razão, muitos decidiram se aliar aos apoiadores do então chefe do Executivo nacional que ainda estão inconformados com o resultado das urnas.

“Parte dessa turba enfurecida vem de práticas nos setores ligados a desmatamento, grilagem, tráfico de madeira, pesca ilegal, garimpo ilegal”, disse a ministra. “Vamos jogar duro para frear a criminalidade”, acrescentou ela.

De novo no cargo, ela defende retomar políticas de proteção ambiental, torná-las mais sólidas e conseguir construir, apesar desses setores conservadores, uma ação transversal para ao menos tentar cumprir o Acordo de Paris. “Vai ter constância “nas políticas”, afirmou, acrescentando que já estão em andamento algumas medidas para correção dos “estragos” com a política adotada pelo último governo central.

Mudanças

Para Marina Silva, incentivos, por meio de reforma tributária, podem convencer produtores rurais a cumprirem a legislação, o que não ocorreu na última gestão. “Você investe tudo para fazer sua propriedade ser certificada, aí entra um governo que acaba com tudo e você vai ter que concorrer com ilegais. Parece que você é o bobo da corte”, afirmou.

No Amazonas, empresários já vislumbravam explorar as potencialidades regionais com foco na mineração para gerar mais empregos e renda na região. Porém, alguns avaliam que ter Marina Silva novamente como ministra é ver poucas possibilidades de negócios, principalmente quando se trata de ambiente.

“Não dá para viabilizar algum negócio com uma ministra tão rigorosa, algo que até foge à realidade. Temos também que pensar no caboclo ribeirinho que precisa sobreviver com mais dignidade. E as riquezas das florestas são uma boa opção”, diz o empresário Leandro Esteves, que explora um empreendimento rural na região do Careiro Castanho, município da RMM (Região Metropolitana de Manaus). “O governo anterior nos dava mais esperanças. Agora, a situação mudou”, acrescentou o empreendedor.

Pressionado pela comunidade internacional, o ministro da Justiça, Flávio Dino, disse que o caso do assassinato do jornalista britânico e do indigenista Bruno Pereira, no Vale do Javari, no município de Atalaia do Norte (AM), também não ficará impune.

Segundo ele, a PF (Polícia Federal) já intensificou as investigações para descobrir outros implicados no crime que chocou o mundo pelos requintes de tanta crueldade em uma região dominada por grileiros, garimpeiros e pescadores ilegais. “É nossa obrigação dar uma resposta ao mundo e também implementar com mais rigor a defesa da Amazônia, onde a criminalidade vem imperando por causa da pouca presença do poder público”, disse o ministro.

Marcelo Peres

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