Duas possibilidades políticas rondam o partido considerado mais disputado das eleições deste ano, o PV (Partido Verde): apostar em uma coligação grande que viabilize um palanque forte para a candidata a Presidência da República, senadora Marina Silva, ou enfrentar o pleito com o palanque reduzido, mas com candidato próprio ao governo do Amazonas. Ou seja, qualquer uma das opções depende do melhor cenário para a candidata, cujo nome tem sido bem cotado tanto por eleitores que simpatizam com as tendências de esquerda como pelos que seguem a doutrina de direita no país. No caso de compor uma coligação, o mais beneficiado seria o PSB de Serafim Corrêa e Ciro Gomes.
De acordo com a vice-presidente estadual do PV no Amazonas, Eliane Ferreira da Silva, nenhuma decisão sobre o pleito deste ano foi tomada pelo partido, que deverá definir os rumos políticos em fevereiro. “O partido tem uma candidata, a Marina Silva. Todas as outras candidaturas ou coligações vão girar em torno do nome da senadora”, explicou.
Para discutir melhor todas as possibilidades, a Executiva Nacional determinou que fossem instituídas comissões e coordenadorias para estudar cada cenário em todo o país. “O pedido que a senadora Marina e o presidente do PV, José Luiz Penna, fizeram durante a Convenção Nacional, do último mês, foi que o partido dê prioridade aos candidatos próprios e busque fortalecer a unidade do partido. A possibilidade de coligação é um assunto que só será resolvido após esta primeira discussão”, disse Eliane Ferreira.
No caso de alianças, a preferência do PV para montar uma coligação para as próximas eleições seria pelo PSB, do deputado federal Ciro Gomes (pré-candidato à Presidência da República) e do candidato ao governo do Amazonas, Serafim Corrêa. Segundo o vereador Marcelo Ramos, (PSB) a tendência é que os partidos de oposição se unam em torno do fortalecimento das legendas no Amazonas. “Se para obter maior representatividade política os partidos de oposição tiverem que lançar uma aliança abrangente, é isso que vamos fazer, mesmo que exista um palanque múltiplo”, avaliou Ramos, lembrando que, até agora, dentro da possível aliança entre PSB, PV, PPS, PSBD e DEM que pode ocorrer no Amazonas, existem três candidatos à Presidência: José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Ciro Gomes (PSB).
Candidatura atrapalha polarização PSDB-PT
Para o PV, não seria interessante estar ‘sozinho’ no Amazonas em busca de espaço e ainda disputando contra o carisma de Lula no Estado que lhe deu mais de 80% de votos na última eleição.
O primeiro movimento da atual candidata à Presidência da República, pelo PV, é uma apresentação oficial em rede nacional de TV e rádio no próximo dia 10. Segundo a executiva nacional do partido, a idéia desta primeira fase de ‘campanha’ é trabalhar para popularizar o nome da candidata que deverá ter sua trajetória política e de vida comparada a do presidente Lula, para explorar as semelhanças entre os dois, que foram aliados e amigos durante a vida inteira, até 2009, quando deixou o PT e filiou-se ao PV.
Desde 1994, PSDB e PT protagonizam a eleição presidencial, dividindo oito anos de poder para cada um. O quinto confronto seguido terá como novidade a ausência do nome do presidente Lula nas urnas – presente em todas as disputas presidenciais desde 1989. Mas ele será o maior cabo eleitoral de Dilma Rousseff.
A polarização entre tucanos e petistas é tão grande que influencia até os outros candidatos. O deputado Ciro Gomes, do PSB, só estará na disputa se Lula achar conveniente. E a senadora Marina Silva (PV) entra na eleição como a dissidência mais recente do PT e flertando com setores tucanos, ou seja, tornando-se um diferencial cobiçado nas próximas eleições.
Teste de poder para o novo PV no Amazonas
O potencial do PV para eleger novos deputados estaduais e federais nestas eleições será testado nestas eleições, já que o partido vem ganhando notoriedade e visibilidade com a vinculação ao nome da senadora Marina Silva e, no caso do Amazonas, pela chegada de Marcus Barros, dois políticos respeitados e com boa aceitação no Amazonas.
No entanto, o partido ainda terá que aparar as arestas internas e frear os impulsos individuais pela liderança política nas eleições, já que o presidente do Diretório municipal, Jefferson Anjos e Marcus Barros, parceiro de Marina Silva já deram mostras públicas de divergência.
Dentre os nomes de partidários do PV que estão sendo apontados para concorrer a cargos no pleito deste ano estão Marcus Barros, cotado para uma vaga no Senado ou na Câmara dos deputados e ainda o deputado estadual Ângelus Figueira (para deputado federal); o vereador Luiz Mitoso (para deputado estadual) e do presidente do diretório municipal de Manaus, o vereador Jefferson Anjos, que deverá se candidatar a uma vaga na ALE (Assembléia Legislativa do Estado).
Atualmente, o PV deve chegar a abril com mais de 6 mil afiliados no Estado, segundo avaliação da vice-presidente do partido, Eliane Ferreira. “A principal preocupação do PV é a qualidade dos militantes e partidários, não estamos procurando apenas quantidade”, informou.







