A onda verde não estourou no segundo turno, mas levou Marina Silva (PV) a superar as expectativas mais otimistas dos verdes e mudar os rumos de uma eleição que parecia definida com mais de um mês de antecipação.
Após ultrapassar os 19 milhões de votos, com quase 20% dos válidos, ela sai fortalecida como alternativa à polarização entre PT e PSDB e já começa a pensar numa nova candidatura com mais chances no próximo pleito à Presidência, em 2014.
Pouco antes das 21h30, Marina apareceu em público, em São Paulo, para comentar o resultado. Emocionada e com a voz rouca, agradeceu a Deus, à família, aos eleitores, “a todos aqueles que se esforçaram por esse resultado. Sinto-me muito feliz e extremamente vitoriosa. E esta fala não tem a intenção de um ponto final’’, afirmou.
Se oficializada, a opção contraria a direção do PV, que articula apoio ao tucano, e antecipa um embate interno pelo comando do partido. Aliados de Marina querem que ela substitua o presidente José Luiz Penna, ligado ao PSDB paulista. À frente do partido, ela teria mais condições para começar logo a articular o novo projeto presidencial.
Os verdes festejaram a votação expressiva no início da noite, falando abertamente numa nova candidatura daqui a quatro anos.
“Ela sai vitoriosa e terá um papel relevante no jogo político nacional. Os 19 milhões de votos são uma demonstração clara de que nosso projeto está no rumo certo’’, disse o ex-deputado Luciano Zica, da coordenação nacional da campanha do PV.
Marina demonstrou muito entusiasmo durante a apuração dos votos. Ela acompanhou a divulgação do resultado ao lado da família e dos aliados mais próximos num apartamento do vice Guilherme Leal, nos Jardins. A todo tempo, a senadora festejava o fato de ter superado a previsão das pesquisas.
Opção de neutralidade
Manteve, por enquanto, a neutralidade. Não declarou apoio a Dilma Rousseff (PT) ou a José Serra (PSDB).
A candidata já havia dado sinais de que optaria pela neutralidade nas últimas semanas, quando mudou o tom do discurso. Enquanto aliados se aproximavam dos tucanos, ela aumentou as críticas dirigidas a Serra.
A guinada atingiu o ápice na madrugada de sexta-feira, após o debate da TV Globo, quando ela disse que Serra desconstruiu a própria imagem na campanha, apelou para o “vale-tudo’’ eleitoral e ia “perder perdendo’’.
Marina não aceitaria um novo convite para o Ministério do Meio Ambiente numa gestão de Dilma, por considerar que ela não dá importância à questão ambiental.







