‘Marvada’ pinga

Em: 1 de setembro de 2016
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Branquinha, aguardente, ‘marvada’, cana, pinga e água que passarinho não bebe são algumas das denominações que a cachaça, essa bebida tipicamente brasileira, recebe de acordo com as regiões do país. No próximo dia 13 de setembro é comemorado o seu dia, data oficializada em 2009 durante a Expocachaça, ocorrida em Belo Horizonte, mas que remonta há mais de três séculos, exatamente em 1661.
Em 1660, fazendeiros e produtores fluminenses do destilado se uniram para brigar contra a proibição da comercialização e produção da bebida imposta pela coroa portuguesa, resultando na Revolta da Cachaça.
Objetivo da coroa portuguesa era substituir a cachaça pela bagaceira, uma bebida típica europeia. Mas finalmente, no dia 13 de setembro de 1661, a fabricação e a venda da cachaça foram liberadas.
Passados 500 anos da existência do primeiro engenho construído no Brasil (ver box), Manaus passou a possuir uma cachaça com toque amazônico, a Jambucana, idealizada pelo empresário Dedé Parente e hoje colocada entre as melhores do país. “As melhores cachaças são as artesanais. As industrializadas perdem qualidade. Os especialistas dizem que numa determinada quantidade da bebida, existe o coração da cachaça. Eles são capazes de detectar num todo uma pequena porção com alta qualidade, e é só isso que engarrafam. A indústria engarrafa tudo”, explicou Dedé.
Enquanto as cervejas (no Brasil) devem ser bebidas geladas e os vinhos tanto gelados quanto na temperatura ambiente, as cachaças devem ser consumidas somente desta segunda maneira.

Cachaças de todo o Brasil

Quanto à coloração, Dedé explicou que varia de acordo com a madeira do barril onde a cachaça é envelhecida. “A prata, usada na caipirinha, não passa por esse processo de envelhecimento. Tão logo é destilada, ou é engarrafada ou é acondicionada em barris de inox. Já a envelhecida é colocada em barris por tempo indeterminado. Quanto mais tempo ficar num barril, que pode ser de carvalho, amendoim, amburana, bálsamo ou jatobá, mais gostosa fica, porém, se o fabricante quiser a cor mais forte, o barril de carvalho é o indicado, e tem mais, cada madeira proporciona uma cachaça com gosto diferente”, ensinou.
Atualmente a Cachaçaria do Dedé, de propriedade de Dedé Parente, possui exatos 1.014 rótulos. “Todas as cachaças são brasileiras, artesanais e a maioria escolhida pelos próprios clientes. Sempre acontece de algum deles ter tomado uma cachaça em determinado lugar do Brasil, aí ele me diz onde foi e eu vou lá. Se a cachaça for legalmente industrializada, passa a fazer parte da nossa carta de cachaças”, contou.
E se o primeiro engenho do Brasil surgiu no Nordeste, até hoje a região continua a produzir a melhor cachaça do país. É o que garante Dedé. “Já foi comprovado que é devido ao tipo de solo, mas Minas Gerais também tem várias excelentes cachaças produzidas em diversas regiões do Estado. O diferencial das cachaças de lá pras do Nordeste é a qualidade, o esmero e o profissionalismo na produção”, explicou.
Não por acaso a cachaça mais cara na Cachaçaria do Dedé é a mineira Havana (R$ 1.800, a garrafa). “Anísio Santiago, o produtor dessa cachaça, só fabricava quatro mil garrafas por ano dentro de um padrão de qualidade inigualável. Diria que foi ele o principal responsável por fazer com que a cachaça perdesse a fama de bebida degradante e se tornasse uma bebida de classe”, disse.
De Minas também vem a primeira cachaça com um toque amazônico, a Jambucana (ela leva jambu em sua formulação), idealizada por Dedé. “O projeto da Jambucana levou três anos até ser autorizada a sua produção e comercialização, o que aconteceu no dia 4 de setembro do ano passado. Com apenas um ano de existência, a Jambucana ganhou medalha de prata na Expocachaça desse ano, competindo com 128 rótulos de todo o Brasil, e ninguém ganhou medalha de ouro, e no site nacional da cachaça ela aparece entre as dez mais vendidas no país”, comemorou.
Para finalizar, Dedé ensinou. “Para saber se uma cachaça é boa, você pega a garrafa, sacode um pouco e para. Se fizer uma coroa de bolhas, aí é da boa”, garantiu.

Há 500 anos

3 Acredita-se que a palavra cachaça tenha vindo de cachaza, nome espanhol dado ao vinho de borra.
3 O primeiro engenho de que se tem registro no Brasil foi montado em 1516, em Pernambuco, na Feitoria de Itamaracá.
3 A cachaça foi identificada desde o início como símbolo da identidade brasileira. Pouco antes da Independência, o ato de não beber vinho foi tido como um esforço para garantir autonomia e liberdade do domínio português. A cachaça passou a simbolizar a nova nação e, segundo muitos, foi com ela que D. Pedro I fez questão de brindar a Independência.
3 Conforme registro do Guinness Book, o maior barril de cachaça do mundo tem oito metros de altura e capacidade para 374 mil litros e fica localizado no município de Maranguape, no Ceará.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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