O pacote de medidas anunciadas ontem pelo governo para estimular o consumo foi avaliado como “muito bom” pelo economista do Iedi (Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial), Julio Gomes de Almeida. Segundo ele, é preciso lembrar que o consumo interno caiu nos últimos meses e que o governo está agindo com cautela para não deixá-lo cair ainda mais.
“Não podemos esquecer que o Banco Central baixou a taxa de juros na quarta. Essa medida é independente das anunciadas ontem, mas vai na mesma direção de estimular o consumo, que caiu significativamente nos últimos meses. Nossa situação não tem a gravidade dos países europeus, o mercado de consumo continua bom, mas vinha mostrando sinais de fraqueza crescente”, disse.
Para o economista, o consumo vai aumentar, mas é preciso cuidado para que esse efeito não seja muito forte a ponto de alimentar a inflação. “Para evitar isso, o governo tem outras ações, como reduzir outros impostos e dar incentivos maiores, além de ampliar e facilitar o crédito. É um jogo de tentativa e erro em que a política econômica vai procurando aumentar o consumo”.
As medidas anunciadas pelo ministro da fazenda, Guido Mantega, incluem redução do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados) de eletrodomésticos da linha branca (geladeiras, fogões e máquinas de lavar), redução de 2% para zero da alíquota do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) que incide na aplicação de investidores estrangeiros em bolsas de valores, desoneração dos imóveis do Programa Minha Casa, Minha Vida, além de desonerações em produtos como trigo, farinha e pão.
Mantega quer manter meta fiscal para 2012
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, garantiu que a política fiscal será mantida em 2012 como parte da estratégia do governo de assegurar o crescimento da economia de forma equilibrada ante a crise internacional. “O governo está fazendo uma economia de gastos. Ou seja, está gastando menos do que está arrecadando dentro do compromisso que nós assumimos para 2012. Nós vamos continuar com a política fiscal e a austeridade que levarão à diminuição da dívida pública”, disse.
Mantega destacou que o Brasil é atualmente um dos pouco países que mantêm em queda a relação entre a dívida e o PIB (Produto Interno Bruto). Para isso, informou, é importante que o governo mantenha um comportamento fiscal responsável, impedindo aumento dos gastos públicos.
O ministro pediu a colaboração dos outros Poderes. Para ele, é importante que o Judiciário e o Legislativo não pressionem por novos aumentos de gastos neste momento de austeridade. “Temos que impedir que haja aumento de gastos, de consumo no governo, e temos que contar com a colaboração do Legislativo e do Judiciário para que não haja aumento desses gastos”, ressaltou.






