Meio século de Blue Birds

Em: 26 de julho de 2017
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Ainda como parte das comemorações dos 50 anos de criação da banda, completados no dia 17 de junho, a Blue Birds fará um concerto aberto, para fãs e futuros fãs, no próximo sábado (29), às 19h, no largo de São Sebastião. Quando a música dos Beatles estourou no mundo e o rock passou a ser o ritmo preferido dos jovens em meados da década de 1960, Manaus não passou incólume por esse movimento musical que tomou conta do planeta.

Na cidade surgiram Os Embaixadores, Os Aristocratas, The In Crown, The Sunshine, The Rock’s, apenas para citar algumas das bandas formadas por entusiasmados jovens. A Blue Birds, no entanto, foi a única delas que conseguiu atravessar as décadas sem nunca ter deixado de existir.

A saga Blue Birds
O primeiro show da Blue Birds aconteceu na Saga (Sociedade Atlética Guarda de Aparecida), uma sociedade criada pelos padres redentoristas de Aparecida, para reunir os jovens do bairro, e cuja sede ficava num prédio em frente ao atual Centro de Convivência do Idoso. Na banda desde o início da década de 1970, Roberto Sá Gomes, o Beto, comentou sobre a gênese e a celebração dos 50 anos do grupo. “Os integrantes pioneiros da Blue Birds foram Irandy, Dibo, Ananias, Cacau e Chain, que depois se tornaram, respectivamente, engenheiro, empresário, economista, médico-legista e advogado. Estão todos vivos e voltarão a compor a banda nos eventos do jubileu de ouro”, adiantou Beto, hoje a cara, e o cara, da Blue Birds.

Sobre sua entrada na banda, Beto lembra de todos os detalhes. “Só entrei para a Blue Birds no início da década de 1970, depois de aparecer tocando guitarra num programa local da TV Ajuricaba. O Chain viu minha apresentação e me convidou. Entrei para a banda e continuo até hoje”, falou.

Por toda a década de 1970 e boa parte da década de 1980 a Blue Birds viveu seu apogeu. “Shows nunca nos faltaram e todos eram muito bem pagos”, disse. Desde 1980 Beto havia se tornado o proprietário da banda se mostrando, além de bom músico, um excelente empresário.

Beto gosta de lembrar que o fundador da Blue Birds, e seu primeiro empresário, foi Lúcio Hernani. “Depois veio o Elcy Barroso, que foi delegado da Polícia Civil, e eu, há 40 anos”, falou. “Por que temos tido uma existência tão longeva? Porque respeitamos quem nos contrata e o nosso público. Em todas essas décadas de existência, nunca atrasamos um show e nem deixamos de cumprir nenhum contrato”, garantiu.

Mas hoje os tempos são outros e desde a década de 1990, com o surgimento de várias bandas na cidade e o fim das tradicionais festas em clubes, a Blue Birds vem perdendo espaço. “O nome da banda é o mesmo, mas seus músicos sempre se renovaram nesses 50 anos de existência. 250 músicos já tocaram na Blue Birds. Também estamos num nível de qualidade e cachê, que os empresários não querem mais pagar”, disse.

Bandas e repertórios
No show de sábado a Blue Birds Band terá a participação de Rosa, Luciana e Juliana Varjão (cantoras), Bernardo Lameiras (contrabaixo), Neil Armstrong (guitarra solo), Chico Carlos (bateria), Beto (guitarra base), La Bamba (teclado), Jecimá (cantor) e naipe de sopros: sax-alto e tenor, trompete e trombone. O repertório da Blue Birds será de sucessos dos anos 1960, 1970, 1980 e 1990, hits que a banda tocava nos bailes: Beatles, Rolling Stones, Credence, Renato e seus Blue Caps, Carlos Santana, Ray Conniffy, Frank Sinatra, Glenn Miller. Ainda no show, participações especiais de Wandler Cunha (guitarrista solo e cantor, compositor da música ‘Jogo de Calçada’, com Ilton Oliveira, gravada pelos Mutantes, jornalista de Brasília e membro da Blue Birds nos anos 70), José Dibo (contrabaixista e fundador da Blue Birds e Os Embaixadores), Carlos Teixeira (baterista fundador da banda Os Embaixadores) e Renato Linhares (guitarrista solo da banda nos anos 1980).

Beto solicita a quem for ao concerto, a doação de arroz, feijão, macarrão ou leite, que depois será entregue ao Instituto Fillipo Smaldone, responsável pela educação de crianças surdas no Amazonas.
A abertura ficará com a Overload que tem Gebes Medeiros Neto nos teclados, Anna Terra e Marcello Laredo nos vocais, Silvana Azulay e Ricardo Turenko nas guitarras, Ricardo Mena na bateria e Chrystian Pinheiro no baixo. No repertório da Overload: Have you seen the rain, Bete Davis, You can do magic, Footlose, Pretty woman, Dont stop e Time of my life.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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