Mel ganha investimento de R$ 1 milhão

Em: 19 de setembro de 2014
Empreendedores apostam na região de Boa Vista do Ramos, Maués e Parintins
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Empreendedores apostam na região de Boa Vista do Ramos, Maués e Parintins

Inaugurada há quase uma semana, a Casa do Mel, indústria localizada no município de Boa Vista do Ramos (distante 269 quilômetros de Manaus) que beneficia mel de abelhas regional, já projeta a expansão das atividades aos municípios de Parintins e Maués até o próximo ano. O empreendimento recebeu R$1 milhão em investimentos e tem capacidade de produzir 10 mil toneladas anual, que deverão ser comercializadas no Amazonas e nas demais regiões brasileiras e também no mercado internacional.
Os investimentos se concentram no fornecimento de tecnologias e equipamentos que possibilitem o aumento na produtividade da matéria-prima extraída das flores. O projeto é uma iniciativa da Coopmel (Cooperativa dos Criadores de Abelhas Indígenas da Amazônia de Boa Vista do Ramos) e conta com o apoio do Inpa/MCTI (Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia), Ufam (Universidade Federal do Amazonas) e OCB (Organização das Cooperativas do Brasil).
O membro da OCB e professor da Ufam, Merched Chaar é enfático ao dizer que a Casa do Mel deu início a um segmento industrial voltado ao tratamento do mel. Ele afirma que a instalação consiste em uma fábrica que apresenta todos os requisitos necessários quanto à certificação de inspeção federal e estadual. “Com certeza essa casa vai desencadear um crescimento neste setor que hoje ainda não alavancou por falta de estímulo dos representantes do setor primário. Atualmente a procura pelo produto é maior do que a demanda. Vendemos o que produzimos”, explicou.
Segundo o técnico do Grupo de Pesquisas em Abelhas do Inpa (GPA/Inpa), Hélio Vilas Boas, outra novidade é que a Casa do Mel deve contar com mais um investimento que é a construção de um galpão anexo onde devem ser feitos os trabalhos referentes ao mel agregado às essências fitoterápicas como por exemplo a andiroba, o gengibre, a copaíba, entre outros. Ele afirma que o grupo de pesquisadores aguarda a consolidação do trabalho iniciado após a inauguração da fábrica. A previsão da construção é para o próximo ano. “Uma vez que a produção esteja consolidada deve-se dar início a outra etapa que é a construção do galpão para a nova produção do mel. Se o mel gera lucro e tem um mercado agregado aos fitoterápicos por que não investir nesse segmento?”, indagou.
Vilas Boas ainda explicou que a cada safra, que acontecem nos períodos do verão, que iniciam no final de maio ao final de novembro devem ser coletados entre 5 e 6 toneladas de mel, produção que segundo ele deve aumentar para cerca de 10 mil toneladas nos próximos anos. Na tentativa de aumentar essa produção, o técnico adianta que os técnicos do Inpa vão realizar uma capacitação com os 76 meliponicultores associados no mês de outubro. “Faremos um novo levantamento para averiguar quantas colmeias existem em Boa Vista do Ramos. Hoje, temos cerca de 3 mil colmeias contabilizadas entre os associados. Vamos fazer um trabalho de melhoramento genético para a produção do mel”, disse. “Investigaremos quais colmeias estão produzindo mais ou menos mel. Não adianta ter dez colmeias e somente cinco produzirem bem. Precisamos saber o que acontece com as menos produtoras que recebem o mesmo manejo”, complementou.
Para o técnico, a receita para o aumento na produção de mel está no manejo correto, na boa genética e no pasto. Outro fator importante é o aumento do plantio das árvores para a maior oferta de néctar.

Região
Merched Chaar, explica que a região dos municípios de Parintins e Maués conta com um elevado número de abelhas, daí a iniciativa de incentivar a prática da meliponicultura nesses locais. Ele afirma que os investimentos a serem feitos devem girar em torno de R$ 200 mil, além dos R$ 800 mil que já foram gastos na instalação da fábrica em Boa Vista do Ramos. “Estamos em fase de estudo e negociação para ampliar esse trabalho. Todo mel coletado será transportado até à Casa do Mel, em Boa Vista do Ramos, onde será beneficiado por meio do filtro, limpeza e da remoção da umidade. Desta forma, estimulamos a cultura do mel nas comunidades”, conta.
De acordo com o professor, o projeto da expansão consiste no suporte técnico aos apicultores com a doação de melgueiras (caixas destinadas à produção de mel), de abelhas-rainhas e a disponibilização de tecnologia que viabilize o correto manejo com as abelhas para a obtenção do aumento na produtividade do mel. “É preciso incentivar essa produção. Por fim, teremos o aumento na produção do mel na região”.
Criação
A Casa do Mel, inaugurada no último dia 12, é uma iniciativa da Coopmel, que há 14 anos desenvolve a meliponicultura e enfrenta os desafios legais para a certificação dos produtos para a comercialização. O objetivo é proporcionar produtos de qualidade e renda extra para cerca de 70 famílias de 23 comunidades rurais situadas em cinco regiões do município (Lago Preto, Rio Urubu, Ramos de Cima, Ramos de Baixo e Massauari).
As abelhas cultivadas no Amazonas não têm ferrão. Também chamadas de Meliponineos, auxiliam diretamente a polinização das flores, proporcionando frutos que servem de alimentos às aves, peixes, mamíferos e outros animais, além da dispersão de sementes para a perpetuação das espécies. Segundo Hélio Vilas Boas, as abelhas respondem por 40% a 90% da polinização das árvores nativas amazônicas.
De acordo com a Cartilha de Meliponicultura, produzida pelo Inpa, existem cerca de 20 mil espécies de abelhas no mundo, boa parte delas conhecidas como abelhas solitárias por não formarem colônias. Dentre as que formam colônias de 300 a 400 espécies formam o grupo das abelhas sem ferrão, das quais quase 200 espécies deste grupo vivem no Brasil, especialmente na Amazônia. Por isso, a região é conhecida como o berço mundial das abelhas sem ferrão. Muitas plantas locais, como araçá e camu-camu, são polinizadas pelas abelhas sem ferrão, e algumas plantas dependem exclusivamente dessas abelhas para se reproduzir.

Redação

Jornal mais tradicional do Estado do Amazonas, em atividade desde 1904 de forma contínua.
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