Um passado marcado por guerras e um futuro em que faltam água e liberdade. Poderia ser uma descrição real, nesses tempos em que a seca já ameaça grandes cidades do mundo, mas esse é o pano de fundo de Memória da água, primeiro livro da escritora Emmi Itäranta. O livro é finalista do prestigiado Philip K. Dick Award, mais importante prêmio de ficção cientifica norte-americano, e do Arthur Clarke, que premia no Reino Unido autores estreantes.
Unindo temas como exploração do meio ambiente e política mundial, o livro acompanha a trajetória de Noria, que, com apenas 17 anos, está sendo treinada para se tornar uma mestre de chá – únicos humanos que sabem a localização das fontes naturais de água. Até que ela descobre que sua própria família mantém em segredo uma nascente.
Desamparada em um mundo arrasado e opressor, Noria se vê em um dilema: negar auxílio a toda a população ou ajudá-los e arriscar a própria vida? A obra tem toques do clássico 1984 e lições sobre coragem e sabedoria. Em uma narrativa intensa e fortemente atual, Itäranta dá aos jovens leitores um novo olhar sobre vida e morte, luta e silêncio. E o silêncio de sua protagonista guarda um poder forte o suficiente para destruir tudo.
Algumas histórias dizem que a água carrega a memória de tudo o que já aconteceu. Ela preenche o solo, dá vida ao mundo, leva embora as impurezas, mas também causa conflitos, morte e dor. A água cria e destrói. E é ela que conta esta história.
Num futuro distante, depois de muitas guerras e destruição dos recursos naturais, a Europa foi dominada pela China e o bem mais precioso dos tempos antigos se tornou tão escasso quanto a liberdade e a justiça. A água passou a ser controlada e distribuída em cotas pelos militares.
Noria é filha de um mestre do chá, uma profissão muito antiga transmitida de geração em geração. Ela está sendo treinada para substituir o pai, e se aproxima o dia em que se tornará a mestre que conduz a cerimônia do chá em seu pequeno vilarejo. Dentre todos os ensinamentos, antes de morrer o pai revela à filha seu maior segredo: ele tem o domínio de uma fonte natural escondida que fornece água para a família. E Noria será a nova responsável por ela.
Desamparada em um mundo destruído e submerso em tantos segredos, ela começa a questionar o significado de tamanho privilégio. Esconder esse segredo é negar ajuda ao restante da população que perece em meio ao calor, à sede e às doenças, e ajudá-los é colocar em risco a própria vida: os militares punem severamente quem for descoberto usando alguma fonte ilegal de água.
Como o pai sempre a ensinou, é preciso ter sabedoria para compreender o verdadeiro poder da água. Mas Noria também aprendeu que a sabedoria representa, acima de tudo, o poder de decidir seu próprio destino, a escolha entre lutar e se entregar.
Emmi Itäranta é mestre em drama e em escrita criativa. Envolveu-se em uma mistura eclética de atividades literárias: já foi dramaturga, colunista e crítica de teatro. Escreve ficção em finlandês e em inglês, e atualmente trabalha em seu segundo romance. Memória da água ganhou diversos prêmios e foi indicado para o Philip K. Dick Award.







