A Yamaha Motor da Amazônia espera produzir menos e vender mais neste ano de crise. O momento é de reduzir estoques – considerados expressivos pela direção da companhia –, adiar investimentos de curto prazo e otimizar a atual estrutura para diversificar o portifólio. Em 2008, a multinacional fabricou 334 mil motocicletas e 12 mil motores em sua unidade do PIM (Pólo Industrial de Manaus).
Por enquanto, apenas a metade pessimista da expectativa está sendo atendida. Dados da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares) informam que a manufatura não ultrapassou 4.950 motos (2009), 79,88% a menos do que em 2008, quando o número chegou a 24.610. Na ponta do comércio, houve retração de 32,64%, com 13.043 (2009) contra 19.363 (2008) unidades.
Vale ressaltar que todo o segmento amargou queda no mês passado. As vendas no varejo não ultrapassaram as 96.794 unidades, quantidade 43,94% inferior às 172.663 motocicletas co-mercializadas em janeiro de 2008. Na linha de produção, os números despencaram de 187.238 (2008) para 74.295 (2009), uma retração de 60,32%.
Para não demitir, a Yamaha, que responde por aproximadamente 4.000 empregos diretos em Manaus, fechou acordo com o sindicato da categoria, em dezembro. Estendeu as férias coletivas do final do ano, concedeu licença remunerada para parte dos funcionários e criou um banco de horas. Até maio, a semana trabalhada será de quatro dias, que serão repostos nos sábados do segundo semestre do ano, período de aquecimento do setor.
“Se a capacidade instalada está ociosa, os investimentos projetados no curto prazo precisam ser postergados, pois o momento é de manter a saúde financeira da empresa. Num eventual agravamento da crise, as medidas de contenção tenderão a ser mais fortes. Mas, em nossa percepção isso não deve ocorrer no momento”, ponderou o diretor de Relações Institucionais da Yamaha Motor do Brasil, Jaime Matsui.
Surpresa
O executivo destaca que a crise não estava nos planos da multinacional, confiante na saúde do segmento, em virtude do crescimento inin-terrupto dos últimos oito anos. Mas, a retração de mercado sentida a partir de outubro, ocasionada principalmente pelas dificuldades de financiamento, pegou a Yamaha de surpresa.
De acordo com Jaime Matsui, a crise financeira internacional freou bruscamente as pretensões da companhia, que havia ampliado sua estrutura para produzir 450 mil motocicletas e motores de popa em 2009, mas teve de rever suas projeções para a atual realidade do mercado brasileiro.
Apesar da crise, o diretor de Relações Institucionais da Yamaha Motor do Brasil garante que os projetos de novos produtos para 2009/2010 não serão alterados, mas salienta que as novidades serão anunciadas somente no momento oportuno. “Por ora, a grande revelação é a YBR 125 Factor, sucesso em vendas”, exemplificou.
A Yamaha implantou sua unidade fabril em Manaus em 1985 e até 2006 produzia peças em Guarulhos (SP). A partir de 2007, transferiu todo os seus processos industriais para a capital amazonense. Desde então, a companhia vem investindo na ampliação da capacidade instalada e na verticalização de processos industriais.
Cautela ao investir na área ambiental
A Yamaha desenvolve diversos projetos ambientais. No ano passado, o SGA (Sistema de Gestão Ambiental) reduziu custos internos, garantiu a competitividade e facilitou acesso aos mercados consumidores. As ações consistem na redução de resíduos, reutilização e reciclagem de materiais, busca de matérias-primas e processos produtivos menos impactantes, e racionalização do uso de recursos naturais.
Periodicamente a firma realiza ações de monitoramento das emissões atmosféricas e efluentes industriais, adaptações dos dutos e chaminés, melhorias e ampliação das estações de tratamentos de efluentes, aperfeiçoamento das condições de armazenagem e destinação dos resíduos. Realiza também campanhas de conscientização e sensibilização ambiental, além do plantar mudas para compensar a emissão de CO2 (gás carbônico).
De acordo com Jaime Matsui, nos próximos anos, a montadora pretende investir mais de R$ 5 milhões em projetos voltados para o meio ambiente desenvolvidos em Manaus. A iniciativa, no entanto, depende da recuperação da saúde do mercado.
“Para obtermos resultados satisfatórios, teremos de ter certeza de que a situação atual será favorável para os investimentos. O momento exige cautela e traçar projeções é tarefa difícil. Mas a empresa está se empenhando para que o comprometimento com a sociedade seja cada vez mais edificado. Nossa maior preocupação é reduzir os impactos ambientais, contribuindo para o equilíbrio ambiental do planeta”, finalizou.






