O Amazonas exportou em abril deste ano US$ 26,5 milhões a mais do que no mesmo mês do ano passado, um crescimento de 26,1%. Foram exportados US$ 99,6 milhões no mês passado, contra US$ 73,1 milhões em abril de 2012. Abril também apresenta crescimento de 11,74% (US$ 13 milhões) se compararmos com março. Os dados são da Secex (Secretaria de Comércio Exterior). O coordenador geral de comércio exterior da Suframa, Luiz Frederico Aguiar, diz que a uma das prioridades da Suframa no ano é levar os produtos da Zona Franca de Manaus cada vez mais para outros países.
“Quando a Zona Franca foi criada a ideia era atender o mercado local, mas os tempos são outros e hoje vemos como essencial e prioritário espalhar a Zona Franca pelo continente”, comenta. Luiz Frederico explica que a Suframa tem um plano de ação para o resto do ano que definiu cinco prioridades para o polo. E focar o aumento a exportação é uma delas. “A prioridade é aumentar primeiramente a inserção de produtos do PIM com o mundo, começando pelos países da América do Sul que fazem divisa com o Amazonas”, explica.
Segundo a Cogex (Coordenação de Exportação da Suframa) a prioridade é ainda maior para Venezuela, Colômbia e Peru. Na tarde de ontem, Luiz Frederico viajou para Brasília onde foi discutir negócios do polo com representantes da Colômbia. Na segunda-feira há uma viagem agendada visando verificar questões relativas a exportação com o Equador. “A expectativa é muito boa devido ao alto crescimento das exportações, esperamos explorar melhorar as relações para facilitar as trocas comuns entre os países e a inserção de cadeia de produção. As variações são muitas, mas na situação atual há uma expectativa muito boa dentro da Suframa,” comenta.
Concentrados de bebidas
Se formos considerar os quatro meses de 2013, com igual período do ano passado o crescimento nas exportações do Amazonas é de 19,39%. Foram US$ 345 milhões em exportação em 2013 contra US$ 278,1 milhões em 2012. Os concentrados para elaboração de bebidas fabricados no PIM seguem sendo o produto mais exportado pelo Amazonas. No mês de abril os concentrados foram responsáveis por US$ 27,6 milhões em exportação o que representa 27,72% do total exportado pelo Estado. O que resulta em 130% a mais do que em abril do ano passado, onde apenas US$ 11,27 milhões haviam sido exportados.
A expectativa do presidente da Fieam (Federação das Indústrias do Amazonas) e do Sindicato das Indústrias de Bebidas em Geral de Manaus, Antonio Silva, é de que o mercado siga apresentando crescimento e seja o principal produto de exportação do Amazonas no ano, como já vem ocorrendo. A alta da exportação faz com que a indústria de bebida tenha um crescimento de 29,43% no ano, apesar da baixa sofrida no mercado regional. Os principais compradores do produto são os países da América do Sul, liderados pela Venezuela com 69% do total vendido com US$ 19 milhões, seguido pela Colômbia com US$ 6,6 milhões e Paraguai com US$ 1,5 milhão.
Aliás, no que diz respeito à exportação o mercado é dominado por países da América Latina. Nove das dez primeiras posições são de países latinos, o outro representante na lista é os Estados Unidos. Desses seis são da América do Sul. A Argentina lidera as exportações com 25% do mercado, seguido pela Venezuela que representa 15,8% e Colômbia 11,1%. Os EUA são responsáveis por 5,97% na 5º posição. A China, líder no quesito importação, com 40% do mercado, aparece apenas em 11º lugar nas exportações, representando 2,53% do mercado.
Entre os 10 países que o Amazonas mais importa, sete são da Ásia, representando 79,2% do mercado com mais de US$ 2,4 bilhões só no primeiro trimestre. Estados Unidos, México e Alemanha completam a lista. Após a China o país que o Amazonas mais importa é a Coréia do Sul com menos da metade do mercado chinês, representando 16,6% do total de importações.
Problemas de divisas atrapalham planos amazonenses
“O problema é antigo”, comenta o coordenador geral de comércio exterior da Suframa, Luiz Frederico Aguiar, se referindo à escassez de divisas na Venezuela que está provocando um atraso no pagamento do país ao Brasil. O problema vem se agravando desde o ano passado quando houve o boom de importações nos meses que antecederam as eleições de Hugo Chávez. O controle de divisa faz com que a Venezuela deixe de pagar o valor estipulado nas compras, por ultrapassar os limites da divisa.
“O empresário fica com um pouco de receio porque não tem a certeza que vai receber a quantia combinada. Você vende R$ 1 milhão, por exemplo, em ser pago em 10%, mas se o controle de divisa diz que já está no limite, então é pago só o que é permitido e não o valor total dos 10% (100 mil). Assim acaba sendo pago só quando puder, prejudicando as empresas exportadoras”, explica Frederico.
No entanto Frederico ressalta que esse problema vem sendo bem contornado pelos empresários no Amazonas que possuem um bom relacionamento com a Venezuela devido ao alto número de exportações. “Seria um devaneio falar que há um problema maior no momento, tendo em vista que as exportações do Amazonas estão crescendo inclusive para Venezuela”, lembra.
Os números confirmam essas prerrogativas já que as exportações para a Venezuela estão entre as que mais crescem no PIM. Dados da Secex revelam que o crescimento na exportação do Amazonas para a Venezuela, se compararmos abril de 2013 com o mesmo mês do ano, cresceram 160%. Encabeçadas também pelo concentrado de bebidas. Foram US$ 19,7 milhões em abril de 2013 contra US$ 7,8 milhões em abril de 2012. Se pegarmos os primeiros quatro meses de cada ano o crescimento é de US$ 25,2 milhões em 2013.
A expectativa da Suframa é que o problema se resolva a médio prazo. “Com a entrada da Venezuela no Mercosul ela tem um tempo para aderir o acordo e exigências dos outros países. Isso faz com que se crie essa expectativa. Além disso, o governo brasileiro tem uma boa relação com o presidente venezuelano e já temos informação que também estão trabalhando nesta questão”, informa Frederico Aguiar.






