Mercado de seminovos no Amazonas mantém retração 

Em: 27 de outubro de 2022

Investir num veículo seminovo no Amazonas nos últimos meses parece ter deixado de ser atrativo para os compradores. Pelo menos é o que aponta o levantamento mais recente da Fenauto (Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores). O resultado no Amazonas em setembro, foi de – 11,2%, o que se junta a retração consecutiva que o setor vem apresentando no Estado ao longo do semestre. 

Em comparação a setembro do ano passado, também foi negativo em 23,3%. Olhando o resultado Brasil, acumulado do mesmo período (2021-2022), ele ficou negativo em 8,6%. Comparativamente com o resultado nacional (-3,1, em setembro e – 17 no acumulado), o Amazonas teve um desempenho pior.

“Em uma análise geral, a gente percebe que o primeiro semestre do Estado foi bem melhor do que o segundo. Parece que temos dois fatores interessantes sobre isso. O primeiro é que na região Norte, o primeiro semestre da economia sempre tem um desempenho um pouco mais pujante, por questões de sazonalidade das estações, ao contrário do resto do país. Mas o que percebemos é que a região Norte e o estado do Amazonas, tem performado um pouco pior do que nos outros anos. Podemos atribuir isso a uma série de fatores que influenciaram a economia como um todo, além do que esse Estado não se beneficia de fatores como safras agrícolas como acontecem em outras regiões com tradição no agronegócio. O Amazonas depende muito da parte de serviços e tem uma dependência grande de outros fatores, inclusive da atuação governamental em termos de fluidez de recursos para o setor público”, analisou o presidente da Fenauto, Enilson Sales

De acordo com o presidente da entidade, há de se considerar que neste momento da economia, que o setor de serviços vem impulsionando a atividade econômica, a taxa de juros tem desacelerado, o PIB começa a apontar para um fechamento, em 2022, em algo entre 2,5% e 3%, a inflação e a inflação estão em uma queda gradual. “Colocando a região Norte nesse cenário, e especificamente o Amazonas, ele se beneficia pouco da aceleração do setor de serviços, pois por ser uma região menos populosa, e se utilizarem menos de serviços, essa lenta recuperação não é sentida. Lembro que esta análise é conjuntural e não específica da área de veículos, mas que não deixa de ter um impacto significativo nos negócios da região”, considerou. 

Pela análise da Fenauto,  em termos de resultado geral Brasil, o segmento  começa a espelhar um número que deve ficar um pouco abaixo do excelente número do ano passado, quando 15,1 milhões de veículos seminovos e usados foram comercializados. “Acreditamos que fecharemos o ano em torno de 14 milhões, o que é um número muito significativo e muito interessante, mas sem podermos manter o resultado do ano passado. Acredito que na região Norte não será diferente e deveremos ficar abaixo dos resultados obtidos no ano passado”, antecipou Sales. 

Conforme o levantamento, no mês de setembro  foram comercializados 7.993 veículos no Amazonas, em agosto, o quantitativo totalizou 9.278. Em setembro de 2021 esse total foi de 9.838 veículos vendidos. 

Dados nacionais na contramão 

A média diária de vendas de veículos seminovos e usados foi positiva durante o mês de setembro, segundo a Fenauto. Como setembro teve 21 dias úteis, contra 23 em agosto, essa média ficou 3,5% maior do que a registrado em agosto, com um total de 59.162 unidades comercializadas, contra 57.182. Essa média já está muito próxima da média mensal constatada em 2021.

O relatório divulgado pela Fenauto ainda mostra que houve um aumento expressivo na procura por modelos seminovos de 0 a 3 anos, com um crescimento de 20% no mês de setembro (212.764 unidades), em comparação com agosto (177.363 unidades).

O total acumulado de veículos seminovos e usados até setembro ficou em 9.770.370, ainda 15,6% menor que o mesmo período de 2021.

Enilson Sales, ressalta que o setor continua em recuperação, refletindo uma melhora no índice de confiança dos consumidores, que vem ocorrendo lentamente. Para ele, “ainda estamos passando pelo período de eleições, fator que mexe com toda a economia pela incerteza sobre os resultados finais, mas esperamos fechar o ano em um patamar de vendas próximo ao verificado no ano passado”. 

Por Andreia Leite

Andréia Leite

é repórter do Jornal do Commercio
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